Mudança na Estrutura do Mercado de Trabalho entre 2003 e 2013

Efeito da Escolaridade na Renda Pessoal

Denise Neumann (Valor, 27/10/14) informa que o aumento da escolaridade dos trabalhadores brasileiros tem sido uma das principais razões para o aumento real de renda da população. O trabalhador com ensino médio recebia, no ano passado, um salário 38% maior que aquele recebido pelos trabalhadores com até 10 anos de estudo, enquanto a remuneração do profissional com curso superior ficava 142% acima daquela recebida pelo trabalhador com até 14 anos de estudo.

Influenciada pela política de correção do salário mínimo, a remuneração média do grupo menos escolarizado tem subido mais. Mas a composição dos ocupados no mercado de trabalho mudou muito nos últimos 10 anos e esse movimento elevou a renda média. Entre 2003 e 2013, a parcela dos trabalhadores com ensino médio passou de 25% para 36% dos ocupados no país, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad). Na mesma comparação, a participação dos profissionais com ensino superior quase dobrou, indo de 7,7% para 13%.  Continuar a ler

12 Trabalhos de Nelson Barbosa

12 Trabalhos de Nelson Barbosa

Denise Neumann (Valor, 30/10/14) informa que, em meados de setembro deste ano, quando o cenário das eleições presidenciais ainda estava muito incerto, o economista Nelson Barbosa, ex-número 2 do Ministério da Fazenda e hoje um dos nomes mais cotados para ser o titular da pasta no segundo mandato de Dilma Rousseff (PT), apresentou um trabalho intitulado “O Desafio Macroeconômico de 2015-2018 – Nelson Barbosa” (click no link), no Fórum de Economia da FGV. O estudo se dedicava ao ajuste cambial e fiscal, principalmente.

Nos campos cambial e monetário, Barbosa resumia o desafio como “controlar a inflação sem depender da apreciação recorrente do real, pois uma taxa de câmbio real estável e competitiva é crucial para a diversificação produtiva da economia e elevação sustentável dos salários reais”. E avaliava que “na situação atual já está claro que as operações do BC foram excessivas” e que hoje “é melhor deixar o câmbio se ajustar às novas condições da economia, internas e externas”.

Na parte fiscal, Barbosa defendeu um superávit primário de 2% a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) a ser alcançado gradualmente e sem aumento da carga tributária. Além do orçamento primário, ele diz que o desafio fiscal do período deve envolver o lado financeiro, justamente pelo custo crescente de carregamento dos créditos do governo junto às instituições financeiras oficiais. A redução desse custo, estimado por ele em 0,6% do PIB, teria o mesmo efeito fiscal de uma elevação do resultado primário, uma vez que ele reduz a velocidade de crescimento da dívida líquida do setor público. Ele listou ainda, no documento apresentado, o que chamou de “Os 12 trabalhos fiscais” a serem cumpridos no próximo mandato (ver quadro acima).

Além de defender uma redução gradual dos aportes aos bancos públicos, Barbosa reforçou, na ocasião, sua avaliação de que é preciso elevar gradualmente a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), praticada pelo BNDES em seus financiamentos. Sua proposta é aumentar a taxa para o ritmo de crescimento esperado para o PIB nominal no quadriênio 2015-2018.

Leia mais:

Programa Econômico para 2015-2018

Diagnóstico e Terapia Macroeconômica

Moeda Nacional Apreciada X Proteção Tarifária

Contribuições Setoriais ao VA das Exportações GVC: Global Value Chains = Cadeias Globais de Valor

Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) demonstra que o Brasil, ao contrário de seus “rivais” no comércio exterior, manteve suas tarifas de importação praticamente inalteradas na última década e dificulta a inserção das empresas instaladas no país nas cadeias globais de produção (GVC).

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Daniel Godinho, refuta as conclusões do Ipea e tenta provar, nesta entrevista concedida a Daniel Rittner (Valor, 28/10/14), que a proteção tarifária no Brasil não é excessiva. Leia os principais trechos: Continuar a ler

Redução de Tarifas Unilateral: Proposta Neoliberal Frente a Parceiros Protecionistas

Importações de partes e componentes por grupo de países 1996-2012

Sergio Leo é jornalista e especialista em relações internacionais pela UnB. É autor do livro “Ascensão e Queda do Império X“, lançado em 2014. Ele se exaspera em sua coluna (Valor, 27/10/14) com o desempenho conjuntural do comércio exterior brasileiro. É necessário fazer uma abordagem estruturalista dessa atividade comercial, contemplando tanto o lado da oferta brasileira quanto o lado da demanda estrangeira, isto é, a elasticidade da demanda aos preços das commodities, além da evolução recente dos termos de troca do Brasil. Reproduzo seu artigo abaixo.

“Apurado o resultado das urnas, não basta acreditar (ou negar) que a política comercial brasileira tenha sido movida por ideologia, ou prejudicada pela crise internacional. Há um consenso no setor privado que algo precisa ser feito. E o que for feito influenciará o esforço urgente do governo para aumentar a taxa de investimento na economia brasileira.

Ainda neste ano, está prevista uma reunião de autoridades do Ministério do Desenvolvimento brasileiro e da Secretaria de Comércio dos Estados Unidos, que já discutem e pretendem acertar medidas para facilitar a entrada de produtos nos dois mercados, com o reconhecimento mútuo de certificados exigidos na importação. A agenda inclui esforços governamentais para ampliar comércio em setores onde a ação do governo possa ter peso. O cenário pós-eleitoral é tema obrigatório dessa reunião. Continuar a ler

Pauta Brasileira de Exportação: Desempenho Após Explosão da Bolha de Commodities

Desempenho da Exportação 2006-2014

Marta Watanabe (Valor, 27/10/14) informa que os dados parciais de comércio exterior de 2014 mostram que a exportação brasileira caminha em sentido oposto ao do movimento internacional. No ano passado, a exportação mundial cresceu 2,2% em relação ao ano anterior. Os embarques brasileiros, porém, caíram 0,16% no período. Neste ano, no acumulado até agosto do ano corrente, a exportação mundial cresce 2,5% em relação a igual período do ano anterior enquanto a brasileira apresenta piora, com recuo de 1,7% na mesma comparação, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Depois da explosão da bolha de commodities em 2011, a comparação com o desempenho de países e blocos regionais importantes no cenário internacional também não favorece o Brasil. De janeiro a agosto, a exportação dos Estados Unidos subiu 3,3% e a dos países da União Europeia, 3,7%, com elevação nos embarques internos ao bloco, embora com redução de 1,2% na venda aos países de fora, entre os quais as importações que faziam dos produtos brasileiros. Os embarques chineses cresceram 3,8%.

Entre os vizinhos mais próximos, o Brasil não ficou sozinho na queda de exportações. Os embarques chilenos recuaram 0,3% enquanto a dos argentinos caíram 10,2%. A redução, porém, não foi a regra se considerar o país vizinho dos EUA, membro do NAFTA (acordo comercial bilateral): a jornalista considera a economia mexicana em muitos aspectos comparável à do Brasil e questiona-o, porque o México teve crescimento de 4% nas exportações!

Para analistas, a pauta brasileira de exportação, dominada por commodities agrícolas e metálicas, explica parte do descompasso dos embarques brasileiros com os do mundo. O recuo dos valores de negociação das commodities se reflete nos preços de produtos básicos e semimanufaturados. As duas classes de produtos representam pouco mais de 60% do valor total exportado. Continuar a ler

Abordagem Estruturalista do Grau de Abertura Comercial

Índice de Corrente Comercial 2009-2013

Rodrigo Zeidan é professor de Economia e Finanças da Fundação Dom Cabral e da Nottingham University Business School China. Publicou artigo (Valor, 21/10/14) para afirmar que “o Brasil é o país mais fechado do mundo para o comércio internacional. Isso é um fato, não é uma opinião”.

Os dados do Banco Mundial que ele usa para demostrar isso é que, se tomarmos a média dos últimos cinco anos (período de Grande Depressão Mundial), o índice de corrente de comércio do Brasil é o mais baixo entre 178 países. O índice é a relação entre a soma das importações e exportações e o PIB de cada país. Ele mede a importância do comércio internacional em relação à capacidade de geração de renda de um país.

Para a média do período de 2009 a 2013, o índice ficou em 25% para o Brasil, menor que os 31% da Argentina, 37% de Cuba e os 62% do México, dentro da divisão de trabalho do NAFTA, isto é, integrado na cadeia produtiva norte-americana que explora sua mão-de-obra mais barata em montadoras próximas da fronteira com os EUA.

Zeidan não dimensiona o mercado interno de cada país: em número de consumidores, o do Brasil é o quinto maior do mundo. Aliás, essa é a mesma razão pela qual os índices dos EUA e Japão são baixos, cerca de 29%. Continuar a ler

Crescimento da Desigualdade de Riqueza nos Estados Unidos… E Em Todos os Lugares Desde a Era Neoliberal!

Concentração Patrimonial nos EUA

Com este post, inauguro nova Categoria (coluna à direita) neste modesto blog — Renda e Riqueza — e nova Etiqueta (ver “nuvem” abaixo) — Desigualdade. Reclassificarei todos os posts a respeito desse tema caro à esquerda igualitária, inclusive as diversas resenhas do livro de Thomas Piketty. A desigualdade entre riquezas vem se constituindo uma linha de pesquisa, ou melhor, de interesse meu muito antes da publicação do best-seller “O Capital do Século XXI“, cuja tradução brasileira será lançada no próximo sábado, dia 1 de novembro de 2014. Eu achava que o debate no Brasil confundia desigualdade de renda do trabalho e desigualdade de riqueza; aquela diminuía, esta não, nem aqui, nem em nenhum outro país.

Sergio Lamucci (Valor, 27/10/14) informa que a desigualdade de riqueza cresceu com força nos Estados Unidos nas últimas décadas. A fatia do patrimônio do país nas mãos do 0,1% das famílias mais ricas subiu de 7%, no fim dos anos 1970, para 22% em 2012, segundo estudo dos economistas Emmanuel Saez e Gabriel Zucman.

Nesse período, a desigualdade econômica nos EUA não cresceu apenas por causa da alta do rendimento do trabalho dos mais ricos, mas também devido ao aumento explosivo da concentração de riqueza, definida no estudo como o total de ativos (imóveis, ações, poupança para aposentadoria e contas bancárias) menos dívidas.

No 0,1% mais rico, estão 160 mil famílias com patrimônio líquido de US$ 20 milhões ou mais. Em 2012, elas detinham uma fatia da riqueza um pouco menor do que a registrada no fim dos anos 1920, a época marcada pelas fortunas herdadas dos chamados “barões ladrões”, como ficaram conhecidos alguns dos grandes empresários americanos das últimas décadas do século XIX. Continuar a ler