Santo do Pau-Oco, o santo ambientalista

saofranciscoConvivo há muitos anos com meus colegas professores universitários, tempo suficiente para saber como podem ser agressivos com suas palavras, não medindo consequências em atingir a honra alheia, desde que alguém contrarie sua ideologia e/ou plano pessoal na política. Pior, escrevem pseudociência quando estão fazendo apenas panfletagem em seus artigos. Para conferir, basta ler os colunistas de linha ideológica liberal que têm espaço permanente para dar sua “Opinião” nas páginas do jornal Valor, isto sem considerar outros jornais e revistas que não leio. Eles escrevem barbaridades e não recebem nenhum contraponto de colunistas de ideologia distinta!

Em ano eleitoral, quando tomam partido a favor de determinado candidato — e não revelam ao leitor –, fazem apenas campanha negativista contra o governo. No caso atual, a “bola-da-vez” é o Governo da Dilma. Acentuam apenas o que consideram “um absurdo” e omitem quaisquer aspectos positivos. Quem dar fé a esses panfletos camuflados de artigos, corre o risco de tomar decisões políticas e econômicas equivocadas, pois não estará enxergando todos os aspectos da realidade.

Veja o tom desrespeitoso adotado por José Eli da Veiga, professor sênior do Instituto de Energia e Ambiente da USP. Ele não anuncia que apoia os planos pessoais da dupla Marina-Campos. Eles ainda não anunciaram até agora sequer uma diretriz concreta de governo. O professor poderia apresentar isso, em vez de emprestar sua reputação para panfletar contra a Dilma. Assim, talvez se candidate a Ministro do Meio-Ambiente, cargo certamente almejado por muitos da “Rede”. Obvio, isso acontecerá apenas caso consigam enganar a maioria dos eleitores.

Ele intitula seu panfleto (Valor, 25/03/14) de “A pior traição de Dilma”! Que desrespeito tratá-la como “traidora”! Não só pelo respeito cívico devido à Presidência da República, como também pela história pessoal da ex-combatente na luta pela conquista da democracia no País na época da ditadura! Compara isso a sua carreira acadêmica? Seria mais honesto, intelectualmente falando, Veiga discorrer sobre as diferenças entre as estratégias social-desenvolvimentista (pela qual a Dilma foi eleita) e a pentecostal-ambientalista (pela qual a Marina foi derrotada). Traição seria caso a Dilma adotasse a causa de sua adversária!

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Queda da Taxa de Desocupação, Seja Pela PME, Seja Pela PNAD Contínua

Evolução da Taxa de Desocupação

Aprendi, entre outras coisas, nos sete anos que trabalhei no IBGE (1978-1985), que “estatística é uma aproximação da realidade, não é A Verdade”. Aceitar que cada estatística é apenas um indicador de certo aspecto do mundo real, mas que não mede, absolutamente, O Todo, é um primeiro passo para se saber bem utilizar as estatísticas. No caso da falsa polêmica entre as diferenças entre as taxas de desocupação nas seis principais metrópoles (PME) e em amostra representativa de todo o território nacional (PNAD contínua), boa parte é má fé com intuito de uso eleitoreiro, pequena parte é, de fato, ignorância

Diogo Martins e Francine De Lorenzo (Valor, 11/04/14) informam que o IBGE divulgou os resultados da Pnad Contínua referentes aos últimos dois trimestres de 2013. No quarto trimestre, a taxa de desocupação recuou de 6,9% para 6,2%. No último trimestre de 2012, o indicador estava em 6,9%. “Trata-se de uma variação bastante significativa, pois o universo da Pnad Contínua é grande e abarca todas as regiões do país. A taxa de desocupação caiu em todas as regiões. Isso é significativo“, disse o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Com o resultado, a desocupação média em 2013 foi de 7,1%, queda de 0,3 ponto percentual ao apurado pela pesquisa no ano anterior. O resultado foi 1,7 ponto acima do desemprego médio verificado no ano passado na Pesquisa Mensal de Emprego (PME, também do IBGE).

Não se deve comparar os dados de PME e Pnad Contínua. São pesquisas com metodologias diferentes, amostras e universos completamente diferentes“, afirmou Azeredo.

Enquanto a Pnad Contínua visita 211.344 domicílios, distribuídos entre as cinco grandes regiões do país, em 3.500 municípios, a PME abrange apenas as seis maiores regiões metropolitanas do país – São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre. Continuar a ler

Inflação de Preços Administrados em 2015: Alarmismo de Economistas Parciais

 

Preços Administrados X Livres

Economistas com claros vieses políticos, em ano eleitoral, fazem projeções alarmistas. Fantasiam com áurea de ciência o que é mera proposição normativa subjetiva sobre “o que  deveria ser”. Afinal, se há defasagem de preços, ela ocorre em relação a que data? Qual é o “equilíbrio” de preços relativos de referência? Favorável a quem? A quem interessa a correção de preços? Ela seria somente favorável aos acionistas doadores de campanha? Se quem anuncia e se dispõe a adotar “medidas impopulares” é o candidato das elites (Aécio), que tem, em média, apenas 15% das intenções de votos, esse seu programa de deixar O Mercado livre na fixação dos preços será anunciado, claramente, na campanha eleitoral? Cometerá o sincericídio?!

Denise Neumann e Claudia Safatle (Valor, 25/04/14)  informa que os cenários traçados para a inflação de preços administrados em 2015 embutem uma recomposição parcial das tarifas de serviços como energia elétrica e ônibus urbano e do preço dos combustíveis, apesar da recente aceleração dos Índices Gerais de Preços (IGPs) e do aumento dos custos nesses segmentos. Na média, as projeções para preços administrados variam entre 4,5% e 5% para este ano e entre 5% e 5,7% para 2015, com um cenário mais radical onde a alta poderia chegar a 7%. Apesar das defasagens acumuladas, uma recomposição integral das diferenças não está no cenário de nenhum analista. Continuar a ler

Estimativa Neoclássica da Função de Produção para Cálculo do PIB Potencial do Brasil

Capacidade Produtiva

A taxa de investimento aquém do necessário e a baixa produtividade continuam impondo dificuldades a um crescimento mais forte e sustentável da economia brasileira, mas um terceiro fator de restrição ao Produto Interno Bruto (PIB) potencial do país ganhou importância em 2013. Para um grupo de economistas, o indicador – que, na teoria, mede o quanto a atividade pode crescer sem pressionar a inflação – perdeu força no ano passado, bastante influenciado pela saída de pessoas do mercado de trabalho. Hoje, segundo os analistas ouvidos, o PIB potencial do Brasil estaria entre 2% e 3,5%.

Embora o produto potencial de uma economia, que mede a expansão da capacidade produtiva do país, seja uma variável de estimação imprecisa – ou, no jargão dos economistas, “não observável” – seu cálculo, geralmente, é feito com base na evolução de três componentes [estimativa neoclássica da função de produção]:

  1. estoque de capital,
  2. Produtividade Total dos Fatores (PTF), e
  3. oferta de mão de obra.

Este último item já vinha sendo apontado como mais um entre os vários gargalos de oferta no período recente devido à redução da taxa de desemprego. A saída de pessoas aptas a trabalhar da População Economicamente Ativa (PEA), no entanto, acentuou a influência negativa do contingente de mão de obra sobre o PIB potencial.

[FNC: Em outras palavras, o que é extremamente positivo para a economia brasileira em médio prazo, é lamentado por O Mercado míope em curto prazo: o aumento do nível de escolaridade dos jovens brasileiros e o bônus demográfico. Os economistas neoclássicos estão com saudade do desemprego que barateia a mão-de-obra... snif, snif...] Continuar a ler

Fatores Externos e/ou Internos São Determinantes do Crescimento do PIB Brasileiro?

Crescimento do PIB da China 2003-2013PIB Brasil X Mundo

Bráulio Borges é economista-chefe da LCA Consultores. Escreveu artigo (FSP, 11/04/14) avaliando o crescimento econômico brasileiro de maneira comparada com o crescimento mundial, dado mais recentemente pelo crescimento chinês. Reproduzo-o abaixo, seguido da crítica de Samuel Pessoa, conselheiro do Aécio, que deseja culpabilizar a adversária, Dilma Rousseff, afirmando que, dentre três fatores (crise mundial-pleno emprego-política econômica), “a alteração do regime de política economia a partir de 2009 é responsável por um terço ou pouco mais da perda de dinamismo de nossa economia”. A dedução é que essa política econômica que resultou aqui em pleno emprego, em época de forte desemprego nos países desenvolvidos, é lamentada pelos neoliberais… Continuar a ler

Ex-Presidente do Palmeiras informa: Sai Poupança, Entra Funding ou Aplicação Financeira

 

Traffic confirma que não venderá jogadores do PalmeirasMeu caro professor, Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1985-86), é professor titular aposentado do Instituto de Economia da Unicamp e, em 2001, foi incluído entre os 100 maiores economistas heterodoxos do século XX no Biographical Dictionary of Dissenting Economists. Com todo o didatismo, explica em artigo (Valor, 01/04/14) a relação vista por Keynes entre Investimento e Poupança.

Eu, herético radical, tirei do meu vocabulário econômico essa palavrinha-mágica: “poupança“. Joguei-a no lixo da história do pensamento econômico! Acho-a dispensável, pois pode perfeitamente ser substituída por conceitos como funding (composição passiva de bancos) e/ou aplicação financeira (decisão de portfólio de investidores pessoais) em um processo dinâmico de interação entre o multiplicador de renda e o multiplicador monetário. Sugiro fazer na leitura do artigo abaixo um exercício de ERRATA: onde se lê “poupança“, substituir por “aplicação financeira“. Confira se não faz sentido…

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A Ética do Capitalismo e o Espírito do Protestantismo: Desmitificação da Poupança

ateismo-matematico

Dado o declínio religioso na Europa, onde o ateísmo tende a superar o cristianismo, seja o protestantismo no norte europeu, seja o catolicismo no sul-mediterrâneo, Niall Ferguson (Civilização; 2012: 316) lança as seguintes perguntas:

  1. Será que, como próprio Max Weber havia previsto, o espírito do capitalismo estava fadado a destruir sua origem ética protestante, assim como o materialismo corrompeu o ascetismo original dos devotos?
  2. O que no desenvolvimento econômico foi hostil à fé religiosa?
  3. Foi a transformação do papel da mulher e a degradação da estrutura familiar, que também parece explicar a diminuição do tamanho das famílias e o declínio demográfico do Ocidente, a explicação para a descrença?
  4. Ou foi o conhecimento científico – a “desmitificação do mundo”, especialmente, pela Teoria da Evolução de Darwin – que falseou a história bíblica da criação divina?
  5. Foi a melhoria na expectativa de vida que tornou a vida após a morte um destino mais distante e menos alarmante?
  6. Foi o Estado de Bem-Estar Social, “um pastor secular”, cuidando da população do berço ao túmulo?
  7. Ou será que o cristianismo europeu foi morto pela auto-obsessão crônica da cultura moderna?

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