Vote em Dilma por Razões Objetivas

Brasil de Lula a Dilma

As eleições deste ano são decisivas: o Brasil não pode retroceder ao passado do neoliberalismo e do elitismo, representado por uma candidatura de oposição que alardeia ter o mesmo propósito privatizante do governo de FHC, ou atrasar com a outra candidatura. O programa de Marina Silva traduz-se em aumento dos juros, redução dos serviços públicos e do número de servidores públicos, devido ao corte de gastos sociais. A proposta de dar independência ao Banco Central cria um Quarto Poder não eleito: é um golpe tecnocrático! Com isso, fatalmente, os programas sociais, o emprego, o crédito e o salário serão prejudicados. Compare essas propostas oposicionistas com o que já foi realizado na área socioeconômica desde 2003 e o que está em andamento para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros.

Se você gosta de tomar decisão racional, leia os seguintes documentos e vote na Dilma!

DownloadO Brasil de Lula e Dilma – agosto de 2014

VINTE ANOS DE ECONOMIA BRASILEIRA 1994-2014 – VERSÃO AMPLIADA

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Mito V do Debate Econômico Pré-Eleitoral: “Infalibilidade Tecnocrática”

Variação anual do PIB 2009-2013 das 10 Maiores Economias Entre as 10 maiores economias — só tem sentido comparar economias de portes semelhantes não dependentes de desempenho exportador de uma ou de poucas commodities –, o Brasil foi a terceira em taxa de crescimento econômico médio anual desde a explosão da maior crise mundial desde a de 1929, só ficando abaixo da China (8,8% aa) e Índia (6,5% aa). Os BRIC ficaram “fora-da-curva” por causa das dimensões de seus mercados internos, da atuação anticíclica de seus bancos públicos e da não independência de seus Bancos Centrais. Estes não se omitiram na regulação da “exuberância irracional” prévia à crise.

Entretanto, a “autonomia operacional” do Banco Central do Brasil levou à adoção de um stop-and-go que freiou a retomada e a sustentação do crescimento econômico em nome da prioridade absoluta concedida à estabilização conjuntural da taxa de inflação. A tecnocracia autônoma assustou-se em todos os anos de elevação do crescimento do PIB (2004, 2008 e 2010), abortando-o com a elevação da taxa de juros básica Selic e/ou “a macroeconomia prudencial”.

Crescimento anual do PIB 1994-2014De fato, com esse stop-and-go, desde 2005, o BCB manteve a taxa de inflação (IPCA) abaixo do teto do regime de meta inflacionária. São inéditos 10 anos seguidos de controle inflacionário abaixo de 6,5% aa. É totalmente falso o terrorismo econômico pré-eleitoral!

Evolução anual do IPCA 1995-2014 Os defensores da Independência do Banco Central cultivam um “mito fundador” da doutrina novoclássica / neoliberal: a infalibilidade da equipe tecnocrata de plantão em sua diretoria! Justamente pela possibilidade de cometerem equívocos em seu arbítrio da taxa de juros básica que o guru monetarista, Milton Friedman era contra essa “tese”. Preferia que se tornasse uma artigo constitucional a única regra da política monetária: seguir a programação monetária de modo que só validasse o aumento do produto real e não a elevação apenas nominal do PIB.

Infalibilidade é o dogma segundo o qual o papa, para os católicos, e a Igreja, para os não católicos, são infalíveis, não se enganam em questões de fé ou de moral, quando em exercício solene de seus ministérios. Miriam Leitão, na minha entrevista à Globo News, surpreendeu-se quando eu comentei as “barbeiragens” cometidas mesmo durante a autonomia operacional do Banco Central concedida no Governo Lula e no Governo Dilma. Acho que a surpresa maior foi ela se deparar com um simpatizante petista que não considerou dogmático, “tipo tudo que meu governo fez eu aprovo” ou “o que Keynes disse eu concordo”. Pelo contrário, não abro mão de meu pensamento criativo individual e desdenho o parasitismo do suposto “pensamento coletivo ou oficial”.

A liberdade de pensamento e expressão deve ser praticada para ser mantida. No caso, eu citei exemplos de que não há infabilidade tecnocrática, “barbeiragens” foram cometidas pela Diretoria do Banco Central em diferentes governos. Daí o risco da concessão da independência ao Banco Central. Continuar a ler

Sobre Autonomia da Política Monetária

banco central independente - apito para adversário

Metodologicamente, nunca se deve reduzir um fenômeno macrossocial a um monocausal. Pelo vício da nossa formação doutrinária, alguns economistas se especializam em analisar apenas aspectos microeconômicos, outros, macroeconômicos, assim como focalizar apenas os fatores domésticos ou só salientar o contexto internacional.

Acho que o bom analista econômico deve ponderar todos os fatores. Evidentemente, é necessário dimensionar –“ciência é medição”– e analisar cada um deles. Dependendo do setor de atividade, por exemplo, importador ou exportador, um ou outro fator afeta mais.

Um problema é que a mídia — pelo espaço e tempo reduzidos (e de acesso caro), respectivamente, no jornal e na TV — reduz tudo a uma “declaração de princípios”. E o debate público se empobrece, p.ex., face ao debate acadêmico.

Em um debate na Globo News http://globosatplay.globo.com/globonews/v/3655046/ ), tentei explicar para um público maior, provavelmente não acadêmico, o que seria o efeito da adoção de um Banco Central Independente (BCI) através de uma metáfora, pensando no jogo de futebol ocorrido na véspera. Disse: “seria o equivalente a entregar o apito do jogo entre o Flamengo e o São Paulo ao técnico deste time paulistano. Ninguém duvida de sua competência técnica, mas todos os adversários duvidam de sua neutralidade ou imparcialidade. Técnicos não são neutros!

Caso isso ocorresse, ele teria marcado dois pênaltis contra o Mengão: um porque o atacante do São Paulo tropeçou nas próprias pernas, outro em que a bola bateu na mão do zagueiro do time carioca, involuntariamente, dois metros fora da área. Aí o caro leitor/expectador poderia contra-argumentar: “isso de fato ocorreu!” Então, eu acentuaria: “o que prova minha tese de que nenhum técnico, nem o juiz, é neutro!

Em outras palavras, o julgamento por parte de técnicos alocados em um BCI seguiria só determinada doutrina — no caso, de quem deu-lhes mandatos, p.ex., de 8 anos, indo além do próprio mandato do Presidente da República (re)eleito. Para o programa de um governo eleito democraticamente ser o seguido, ele não pode ser contraditado por uma equipe de técnicos oposicionistas. Senão seria como essa arbitragem (elevação da taxa de juros) só beneficiasse os rentistas (“coxinhas do São Paulo” — desculpem-me a ironia) e prejudicasse os trabalhadores (“toda a torcida brasileira do Flamengo”) com desemprego… Continuar a ler

Perspectivas da Economia Brasileira

cropped-olhos-ouvidos-boca.jpgPalestra na XII Semana de Economia da PUC-SP está agendada para o dia 30/09, às 19:40. 
 
A mesa Perspectivas da economia brasileira ocorrerá no auditórios 239 (PUC-SP, “PRÉDIO NOVO” na   Rua Monte Alegre, 984.   Perdizes – São Paulo – SP).
 

Participantes do debate: Fernando Nogueira da Costa (UNICAMP), Marcos Lisboa (INSPER) e Antonio C. Lacerda (PUC-SP).

A apresentação de cada palestrante terá cerca de 30 minutos seguida do debate: Perspectivas da Economia Brasileira – Apresentação na PUC-SP de Fernando Nogueira da Costa 300914.

Efeito do Viés Humano: Redução das Tendenciosidades

FHC sobre Aécio

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, conclui que a história da projeção na economia e em outras áreas sugere que as melhorias tecnológicas podem não ajudar muito se sofrerem o efeito do viés humano, e não há muitos indícios de que os previsores econômicos superaram suas tendenciosidades.

Por exemplo, eles não parecem ter aprendido com a experiência da Grande Recessão. Se analisarmos as projeções de crescimento do PIB feitas pela Survey of Professional Forecasters em novembro de 2011, veremos a mesma tendência ao excesso de confiança de 2007, pois os responsáveis por sua elaboração desconsideram muito mais os cenários de aceleração do que o justificável pela precisão histórica de suas projeções.

Se quisermos reduzir essas tendenciosidades — nunca conseguiremos nos livrar delas por completo —, temos duas alternativas fundamentais:

  • adotar uma abordagem pelo lado da oferta, criando um mercado para previsões econômicas precisas, ou
  • pelo lado da demanda, reduzindo a busca por previsões imprecisas e confiantes demais.

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Erros de Previsão e Vaidade pela Reputação

Previsão de Marina Silva

Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, afirma que, com certeza, havia razões para pessimismo econômico em setembro de 2011, por exemplo, o desenrolar da crise da dívida na Europa, mas economistas midiáticos não as estavam analisando. Na realidade, tinha uma sopa aleatória de variáveis que confundia correlação com causalidade.

Em geral, os economistas têm alguma confiança em seu bom senso quando fazem uma projeção, em vez de apenas aceitar o resultado de um modelo estatístico. Considerando a quantidade de ruídos nos dados, esse comportamento provavelmente é útil.

Ajustes nos métodos de projeção estatística resultaram em previsões aproximadamente 15% mais precisas. A ideia de que um modelo estatístico seria capaz de “resolver” o problema das previsões econômicas esteve em voga nas décadas de 1970 e 1980, quando os computadores começaram a ser usados de modo mais amplo.

Porém, do mesmo modo que aconteceu também em outras áreas, como a projeção de terremotos naquela época, o avanço tecnológico não compensou a falta de compreensão teórica sobre a economia. Só propiciou aos economistas maneiras mais rápidas e sofisticadas de confundir ruído e sinal. Modelos aparentemente promissores falharam e acabaram indo para a lata de lixo. Continuar a ler

Teoria Física do Caos e Teoria Econômica da Complexidade

Previsão

O terceiro grande desafio para os especialistas em projeções econômicas, segundo Nate Silver, no seu livro “O sinal e o ruído”, está no fato de seus dados brutos não serem muito bons. Ele mencionou (leia os outros posts) que é raro esses especialistas fornecerem intervalos de previsão em suas projeções — provavelmente porque isso minaria a confiança do público em relação ao trabalho deles. “Por que as pessoas não revelam intervalos? Por constrangimento”, afirma Hatzius. “Acredito que seja por isso. As pessoas se sentem constrangidas.”

A incerteza, porém, aplica-se não só às projeções econômicas, mas também às variáveis propriamente ditas. As séries de dados econômicos costumam ser submetidas a revisão, processo que pode durar meses ou até anos após a publicação das estatísticas. As revisões às vezes são enormes. Continuar a ler