Evolução Sistêmica Financeira

Baixe o estudo:

Fernando Nogueira da Costa. Evolução Sistêmica Financeira. set 2021

É falsa a notícia “economistas do PT debatem formas de promover concorrência e aumentar regulação do setor visto como oligopolizado por poucos bancos” (FSP, 13.set.2021). A coordenação do núcleo de economistas da FPA (Fundação Perseu Abramo” informa: “o PT ainda não discutiu esse tema”.

Os experientes quadros do PT sabem ser necessário, nos próximos 12 meses anteriores à eleição de 2022, antecipar à onda de “bacharias” (sic) – tipo “Bolsonaro é um risco à democracia do Brasil e Lula é um risco à economia. Os assessores dele são todos retrógrados, estão todos nessa linha de recuperar o Brasil grande, não aprenderam nada” (Edmar Bacha, FSP, 07/04/2017).

O diretor da Casa das Garças (“ninho de tucanos”) cometeu esse ataque sórdido em busca de alcançar seu objetivo de maneira ignóbil: incluir na disputa eleitoral uma “terceira via” com risco tanto à política quanto à economia. Foi o ocorrido, na 2ª. metade dos anos 90, ao PSDB ter usado o fisiologismo para a aprovação da reeleição e ter a obtido com base em um regime de banda cambial para baixar a inflação à custa da sobrevalorização da moeda nacional, déficit comercial e desindustrialização. 

Ele briga contra os números da Contabilidade Nacional ao não verificar a importância maior do crescimento do mercado interno, em vez do mercado externo, para o Social-Desenvolvimentismo (2003-2014) ter obtido de resultados muitos superiores ao Neoliberalismo (1995-2002).

Tendo respondido à futrica, logo os economistas do PT se depararam com a falsa notícia, dada a jornalista sem fazer seu trabalho de verificar a veracidade da informação. Atribuí-los “a meta de aumentar a concorrência em setor visto como oligopolizado” parece ser coisa do PFL (Partido da Faria Lima), para criar animosidade dos líderes do sistema bancário contra o PT, como essa tática da época de financiamento empresarial de campanhas políticas ainda fosse necessária.

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Wilson Cano: Questão Regional e Urbana no Brasil – Baixe o Livro

Este livro é fruto de intenso trabalho coletivo. Reuniu duas editoras, uma associação nacional representativa dos economista (ABED) e muitos parceiros. Como resultado desse movimento, temos nas mãos um conjunto com mais de 30 autores e autoras e seus 26 artigos cuidadosamente dedicados a valorizar a importância do professor Wilson Cano e seu pensamento sobre desenvolvimento regional e urbano brasileiro.

Dividido em três partes, a primeiro delas trata das questões de sua biografia, sua trajetória profissional e da importância de sua obra, a segunda parte aborda as questões regionais e urbanas que incidem sobre o desenvolvimento brasileiro no geral e, por fim, a terceira avança no tratamento de compartimentos territoriais específicos – sejam regiões, estados ou outros recortes quaisquer – para realçar a ampla linha de colaborações dos discípulos e/ou orientados do Professor Wilson Cano, meu Orientador no Mestrado e Doutorado. Ele me convidou para entrar no corpo docente do IE-UNICAMP.

Baixe o livro: https://fpabramo.org.br/publicacoes/wp-content/uploads/sites/5/2021/09/Wilson-Cano_MIOLO_16.09.21_WEB.pdf

Ortodoxia X Heterodoxia em Economia

Baixe e leia o livro digital:

Fernando Nogueira da Costa. Ortodoxia X Heterodoxia na Economia. setembro 2021

Nas “câmaras de eco”, onde se vive em rede diminuta e exclusiva, desconhece-se a racionalidade de pretensos adversários ideológicos. Dada a intolerância com os indivíduos de pensamento distinto do predominante na “bolha”, a postura é ante empática, tipo “não sei… e nem quero saber!”

limite das relações humanas é determinado pela biologia. Segundo o Número de Dunbar, sugerido pela pesquisa em Psicologia Evolutiva do antropólogo Robin Dunbar, professor da Universidade de Oxford, o ser humano tem capacidade de manter uma rede de amizade composta por, em média, 150 pessoas.

O raio de influência das diversas redes de ódio é dispersivo – e incalculável a respeito do seu domínio mental sobre os seguidores. Milhares seguidores de “influenciadores” se submetem à ideologia sem nenhuma reflexão crítica, de maneira robotizada?

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Futuro do Emprego

Capa Futuro do Emprego

Embora a informatização tenha sido historicamente confinada a tarefas de rotina, envolvendo atividades baseadas em regras explícitas, algoritmos para big data estão entrando rapidamente em domínios dependentes de reconhecimento de padrões para substituir o trabalho em uma ampla gama de tarefas cognitivas não rotineiras.

Além disso, os robôs avançados estão ganhando sentidos e destreza aprimorados, permitindo-lhes realizar um escopo mais amplo de tarefas manuais. Tudo isso, provavelmente, mudará a natureza do trabalho em todos os setores e ocupações.

O ensaio “The Future of Employment: How Susceptible are Jobs to Computerisation?” de coautoria de Carl Benedikt Frey & Michael A. Osborne (September 17, 2013) tornou-se uma referência a respeito de consequências da 4ª. Revolução Tecnológica no mundo do trabalho. Talvez tornar-se-á um clássico lido por futuras gerações para verificar se suas previsões, de fato, aconteceram.

Por esta razão, fiz uma tradução de seus principais tópicos, mais curta em relação às 72 páginas do original, com finalidade didática: 

Fernando Nogueira da Costa. Tradução de Futuro do Emprego. setembro 2021

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Formação e Mercado de Trabalho de Economistas. Baixe o Livro.

A Lei nº 1.411, de 13 de agosto de 1951, dispõe sobre a profissão de Economista. Em seu Art. 3º reza: para o provimento e exercício de cargos técnicos de Economia e Finanças, na administração pública, autárquica, paraestatal, de economia mista, inclusive bancos, cujos acionistas forem os Governos Federal e Estadual, nas empresas sob intervenção governamental ou nas concessionárias de serviço público, é obrigatória a apresentação do diploma de bacharel em Ciências Econômicas, ou título de habilitação.

Portanto, comemoramos neste mês 70 anos da minha profissão. É data inesquecível, para mim, porque no próximo mês comemorarei 70 anos de vida. Outra coincidência é, neste ano, constatei ter exatos 50 anos de estudos em Economia. Iniciei meu curso de graduação na FACE-UFMG em 1971, depois de ter feito o vestibular único no Estádio “Mineirão”, com todos os candidatos sentados na arquibancada dura de concreto.

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Economia de Mercado de Capitais à Brasileira. Baixe o Livro.

Quais são os fundamentos teóricos para o pensamento econômico da atual Secretaria de Política Econômica (SPE) do ministério da Economia? Parecem ser os da Escola Austríaca

Três ideias-chave de Ludwig von Mises (1881-1973) e Friedrich Hayek (1899-1992) inspiram a ideologia ultraliberal. São três “bandeiras de luta” contra o keynesianismo.

1.         Cálculo Econômico: sistema de preços relativos livres indica melhor alocação de capital contra a “tirania da maioria coletivista”; 

2.         Estado Mínimo: empresários se abstêm de investir quando temem gastos públicos levarem a aumento de impostos ou inflação; 

3.         Lei de Say: recessões são consequências de ciclo artificial de crédito a serem suportadas, mas não curadas pelo Estado.

Para esses autores, é necessário distinguir entre a “Macroeconomia” deduzida o individualismo metodológico dos austríacos e a Macroeconomia keynesiana. Nesta, os gastos de consumo e de investimento mover-se-iam sempre no mesmo sentido. 

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Plano em Curto Prazo e Planejamento em Longo Prazo – Baixe o Relatório de Pesquisa Vol. II

Lei de Murphy da Política Econômica: 
“Quanto mais sabem e mais concordam os economistas, 
eles têm menor influência na Política Econômica. 
Têm maior influência na Política Econômica 
quando sabem o mínimo e discordam veementemente.” 
(Alan S. Blinder)  

É necessário distinguir entre plano do mandato governamental e planejamento estatal de longo prazo. O primeiro é de médio prazo com seu fim em um quadriênio. O outro dura até a maturação dos investimentos. 

Por exemplo, investimento em usina hidrelétrica ou em extração de petróleo em águas profundas tem maturação de oito a dez anos. Questão de Estado perdura, mas deve ser tratada como inadiável. Um exemplo é a resolução do problema de favelas no Brasil com urbanização e transformação em bairros populares com todos os serviços públicos disponíveis, ou seja, não monopolizados por milicianos oriundos de polícias militares. 

O déficit habitacional urbano atual é estimado em 5.885.500 Unidades Habitacionais (UH) e o déficit rural soma mais 1.055.136 UH. No Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o maior programa de acesso à moradia da história brasileira, houve a contratação 6.064.980 UH e foram entregues 5.090.660 UH até o primeiro semestre de 2021. 

Se a Presidenta Dilma Rousseff não tivesse sido golpeada, teria dado continuidade do MCMV no ritmo do seu primeiro mandato. Com mais dois mandatos com essa prioridade, teria sido possível acabar com o déficit habitacional em dezesseis anos. 

Esses planos governamentais são necessariamente altamente agregados e contêm objetivos amplos, relacionados principalmente à capacidade produtiva, portanto, ao investimento. Já o mix de produtos – Internet das Coisas (IoT), rede 5G, AgTech e AgFintech, Telemedicina, infraestrutura de telecomunicações, transformação digital, iluminação, mobilidade urbana, eletrificação de veículos, logística (rodovias-ferrovias-portos-aeroportos), petróleo e gás, energia elétrica e energias renováveis, entre outros –  será adaptado aos requisitos temporais imediatos e não pode ser previsto com antecedência em detalhes. 

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Socialismo Realmente Existente versus Mercado Deficiente Existente: SOREX X MERDEX – Baixe o Relatório de Pesquisa Vol. I

Uma longa lista de distorções e deficiências pode ser diretamente atribuível ao planejamento centralizado. De fato, foram desastrosos alguns esquemas de planos abrangentes, concebidos por planejadores até bem-intencionados. 

No caso de planejamento de urbanizações, alguns viadutos e edificações tiveram de ser implodidos. O planejamento do comércio exterior, em vários países, especialmente no Terceiro Mundo, tem sido um meio de enriquecimento pessoal para quem tem o direito de emitir licenças de importação. 

Os planos de desenvolvimento às vezes são grandiosos e perdulários. Destas experiências fracassadas e de outras semelhantes, alguns políticos e economistas chegaram à conclusão de “fazer planejamento é ruim”.

Entretanto, tem se mostrado um equívoco colocar confiança excessiva na ideia de, simplesmente, o mecanismo de livre-mercado ser capaz de fornecer todas as respostas para todos os problemas econômicos. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra…

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Política e Planejamento Econômico: Baixe o Livro

Vivemos um período tão excepcional na história econômica do Brasil a ponto de merecer um registro digital para os estudarmos, analiticamente, mais adiante. Teremos então um necessário distanciamento histórico, para o tratarmos de maneira racional – e não tão emocional, como agora, quando vivemos o luto da morte de mais de ½ milhão de brasileiros e mais de 4 milhões de seres humanos no planeta.

Mas “no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Carlos Drummond de Andrade nos inspira, isto é, à geração de “pedras rolantes”. Temos de remover mais uma “pedra” do caminho, mais uma ameaça de golpe de Estado no Brasil.

Lapis volvens nihil musci”. Curiosidade etimológica: o significado de “lápis”, em latim, é pedra, e daí vem lápide, lapidação.

Há duas possíveis mensagens no provérbio em latim.

Primeira, a pessoa não se firma em um ponto, não se estabiliza.

Segunda, a pessoa ao se mover, não cria amarras, se renova constantemente.

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Socialismo: Baixe a Cartilha

Gosto de estudar lendo a Wikipedia, a enciclopédia livre onde todos podem editar. Encontram-se nela 1.069.109 artigos em português, sob contribuição de 9.469 editores ativos.

É considerada já a maior enciclopédia da História da Humanidade ao ultrapassar a dimensão da chinesa. O imperador chinês Yongle, da dinastia Ming, além de suas conquistas militares, era um intelectual com gosto pela leitura.

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Conduzir para não ser Conduzido

Para dar fundamentos à minha crítica da literatura de denúncia da “financeirização”, reuni uma coletânea de estudos sobre Finanças em um livro digital, cujo título é o deste artigo. Aqui, desejo analisar por qual razão misteriosa essa ideia me ocorre quando leio essa denúncia, recorrentemente realizada por meus companheiros esquerdistas. 

Non Ducor Duco é uma expressão em latim com significado de “não sou conduzido, conduzo”. O lema está presente no brasão da cidade de São Paulo.

Penso: é necessária a Educação Financeira para entender – e usar em próprio proveito – esse fenômeno típico de uma fase do ciclo de endividamento, quando a taxa de acumulação de riqueza financeira se descola da taxa de crescimento da renda. Em geral, ocorre durante a fase de desalavancagem financeira, depois de uma expansão-boom-crash-depressão. 

Passada aquela, estamos vivenciando a fase de “empurrar corda”, quando a política monetária fica inoperante. Quando o investimento público produtivo arrastar os gastos privados, virá a normalização. Conduziremos em vez de sermos conduzidos

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Crítica à Ideia de “Financeirização”

A “financeirização” é definida, por autores denunciantes do pressuposto fenômeno, como “um padrão sistêmico de acumulação de riqueza, correspondente a uma certa etapa histórica do capitalismo”. Nela, o capital financeiro constitui a forma de capital preponderante, exercendo dominância financeira sobre as variáveis econômicas.

Pressuposto é o que se supõe antecipadamente. É aquilo imaginado ou pensado sobre determinada situação antes de ter conhecimento profundo sobre ela. Não pode ser apresentado como indiscutível para o ouvinte, não permitindo contestações ao falante.

A “financeirização” é uma ideia possível de ser presumida, mas não é verdadeira. Sempre a lógica financeira racionalizou todas as decisões econômicas porque levam em conta o custo de oportunidade: o deixado de ganhar ao optar por um em lugar de outro.

Ou trazer a valor presente os estimados fluxos de renda futuros de investimentos alternativos para decidir por qual deles optar. Ou diversificar as formas de manutenção de riqueza em ativos para compensar eventuais perdas com ganho. Ou acompanhar um valor médio ponderado de mercado ao invés de tentar superá-lo sistematicamente.

Todas essas ideias brotam de uma racionalidade econômico-financeira. Mas as Finanças Comportamentais demonstram elas nem sempre serem usadas em situações de stress emocional em tomadas de decisões.

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