Debate Político ou Ideológico entre Discursos de Ódios Mútuos

Person about to bash someone with quotes

Apelo à Popularidade ou Prova Social

Ali Almossawi, em “O livro ilustrado dos maus argumentos”, diz também conhecido como apelo ao povo, este argumento utiliza o fato de muitas pessoas (ou até mesmo a maioria delas) acreditarem em algo como se fosse prova de que a ideia é verdadeira. Esse tipo de falácia muitas vezes dificultou a aceitação maior de teorias pioneiras.

Por exemplo, na época de Galileu, a maioria das pessoas acreditava o Sol e os planetas orbitarem em torno da Terra, porque o viam “de um lado ao outro do céu”. Daí o astrônomo foi ridicularizado por apoiar o modelo de Copérnico. Corretamente, como se comprovou , ele coloca o Sol no centro do nosso sistema solar.

A publicidade frequentemente tenta convencer as pessoas a usar um produto somente pelo motivo de ser popular. Embora entrar na moda seja uma oferta atraente, isso não basta para sustentar o imperativo de que alguém deva comprar o produto anunciado.

Políticos também adotam muito essa retórica usando a popularidade como se fosse evidência de que uma proposta é correta – a fim de impulsionar suas campanhas e influenciar eleitores. O fato da maioria acreditar em determinada coisa não transforma essa ideia errada em certa. Continue reading “Debate Político ou Ideológico entre Discursos de Ódios Mútuos”

Argumentos Ilógicos

Causa Inquestionável

Ali Almossawi, em “O livro ilustrado dos maus argumentos”, alerta essa falácia. Ser também conhecida como causa falsa. Ela define como causa de um evento, sem provas, uma ocorrência anterior ou simultânea àquele evento. A correlação entre os dois eventos pode ser pura coincidência ou resultado de algum outro fator. Mas sem evidências não é possível concluir que um evento causou o outro.

“O terremoto aconteceu porque nós desobedecemos ao rei” não é um argumento válido.

Esta falácia tem dois tipos específicos:

  1. “depois disso, logo, por causa disso” (post hoc ergo propter hoc) e
  2. “com isso, logo, por causa disso” (cum hoc ergo propter hoc).

No primeiro tipo, o evento anterior é considerado causa do que vem depois.

No cum hoc, como os eventos ocorrem ao mesmo tempo, um deles é escolhido como causa do outro. Em várias disciplinas, especialmente pesquisas científicas, esse erro é conhecido como confundir correlação com causalidade. Continue reading “Argumentos Ilógicos”

Maus Argumentos

Argumento a partir das Consequências

Ali Almossawi, em “O livro ilustrado dos maus argumentos”, afirma o argumento a partir das consequências consistir em defender ou refutar a veracidade de uma declaração apelando às suas consequências caso ela fosse verdadeira (ou falsa). Mas o fato de uma proposição levar a um resultado desfavorável não significa ela ser falsa.

Da mesma forma, o simples fato de ter consequências positivas não torna a afirmação automaticamente verídica. “Não se deduz que uma qualidade ligada a um efeito seja transferível à sua causa.”

Se as consequências forem positivas, o argumento pode alimentar esperanças, por vezes tomando a forma de pensamento positivo. Já se forem negativas, o argumento pode suscitar temores.

Analise a citação de Dostoievski: “Se Deus não existe, então tudo é permitido.” Deixando de lado as discussões morais, o apelo às consequências sombrias de um mundo puramente materialista não prova nada sobre a existência ou não de Deus.

É preciso perceber, porém, tais argumentos serem falaciosos somente quando usados para afirmar ou negar a veracidade de uma declaração, e não quando dizem respeito a decisões ou políticas públicas. Por exemplo, um parlamentar pode logicamente se opor ao aumento de impostos por receio de haver um impacto negativo na vida de seus eleitores.

A falácia do argumento a partir das consequências pode ser reconhecida como uma pista falsa ou manobra de distração, porque sutilmente desvia a discussão da proposição original – neste caso, em direção ao resultado e não ao mérito da proposta em si. Continue reading “Maus Argumentos”

Arte de Argumentar

A epígrafe de “O livro ilustrado dos maus argumentos”, escrito por Ali Almossawi, traz uma advertência fundamental ao citar Richard P. Feynman: “O primeiro princípio é não enganar a si mesmo – e você é a pessoa mais fácil de ser enganada.”

Este livro é dedicado aos iniciantes na área do raciocínio lógico, principalmente àqueles que – para usar uma expressão de Pascal – são feitos de tal maneira que aprendem melhor por meio de imagens. Ali Almossawi selecionou os 19 erros de argumentação mais comuns. Sua expectativa é o leitor aprender nestas páginas algumas das principais armadilhas encontradas em discursos e debates, para então conseguir identificá-las e evitá-las na prática.

A literatura sobre lógica e falácias lógicas é ampla e variada. Existem diversos livros com proposta de ensinar o leitor a utilizar as ferramentas e paradigmas sustentáculos de um bom raciocínio, de forma a produzir debates mais construtivos. No entanto, ler sobre o que não se deve fazer também é muito útil.

Este livro trata fundamentalmente de o que não se deve fazer em uma argumentação. Continue reading “Arte de Argumentar”

O Livro Ilustrado dos Maus Argumentos

Ali Almossawi, em “O livro ilustrado dos maus argumentos” (Rio de Janeiro: Sextante, 2017), apresenta em anexo uma série de definições apropriadas para o bom entendimento de seus ensinamentos de Lógica.

ARGUMENTO: Série de proposições com o intuito de persuadir por meio do raciocínio. Em um argumento, um subgrupo de proposições, chamadas premissas, apoia outra proposição, chamada conclusão.

proposição: Afirmação que pode ser verdadeira ou falsa, mas não as duas coisas ao mesmo tempo.

premissa: Proposição que dá apoio à conclusão de um argumento. Pode haver uma ou mais premissas para cada argumento.

falseabilidade: Uma proposição é falseável se puder ser refutada e desmentida por meio da observação ou de um experimento. Por exemplo, a asserção “todos os cisnes são brancos” pode ser facilmente refutada ao se apontar para um cisne negro, como se descobriu na Austrália.

Quando uma teoria resiste à refutação pela experiência, então, pode ser considerada comprovada. Por isso, de acordo com o método científico, a falseabilidade é um sinal de força do argumento e não de sua fraqueza. Continue reading “O Livro Ilustrado dos Maus Argumentos”

Amor como Sistema Complexo: Dependência de Trajetória entre Paixão, Casamento e Amor

Um economista é alguém que conhece 100 maneiras de fazer amor, mas não conhece nenhuma mulher

Com a descoberta da inteligência emocional, as firmas estão avaliando seus executivos sob um novo critério: o dom de administrar bem sua própria saúde. Só assim, sem stress, trabalharão de acordo com sua capacidade máxima.

Isso significa encontrar um equilíbrio entre trabalho, família, férias. E entre trabalhar e dormir. Perceber o “óbvio ululante”: há vida fora do trabalho!

“Enfrente a doença emocional e espiritual do coração – solidão e isolamento. Ame mais e seja feliz – esta é a chave para ter melhor saúde”, recomendam os RH das firmas.

Você gostaria de ler sobre uma interpretação de economista a respeito da paixão, do casamento e do amor? Recordarei uma palestra de um sábio: Rubem Alves, professor emérito da UNICAMP, já falecido. Assisti sua Conferência sobre “Paixão e Casamento”, em Campinas, no dia 13 de abril de 1996.

Quero expiar meus pecados, vamos à recordação… Continue reading “Amor como Sistema Complexo: Dependência de Trajetória entre Paixão, Casamento e Amor”

Mente, Linguagem e Sociedade – Filosofia no mundo real

John R. Searle, no livro “Mente, Linguagem e Sociedade – Filosofia no mundo real”, escreve um capítulo sobre dependência dos observadores e os blocos constitutivos da realidade social. De modo a explicar a realidade social e institucional, precisamos esclarecer uma distinção fundamental e introduzir três novos elementos no aparato explicativo.

Trata-se de uma distinção entre:

  1. os aspectos do mundo que existem, independentemente de nossas atitudes e intencionalidade em geral, e
  2. os aspectos que existem apenas em relação à nossa intencionalidade.

Chama isso de distinção entre aspectos do mundo dependentes dos observadores e independentes dos observadores.

Os três elementos são:

  1. a intencionalidade coletiva,
  2. a atribuição de funções e
  3. uma certa forma de regras que chama de “regras constitutivas“.

Primeiro, ele faz a distinção entre:

  1. a dependência dos observadores e
  2. a independência dos observadores.

Alguns aspectos do mundo existem de forma inteiramente independente de nós, seres humanos, e de nossas atitudes e atividades. Outros dependem de nós. Continue reading “Mente, Linguagem e Sociedade – Filosofia no mundo real”