Inflação e Transmissão da Política de Juros

Escrevi um relatório de pesquisa com dois grandes objetivos. O primeiro é repensar a atualidade das Teorias de Inflação existentes antes do Plano Real, implementado em 1994. O segundo é entender quais são os critérios de análise do COPOM para a fixação de juros disparatados em relação aos do resto do mundo. Clique para download:

Fernando Nogueira da Costa – Inflação e Transmissão da Política de Juros – junho 2022

Há, na atual equipe econômica, dois típicos Vieses Heurísticos (ou “irracionalidades”).

A diretoria do Banco Central do Brasil pratica o Viés da Ação, ou seja, torna-se ativa mesmo quando de nada adianta. Age como os homo sapiens, no início da evolução humana, quando a atividade compensava face à reflexão. A prudência na espera (ou inação) não valeria nenhum reconhecimento público.

Já a equipe do Ministério da Economia só é notável pelo Viés da Omissão. Como tanto uma omissão quanto uma ação, pensa o prócer dela, não evitaria o retrocesso econômico nacional, de acordo com sua ideologia, ele opta pela omissão.

Para os adeptos do Estado mínimo parece ser mais inofensivo. Um dos mantras ilusionistas do ministro da Economia, cujo único (e irônico) sucesso pode ser medido pelo número de executivos de banquetas e empresas repetindo um lugar-comum: “seu mérito não está naquilo feito, mas sim naquilo deixado de ser malfeito pelo Estado”.

Alimentando esta ilusão neoliberal, o ministro da Economia busca seu apoio entre os idiotas, aqueles sem desconfiar do mal, feito a si e aos outros. Desafia quem duvidava de sua coabitação com o oportunismo das “pedaladas fiscais” eleitoreiras…

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Funcionalidade do Sistema Bancário

Download do Relatório de Pesquisa:

Fernando Nogueira da Costa – Bancos Financiamento e Missão Social – junho 2022

Fui convidado para participar de um Seminário Internacional para debater o tema “O papel do financiamento na retomada do crescimento da economia brasileira”. Será realizado no dia 21 de junho de 2022, terça-feira, no auditório Freitas Nobre, Anexo IV da Câmara dos Deputados. O evento será realizado das 9h30 às 18h30, subdividido em mesas temáticas e será transmitido ao vivo pela TV Câmara: www.camara.leg.br.

Comporei a mesa “Bancos comerciais no financiamento do setor produtivo e missão social” (17:00-18:30), para fazer comentários em 15 minutos sobre o dito por representantes dos “big five” bancos comerciais brasileiros. Faço aqui um resumo do possível de falar brevemente, “colocando o dedo-na-ferida”.

Para começar a análise de um sistema complexo emergente de interações entre três subsistemas (de pagamentos, de gestão de dinheiro e de financiamento) é necessário partir de uma visão holista, isto é, do todo. Inseridos na economia global estão seus múltiplos agentes econômicos – governo e Banco Central, sistema financeiro nacional, Pessoas Jurídicas e Pessoas Físicas –, estas últimas respectivamente subdivididas por porte, natureza de atividades econômico-financeiras, e ocupações, renda e riqueza.

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Lucratividade dos Bancos no Brasil

Fui convidado para participar de uma discussão sobre lucratividade dos bancos da América Latina, em um programa no Canal do IE/UFRJ sobre Sistema Financeiro Nacional. Tem como pano de fundo o lançamento do livro La Mano Visible de la Banca Invisible: Renta y Lucro Extraordinário de las Finanzas em America Latina (Buenos Aires; Mármol / Izquierdo Editores; 2021).

Os coautores, Sergio Martin Paez e Guillermo Celso Oglietti, afirmam: “a exploração financeira na América Latina, uma antiga fonte de extração de rendas, durante a globalização financeira, adquiriu nível preocupante por seus efeitos negativos sobre o desenvolvimento e o bem-estar regional e por a acumulação de capital vir associada à de um poder político ameaçador das democracias latino-americanas” (2021: 197).

Pelo contrário, parece-me os bancos públicos brasileiros terem sido responsáveis, em grande medida, por tirar parcialmente o atraso histórico do desenvolvimento socioeconômico no Brasil. Foi incluído entre os grandes países emergentes, restrito ao grupo dos BRIC (Brasil-Rússia-Índia-China), antes da volta da Velha Matriz Neoliberal.

Quanto ao poder político ameaçador das democracias, não adoto o economicismo, isto é, a economia determinando diretamente a política. O risco é o populismo de direita, emergente em diversos países, em contexto de crise econômica de âmbito mundial, com o fim do boom de commodities em 2011, mas sem ser determinado por ela.

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Por um Governo Social-Desenvolvimentista – Baixe o Livro

Escrevi, semanalmente, artigos para o jornal eletrônico GGN do Luís Nassif, compartilhados no meu “bloguinho de esquerda” e na minha rede social: grupos de Whatsapp e e-mails. O Brasil Debate e a Carta Maior, o Portal da Esquerda, aos quais contribuía com artigos, findaram suas heroicas resistências.

Reunindo-os, periodicamente, em livros digitais, em conjunto com outros frutos de pesquisa sistemática e traduções, somei um total de 50 livros digitais aos 25 anteriores a 2020. O leitor deste encontrará seus links, para download gratuito, no fim deste.

Agora, achei oportuno organizar os artigos escritos nos últimos seis meses em ordem metodológica. Apresento-os aqui com um fio-condutor por ordem de abstração: do mais abstrato ou geral para o mais concreto ou decisões práticas de política econômica datadas e localizadas.

Creio a análise do aqui-e-agora ser necessária para o debate eleitoral em andamento. Os eleitores simpatizantes da candidatura Lula desejam, espontaneamente, contribuir com ideias para seu governo com caráter social-desenvolvimentista, isto é, políticas sociais ativas em conjunto com políticas econômicas necessárias para um desenvolvimento sustentável em longo prazo.

Leia mais:

Fernando Nogueira da Costa – Por um Governo Social-Desenvolvimentista. maio 2022

Conciliação: Aliança entre Liberalismo e Esquerdismo – Baixe o Livro

Muitos companheiros de esquerda acham o atual regime militar eleito, assim como o anterior ditatorial, deixar como única opção, aos grupos/partidos de oposição e às elites dissidentes, a escolha, ou melhor, a contínua oscilação, entre a acomodação, daí a fisiologia do chamado “centrão”, ou a tentativa de volta por cima com o ideologismo. Este purismo teve repetidos fracassos, na política brasileira, quando se propôs a fazer isoladamente a uma revolução radical frente ao “sistema capitalista”.

Isso está, na atual conjuntura, sendo visto como um falso dilema ou uma falsa dicotomia, porque uma terceira opção está excluída nesse “pensamento vermelho ou amarelo”. Reduz tudo no âmbito da discussão da estratégia político-eleitoral a duas opções opostas: ao rejeitar uma, o interlocutor não teria alternativa a não ser aceitar a outra.

A chamada “terceira via” apresentou a ideia simplória de classificar as duas polarizações como extremistas. O líder das pesquisas eleitorais, um líder sindical negociador nato, jamais poderá ser classificado como membro da extrema-esquerda. O atual mandatário é, de fato, um populista de direita, eleito em 2018 por causa da prisão arbitrária do adversário favorito, em cima de uma armação política de um juiz de comarca com procuradores.

Este juiz foi premiado por esse conluio com sua nomeação para ser ministro da Justiça. Com a ambição de ser presidente da República, entrou em dissidência, para acumulação de dinheiro, dando consultoria às corporações empresariais também acusadas por ele na chamada “Operação Lava-Jato”. A “terceira via” só engana os mal-informados e ainda iludidos.

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Resumo da Tese “Meritocracia de Laços”: Nomenklatura de Economistas no Brasil

Por conta de suas 851 páginas, fiz um resumo da tese de ELISA KLÜGER, Meritocracia de laços: gênese e reconfigurações do espaço dos economistas no Brasil (São Paulo: Universidade de São Paulo- Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas- Departamento de Sociologia – Programa de Pós-Graduação em Sociologia; 2017), para estimular sua leitura. Eu a achei por acaso, para baixar na internet, ao pesquisar sobre a origem institucional de “economistas midiáticos”.

DownloadELISA KLUGER. Meritocracia de Laços: Espaço dos Economistas no Brasil.São Paulo: FFLCH-USP 2017.

É uma pesquisa biográfica de economistas participantes de redes de relacionamentos de trabalho [networking] propícias à nomeação governamental, desde a revolução de 1930 no Brasil.

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Diagnóstico do Estado Atual da Economia Brasileira e Terapia Social-Desenvolvimentista

Muitos economistas progressistas estão contribuindo para o debate público no sentido de formar a opinião especializada em favor do sucesso de um novo governo social-desenvolvimentista a partir de 2023. Eu estudei suas contribuições, resumindo suas ideias e inserindo poucos comentários pessoais. Baixe o livro:

Fernando Nogueira da Costa – Diagnóstico do Estado Atual da Economia Brasileira. fev 2020.

Comentei umas contribuições recém-publicadas para um diagnóstico da economia brasileira. Em geral, é acompanhado de receita com a terapia recomendada ao caso pelos doutores. As propostas de decisões práticas são um apanhado de análises sobre os instrumentos de política econômica, angariadas em publicações jornalísticas.

Embora louváveis, tenho alguns reparos a reducionismos simplórios em torno de maus argumentos. Faz parte do dever de ofício de intelectual crítico: pensar e provocar seus pares para eles aprofundarem suas reflexões.

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Regras ou Arbítrio na Política de Juros: Padrões e Ruídos – Baixe o Livro

No meu estudo da semana passada (download do livro digital abaixo), fiz uma releitura do debate entre os defensores de rules (regras) e os de discretion (discricionaridade) na condução da política monetária à luz dos ensinamentos obtidos com a leitura do livro “Ruído“. Foi lançado em 28 de setembro de 2021, com coautoria de Daniel Kahneman, Olivier Sibony e Cass R. Sunstein.

No último capítulo, analiso os ruídos da política de juros sobre a estagnação e a concentração da riqueza financeira nos últimos 26 anos. Com base nele publiquei um artigo de divulgação, o qual compartilho abaixo: https://jornalggn.com.br/politica-monetaria/ruidos-da-politica-de-juros-desigualdade-e-estagflacao-por-fernando-nogueira-da-costa/

Em Terrae Brasilis, não ocorreu a chamada dominância fiscal. Refere-se à situação quando o Banco Central se veria impedido de elevar a taxa de juros, para combater a inflação, porque a elevação do pagamento de juros sobre a dívida pública amplificaria o desequilíbrio fiscal, no caso, o déficit nominal – e não o primário, onde se desconsidera os encargos com os juros. Com sua autonomia operacional, jamais se importou em coordenar a política monetária com a política fiscal.

Ainda por cima, ele se queixa de pressuposto desequilíbrio da demanda agregada, inflada pelo setor público, face à dada oferta agregada. Denuncia ela afugentar os investidores pelo “risco fiscal”, isto é, a falsa pressuposição de possível calote da dívida pública com risco soberano. Com emissão de moeda nacional e reservas cambiais bem acima da dívida externa pública, não há esse risco.

Entretanto, os economistas ortodoxos acham, por esse mecanismo de transmissão, a taxa de câmbio se depreciar e a taxa de inflação se acelerar. E daí o BCB aumenta ainda mais a taxa de juro.

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Fontes e Usos de Dados: Renda, Despesas, Dívida e Aplicações: Baixe o Livro

Quem quer ser Bi Milionário?

Jamal Malik é um rapaz de 18 anos. Ele teve uma infância muito difícil, lidando com a violência e a miséria na Índia. 

Ele é chamado para participar da versão indiana do famoso programa de TV “Quem quer ser um milionário?”. Sua experiência de vida o ajuda a responder as perguntas do show. Porém, a polícia desconfia da honestidade de Jamal e ele tem de provar sua inocência.

O filme foi indicado a 10 prêmios Oscar, em 2009, vencendo oito. Entre eles, como Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.

Se Jamal tivesse emigrado para trabalhar em um quiosque à beira da praia da Barra da Tijuca, “Terra dos Milicianos”, correria sério risco de ser morto por espancamento.

Ele se salvaria, no Brasil, caso morasse em 13,7% das famílias com o responsável com Ensino Superior Completo: 6,3% delas têm avaliação subjetiva de ter condições de passar o mês com o atual rendimento total familiar com facilidade e 0,5% com muita facilidade. Em termos de décimos de rendimentos, fizeram avaliação de “muita facilidade”, na POF 2017-18, 0,1% do 7º. décimo, 0,1% do 8º., 0,2% do 9º. e 0,5% do 10º.

Apenas essas famílias gastaram a metade (50,2%) do total do consumo com lazer e viagem. Pouco mais de 28 milhões de pessoas tinham chefe-de-família com esse nível de escolaridade.

Esse subconjunto de 13% das famílias brasileiras se apropria de 45,8% da renda. Na classe mais elevada, estão 2,7% das famílias brasileiras com rendimentos acima de 25 salários mínimos (R$ 23.850,00) em 2018. Este grupo se apropria de quase 1/5 de todos os valores recebidos pelas famílias brasileiras ou, mais especificamente, 19,9%.

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Sistema Capitalista como Sistema Complexo Adaptativo

Uma visão sistêmica ou holista percebe a Falácia da Composição. Como nem todos conseguem jogar “o inocente jogo de ganhar dinheiro”, a total absorção nele da maior parte dos cidadãos pode deixar aqueles poucos sem o jogarem por motivos políticos serem alçados às paradas mais altas do poder da casta dos oligarcas governantes

Ficam então mais livres para dedicar-se à sua ambição tanto de poder quanto de enriquecimento. Pior quando se aliam a eles os representantes corporativistas da casta dos guerreiros: militares, policiais, milicianos, etc. Isto sem falar em alguns membros desgarrados da casta dos mercadores-negociantes e da casta dos sacerdotes-pastores.

Desse modo, os arranjos sociais, ao substituir as paixões pelos interesses como princípio-guia da ação humana, para a governança, podem ter o efeito colateral de matar o espírito cívico e, desse modo, abrir a porta à tirania. A perda da riqueza (ou mesmo o medo de tal perda) podem predispor parte do povo eleitor a favor da tirania.

A escala da ascensão social seria na seguinte ordem. Primeiramente, busca-se prover ao necessário, e então ao supérfluo. Em seguida vêm as delícias, e depois as imensas riquezas, e depois súditos, e depois escravos. Em Repúblicas, governantes e eleitores.

Quanto menos prementes são as necessidades, mais aumentam as paixões. Pior quando se busca a qualquer preço o poder de satisfazê-las em benefício próprio.

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Evolução do Capitalismo como um Sistema Complexo Adaptativo

Regras iniciais simples, adotadas por interagentes, seja com comportamentos miméticos, seja com divergentes, propiciam a emergência de um sistema complexo de economia de mercado. A evolução registra, desde as tribos até as cidades-Estado, rotas comerciais e mercados de capitais, nenhum desses fenômenos emergentes foram pré-programados a priori.

Por exemplo, no nível individual (ou microeconômico), seguiu-se a Regra de Ouro do Comércio: comprar barato para vender mais adiante caro. Outra racionalidade mercantil sempre foi comprar onde é barato para vender onde é caro. Uma é a especulação aplicada ao longo do tempo, outra é a arbitragem entre lugares ou mercados.

Outro exemplo, no nível coletivo (ou macroeconômico), é a Lei da Oferta e da Demanda. Os preços se elevam quando há escassez e são diminuídos quando há abundância. Tudo isso acontece se funcionar uma livre competição com múltiplos ofertantes e demandantes.

Uma terceira “regra” é, justamente, a “quebra de regras”! Trata-se da Inovação Disruptiva. É a destruição criativa com invenção de uma possibilidade tecnológica ainda não tentada, novos produtos ou novas fontes de matérias primas.

Empreendedores com iniciativa são capazes de mobilizar capital, avaliar projetos, administrar riscos, monitorar os administradores, fazer bons negócios, redirecionar os recursos de velhos para novos canais. Em um ambiente de negócios com direitos de propriedade, livre-comércio e câmbio estável garantidos, buscam a alavancagem financeira de seu negócio, aumentando a rentabilidade patrimonial com uso de capital de terceiros, isto é, de crédito farto e barato.

Como ocorreu a evolução da economia como um componente de um sistema complexo adaptativo? Essa foi a questão-chave motivadora de meu estudo e organização de um novo livro digital para socialização do conhecimento adquirido: Fernando Nogueira da Costa – Economia como Componente de Sistema Complexo Adaptativo. fev 2022

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Aplicação da Teoria Monetária Moderna: Baixe o Livro

A dívida pública disparou, desde a crise financeira de 2008, e especialmente durante a pandemia de covid-19. De acordo com o Fundo Monetário Internacional, a relação dívida pública sobre PIB nas economias avançadas aumentou a partir de uma média em cerca de 70% em 2007 para 124% em 2020. 

O temor de a crescente dívida pública alimentar futuras crises fiscais foi amortecido, em parte, pelo fato de os encargos financeiros com os títulos de dívida pública estarem baixos desde então. Eles foram mantidos baixos pelo “afrouxamento quantitativo” (QE, nas iniciais em inglês), após as Grandes Depressões de 2008 e de 2020. 

Os enormes gastos fiscais foram justificáveis para aliviar os sofrimentos decorrentes desses episódios. Mas os defensores da Teoria Monetária Moderna (TMM) levam essa lógica abstrata para além das circunstâncias locais. São distintas para os Estados Unidos, os demais países avançados e os países atrasados, submetidos ao Império do Dólar.

Os adeptos da TMM alegam, quando a dívida pública é denominada na própria moeda do país, não há motivo para temer uma crise fiscal, porque não pode ocorrer um calote. Qualquer retirada de estímulo fiscal, dado durante as crises, assim, deve ser gradual. 

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