Evolução dos Sistemas Complexos Emergentes de Interações de Múltiplos Componentes

Ervin Laszlo no livro “A Ciência e o Campo Akáshico: Uma teoria integral de tudo” conta: ele precisava encontrar uma resposta na linha de frente da Ciência à pergunta sobre:

  1. como os sistemas são constituídos e
  2. como eles se relacionam uns com os outros,
  3. como eles mudam e evoluem.

Ele entendia os princípios gerais, e a teoria geral dos sistemas esclareceu-lhe sobre as relações entre sistemas e ambientes. Ainda necessitava a chave para entender como essas relações podem levar a uma evolução integrativa e, em seu todo, irreversível na biosfera, e no universo como um todo.

Para sua surpresa, essa chave foi fornecida por uma disciplina a cujo respeito ele conhecia pouco na época: a termodinâmica do não-equilíbrio. O especialista em termodinâmica Ilya Prigogine, russo de nascimento e laureado com o prêmio Nobel, apresentou o conceito de “estruturas dissipativas”, sujeitas a “bifurcações” periódicas, forneceu a dinâmica evolutiva buscada por Ervin Laszlo.

Depois de discutir esse conceito com Prigogine, seu trabalho passou a focalizar aquilo chamado de “Teoria Geral da Evolução”. O tipo básico de entidade povoadora do mundo transformou-se, em seu pensamento, do “organismo” e do “sistema geral” na “estrutura dissipativa”. Ela se bifurca não-linearmente em um sistema termodinamicamente aberto em evolução. O mundo começava a fazer mais e mais sentido. Continuar a ler

Mais de Quatro Décadas à Procura de uma Teoria Integral de Tudo: Uma Retrospectiva Autobiográfica

A Ciência e o Campo Akáshico é o produto de mais de quatro décadas de procura por significado no âmbito da ciência” afirma Ervin Laszlo no último capítulo de seu livro “A Ciência e o Campo Akáshico: Uma teoria integral de tudo”.

Seu interesse permanente é o de encontrar uma resposta para perguntas como, por exemplo: “Qual é a natureza do mundo?” e “Qual é o significado da minha vida no mundo?” São questões tipicamente filosóficas — embora a maioria dos filósofos acadêmicos da atualidade prefira encaminhá-las a teólogos e poetas —, mas ele não procurou respondê-las por meio da filosofia teórica ou da religião, mas através da Ciência.

Ervin Laszlo era um bem-sucedido pianista de concertos, nunca se matriculou para obter um grau acadêmico, para o qual ele não reconhecia nenhum uso concebível.

Em 1959, depois do nascimento de seu primeiro filho, virou uma nova página: ele se propus a empreender, com propósito e empenho, leituras e pesquisas sistemáticas. O que era, até então, um hobby favorito, tornou-se uma busca metódica.

Começou com os fundamentos da Ciência no pensamento grego clássico e daí ele se voltou para os fundadores da Ciência Moderna antes de chegar à Ciência Contemporânea. Ele não estava interessado nem nos detalhes técnicos, difíceis no treinamento dos profissionais de ciência — técnicas de pesquisa, observação e experimentação —, nem em controvérsias a respeito de delicados aspectos metodológicos ou históricos.

Eu queria ir direto ao âmago da questão: descobrir o que uma determinada ciência poderia lhe dizer a respeito do segmento da natureza investigado por ela. Isso exigia muito trabalho preparatório. As descobertas eram inesperadamente escassas, e consistiam em alguns conceitos e enunciados, normalmente apresentados no final de longos tratados matemáticos e metodológicos. Continuar a ler

A Ciência e o Campo Akáshico: Uma Teoria Integral de Tudo

Na Introdução do livro “A ciência e o campo Akáshico: uma teoria integral de tudo” de autoria de Ervin Laszlo (tradução Aleph Teruya Eichemberg, Newton Roberval Eichemberg. São Paulo: Cultrix, 2008), ele afirma: “embora uma visão difundida suponha que a ciência se constitua numa coleção de observações, medidas e fórmulas matemáticas, ela não se resume a isso; a ciência também é uma fonte de percepções profundas sobre o modo como as coisas são no mundo. Grandes cientistas estão preocupados não apenas a respeito do comodo mundo — a maneira como as coisas funcionam — mas também a respeito de o que são as coisas deste mundo, e do por que elas são da maneira como nós as encontramos.

Naturalmente, é indiscutível que no pensamento corrente da comunidade científica oficial os pesquisadores estão, com frequência, mais preocupados em fazer com que suas equações produzam resultados bem-sucedidos do que com o significado que eles podem atribuir a elas. Mas esse não é exatamente o caso dos principais teóricos.”

A procura por uma visão significativa do mundo não está confinada à Ciência. Ela é, em todos os seus aspectos, fundamental para a mente humana. É tão antiga quanto a civilização, pois, sempre que as pessoas olhavam para o Sol, a Lua, o céu estrelado acima delas, e também para os mares, os rios, as cordilheiras e as florestas sob eles, elas se perguntavam de onde tudo isso veio, para onde tudo isso está indo, e o que tudo isso significa. No mundo moderno, grandes cientistas também fazem essas perguntas.

Essa divisão nas visões de mundo dos principais cientistas tem profundas raízes culturais. Ela reflete aquilo que o historiador da civilização Richard Tarnas chamou de as “duas faces” da civilização ocidental. Uma face é a do progresso, a outra a da queda. Continuar a ler

O Lugar da Lógica na Filosofia

Desidério Murcho, no livro “O Lugar da Lógica na Filosofia”, afirma haver “uma incompreensão da natureza da Lógica e do seu lugar na filosofia. Este livro procura clarificar e remover algumas incompreensões frequentes acerca de ambas, as quais dificultam o seu ensino e estudo. Não pretende, contudo, ensinar Lógica — para isso há outros livros bons.”

Um professor competente tem de saber muito mais em relação à ementa obrigatória de ensinar em uma disciplina.

  • Só assim pode responder adequadamente aos desafios levantados pelos estudantes.
  • Só assim tem um domínio seguro das matérias mais simples porque lhes conhece os fundamentos e as ramificações.
  • Só assim tem a autonomia intelectual para escolher as matérias importantes e deixar as acessórias.

“A argumentação é um instrumento sem o qual não podemos compreender melhor o mundo nem intervir nele de modo a alcançar os nossos objetivos”.

Quando argumentamos podemos enganar-nos. Podemos argumentar bem ou mal. É por isso que a Lógica é importante. A Lógica permite-nos fazer o seguinte:

  1. Distinguir os argumentos corretos dos incorretos;
  2. Compreender por que razão uns são corretos e outros não; e
  3. Aprender a argumentar corretamente.

Continuar a ler

Pós-Modernismo na Universidade

Na coletânea de ensaios e entrevistas “A ideologia da Competência” de Marilena Chaui (organizador André Rocha. Belo Horizonte: Autêntica Editora; São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2014. Escritos de Marilena Chaui: 3), a filósofa analisa o pós-modernismo. Ele corresponde a uma forma de vida determinada pela insegurança e violência institucionalizada pelo mercado.

Essa forma de vida possui quatro traços principais:

(1) a insegurança, que leva a aplicar recursos no mercado de futuros e de seguros;

(2) a dispersão, que leva a procurar uma autoridade política forte, com perfil despótico;

(3) o medo, que leva ao reforço de antigas instituições, sobretudo a família, e ao retorno das formas místicas e autoritárias ou fundamentalistas de religião;

(4) o sentimento do efêmero e da destruição da memória objetiva dos espaços, levando ao reforço de suportes subjetivos da memória (diários, biografias, fotografias, objetos).

A peculiaridade pós-moderna, isto é, a paixão pelo efêmero e pelas imagens, depende de uma mudança sofrida no setor da circulação das mercadorias e do consumo. De fato, as novas tecnologias deram origem a um tipo novo de publicidade e marketing no qual não se vendem e compram mercadorias, mas os signos delas, isto é, vendem-se e compram-se imagens que, por serem efêmeras, precisam ser substituídas rapidamente. Dessa maneira, o paradigma do consumo é dado pelo mercado da moda, veloz, efêmero e descartável.

Porque é parte da ideologia neoliberal ou da nova forma da acumulação do capital, o pós-modernismo relega à condição de mitos eurocêntricos totalitários os conceitos que fundaram e orientaram a modernidade:

  1. as ideias de racionalidade, universalidade,
  2. o contraponto entre necessidade e contingência,
  3. os problemas da relação entre subjetividade e objetividade,
  4. a história como dotada de sentido imanente,
  5. a diferença entre natureza e cultura, etc.

Continuar a ler

Ideologia Neoliberal e Universidade

Na coletânea de ensaios e entrevista “A ideologia da Competência” de Marilena Chaui (organizador André Rocha. Belo Horizonte: Autêntica Editora; São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2014. Escritos de Marilena Chaui: 3), a filósofa publica outro ensaio sobre a Universidade.

Chauí chama de neoliberalismoa corrente de pensamento nascida de um grupo de economistas, cientistas políticos e filósofos, entre os quais Popper e Lippman. Em 1947, reuniu-se em Mont Saint Pèlerin, na Suíça, à volta do austríaco Hayek e do norte-americano Milton Friedman. Esse grupo opunha-se encarniçadamente ao surgimento do Estado de Bem-Estar de estilo keynesiano e social-democrata e contra a política norte-americana do New Deal.

Navegando contra a corrente das décadas de 1950 e 1960, esse grupo elaborou um detalhado projeto econômico e político no qual atacava o chamado Estado-Providência com seus encargos sociais e com a função de regulador das atividades do mercado, afirmando esse tipo de Estado destruir a liberdade dos cidadãos e a competição, sem as quais não há prosperidade. Essas ideias permaneceram como letra morta até a crise capitalista do início dos anos 1970, quando o capitalismo conheceu, pela primeira vez, um tipo de situação imprevisível, isto é, baixas taxas de crescimento econômico e altas taxas de inflação: a estagflação.

O grupo de Hayek, Friedman e Popper passou a ser ouvido com respeito porque oferecia a suposta explicação para a crise: esta, diziam eles, fora causada pelo “pelo poder excessivo dos sindicatos e dos movimentos operários. Estes haviam pressionado por aumentos salariais e exigido o aumento dos encargos sociais do Estado. Teriam, dessa maneira, destruído os níveis de lucro requeridos pelas empresas e desencadeado os processos inflacionários incontroláveis. Continuar a ler

Perfil da Universidade

Na coletânea de ensaios e entrevista “A ideologia da Competência” de Marilena Chaui (organizador André Rocha. Belo Horizonte: Autêntica Editora; São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2014. Escritos de Marilena Chaui: 3), a filósofa examina as ideias norteadoras da reforma do ensino, em geral, e da universidade, em particular.

Percebe três delas nunca terem sido abandonadas nos sucessivos remanejamentos educacionais. Foram sempre mantidas aquelas ideias vinculantes da educação à segurança nacional, ao desenvolvimento econômico nacional e à integração nacional, ou seja, os três pilares sustentáculos da ditadura política em termos ideológicos.

Enquanto a ideia de segurança deixa nítida a dimensão política da escola, sendo frequentemente substituída, nos ensinos fundamental e médio, pelas de civismo e brasilidade, enquanto no ensino superior surge como discussão de problemas brasileiros, as outras duas ideias assinalam a dimensão econômica da educação. Assim, a noção de segurança terá um papel ideológico definido, enquanto as de desenvolvimento econômico e de integração determinarão a forma, o conteúdo, a duração, a quantidade e a qualidadede todo o processo educacional, do primeiro grau à universidade.

Se, outrora, a escola foi o lugar privilegiado para a reprodução da estrutura de classes, das relações de poder e da ideologia dominante, e se, na concepção liberal, a escola superior se distinguia das demais por serum bem cultural das elites dirigentes, hoje, com a reforma do ensino, a educação é encarada como adestramento de mão de obra para o mercado.

Concebida com o capital, é um investimento e, portanto, deve gerar lucro social. Donde a ênfase nos cursos profissionalizantes do ensino médio e nas licenciaturas curtas ou longas em ciências, estudos sociais e comunicação e expressão, no caso das universidades.

Além de evidenciar as determinações econômicas da educação, as ideias de desenvolvimento econômico nacional e de integração nacional possuem uma finalidade ideológica, isto é, legitimar perante a sociedade a concepção do ensino e da escola como capital. Continuar a ler