Queda da Taxa de Desocupação, Seja Pela PME, Seja Pela PNAD Contínua

Evolução da Taxa de Desocupação

Aprendi, entre outras coisas, nos sete anos que trabalhei no IBGE (1978-1985), que “estatística é uma aproximação da realidade, não é A Verdade”. Aceitar que cada estatística é apenas um indicador de certo aspecto do mundo real, mas que não mede, absolutamente, O Todo, é um primeiro passo para se saber bem utilizar as estatísticas. No caso da falsa polêmica entre as diferenças entre as taxas de desocupação nas seis principais metrópoles (PME) e em amostra representativa de todo o território nacional (PNAD contínua), boa parte é má fé com intuito de uso eleitoreiro, pequena parte é, de fato, ignorância

Diogo Martins e Francine De Lorenzo (Valor, 11/04/14) informam que o IBGE divulgou os resultados da Pnad Contínua referentes aos últimos dois trimestres de 2013. No quarto trimestre, a taxa de desocupação recuou de 6,9% para 6,2%. No último trimestre de 2012, o indicador estava em 6,9%. “Trata-se de uma variação bastante significativa, pois o universo da Pnad Contínua é grande e abarca todas as regiões do país. A taxa de desocupação caiu em todas as regiões. Isso é significativo“, disse o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Com o resultado, a desocupação média em 2013 foi de 7,1%, queda de 0,3 ponto percentual ao apurado pela pesquisa no ano anterior. O resultado foi 1,7 ponto acima do desemprego médio verificado no ano passado na Pesquisa Mensal de Emprego (PME, também do IBGE).

Não se deve comparar os dados de PME e Pnad Contínua. São pesquisas com metodologias diferentes, amostras e universos completamente diferentes“, afirmou Azeredo.

Enquanto a Pnad Contínua visita 211.344 domicílios, distribuídos entre as cinco grandes regiões do país, em 3.500 municípios, a PME abrange apenas as seis maiores regiões metropolitanas do país – São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre. Continuar a ler

Inflação de Preços Administrados em 2015: Alarmismo de Economistas Parciais

 

Preços Administrados X Livres

Economistas com claros vieses políticos, em ano eleitoral, fazem projeções alarmistas. Fantasiam com áurea de ciência o que é mera proposição normativa subjetiva sobre “o que  deveria ser”. Afinal, se há defasagem de preços, ela ocorre em relação a que data? Qual é o “equilíbrio” de preços relativos de referência? Favorável a quem? A quem interessa a correção de preços? Ela seria somente favorável aos acionistas doadores de campanha? Se quem anuncia e se dispõe a adotar “medidas impopulares” é o candidato das elites (Aécio), que tem, em média, apenas 15% das intenções de votos, esse seu programa de deixar O Mercado livre na fixação dos preços será anunciado, claramente, na campanha eleitoral? Cometerá o sincericídio?!

Denise Neumann e Claudia Safatle (Valor, 25/04/14)  informa que os cenários traçados para a inflação de preços administrados em 2015 embutem uma recomposição parcial das tarifas de serviços como energia elétrica e ônibus urbano e do preço dos combustíveis, apesar da recente aceleração dos Índices Gerais de Preços (IGPs) e do aumento dos custos nesses segmentos. Na média, as projeções para preços administrados variam entre 4,5% e 5% para este ano e entre 5% e 5,7% para 2015, com um cenário mais radical onde a alta poderia chegar a 7%. Apesar das defasagens acumuladas, uma recomposição integral das diferenças não está no cenário de nenhum analista. Continuar a ler

Pacto Social Pela Saúde (por Dráuzio Varella)

saude

O custo da saúde está pela hora da morte. O preço dos medicamentos recém-descobertos e das novas tecnologias deixa para trás os valores da inflação.

Repassar integralmente esses custos para o SUS ou para os usuários dos planos de saúde é inviável. Sem repassá-los, no entanto, o sistema corre risco de desabar, dilema que só não aflige os países que negam a seus habitantes o acesso à saúde pública.

Aqui, como na Europa, Japão e Estados Unidos, a reorganização da assistência médica tem papel central nas reivindicações populares e na agenda dos governantes.

O Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que teve a ousadia de declarar a saúde como direito do cidadão e dever do Estado. Pena terem os constituintes de 1988 esquecido de mencionar de onde viriam os recursos para tal generosidade.

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CADE contra Cartel do Cimento

CADE contra Cartel do Cimento

Como se construiu um ambiente mais competitivo na economia norte-americana? Para enfrentar a “era do capitalismo-bandido dos barões-ladrões”, tipificada por trustees e carteis, a Sociedade Civil e a Sociedade Política dos EUA tiveram de se organizar e lutar. Entre 1898 e 1902, ocorreu a primeira onda de fusões de empresas do mundo chamada de “Era dos Barões Ladrões” devido à forte ação monopolística. Isto provocou o crash financeiro de 1904 após o qual veio um forte movimento regulador com legislação antitruste e quebra dos monopólios (Standard Oil, DuPont etc.). A toda poderosa Standard Oil, que dominava as áreas de refino e distribuição de combustível, no mercado mundial, foi dividida em 34 empresas. Em 1907, Andrew Carnegie e John D. Rockefeller II (magnatas do aço e do petróleo), com seus negócios afetados, foram procurar novos investimentos.

Juliano Basile (Valor, 02/04/14) informa que as punições às empresas envolvidas no caso conhecido como “cartel do cimento” podem ultrapassar os R$ 3,1 bilhões em multas propostas pela maioria dos integrantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pois o Ministério Público Federal está entrando com ações de reparação e apenas numa delas, que foi proposta no Rio Grande do Norte, pede pena de R$ 5,6 bilhões. Somados os valores das multas do Cade com o da ação do MPF resultam em R$ 8,7 bilhões.

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Propostas Para o Brasil: lançamento do livro “Políticas Sociais, Desenvolvimento e Cidadania”

Plataforma Política SocialA Fundação Perseu Abramo lançou a publicação “Políticas Sociais, Desenvolvimento e Cidadania”, organizada pelos professores Ana Fonseca e Eduardo Fagnani, membros da Plataforma Política Social. Em dois volumes a obra apresenta 22 artigos escritos por 40 professores e pesquisadores.

Baixe as versões em PDF dos dois livros:

o primeiro: http://goo.gl/AiuuJy e

o segundo: http://goo.gl/9yxaZG

Candidatura Confessional Contra o Estado Laico

Secular State mapLegendas de Estados Laicos e Confessionais

César Felício (Valor, 31/03/14) avalia que a candidatura presidencial do pastor Everaldo Pereira (PSC) tem potencial para atingir até 10% dos votos, expressando a avaliação de cientistas políticos dedicados ao mercado eleitoral. Pastor da Assembleia de Deus, a maior denominação pentecostal do país, Everaldo está com 3% de intenção de voto na última pesquisa Ibope, e poderá se tornar o primeiro candidato a presidente na história do Brasil a usar a religião como sua principal bandeira. Demais candidatos da oposição ficaram felizes com esse lançamento de candidatura por causa da esperança de levar a eleição para o segundo turno.

“Ele tem um teto de 8% a 10%, caso faça uma campanha muito eficaz e não seja alvo de denúncias“, disse o cientista político Antonio Lavareda, da MCI. Lavareda estimou o potencial com base no histórico das eleições de 2002 e 2010. Na primeira, o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, disputou a presidência pelo PSB e teve 18% dos votos. Na segunda, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva concorreu pelo PV e conseguiu 19%. Ambos são evangélicos, mas não fizeram dessa condição o elemento central de suas campanhas.

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Entrevista Encomendada Para Especulação de O Mercado

Entrevista encomendada

247 - A pesquisa Datafolha que será divulgada neste fim de semana deve apontar queda da presidente Dilma Rousseff e alta dos oposicionistas Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB. O motivo para isso é a própria estrutura do questionário preparado pelo Datafolha, que foi obtido pelo 247. Continuar a ler

Tropicalização Antropofágica Miscigenada dos Modos de Vida

Domenico De Masi

Oscar Pilagallo é jornalista e autor de “História da Imprensa Paulista” (Três Estrelas) e “A Aventura do Dinheiro” (Publifolha). Reproduzo abaixo mais uma boa resenha de livro publicada por ele (Valor, 25/03/14). A mistura que faz Domenico de Masi lembra a do meu Manifesto da Tropicalização Antropofágica Miscigenada! :)

“Já a partir do título, “O Futuro Chegou“, do sociólogo italiano Domenico de Masi, remete ao Brasil. A referência óbvia é o livro “Brasil, um País do Futuro“, do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942), que deu origem à disseminada ideia de que vivemos em uma nação que adia indefinidamente o aproveitamento de seu imenso potencial.

Para De Masi, não apenas essa percepção é distorcida, como o modelo brasileiro deveria ser paradigmático para a sociedade pós-industrial, que oscila entre a incerteza e o pânico.

A ênfase no Brasil é diluída por outros modelos propostos pelo autor, conhecido por advogar o ócio criativo como resposta à crise estrutural do desemprego. Ele apresenta 15 alternativas que serviriam de bússola para a “sociedade desorientada” do subtítulo.

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Até Que Um Dia, Agência de Avaliação de Risco decreta: Imposição de Ortodoxia e Proibição de Keynesianismo!

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O Mercado — e o deslumbrado jornalismo econômico brasileiro calcado em fontes oficiais empresariais — ficou reincidentemente feliz com a decisão da agência Standard & Poor’s, que rebaixou o rating do Brasil, da Petrobras e da Eletrobras, e dos bancos públicos federais. Idem para a oposição, cujo único objetivo é derrubar o PT da Presidência da República, mas sem oferecer nenhum programa governamental melhor para a sociedade brasileira.

Nenhum deles — O Mercado, A “Grande” Imprensa, a pequena oposição — deixou de gozar com mais essa tentativa de impor um pensamento econômico único a todos os países e em todos os tempos, inclusive em tempo de crise. A imposição é de austeridade para demonstrar capacidade de pagamento da dívida pública e corte de gastos públicos (sociais e em infraestrutura) para compensar a queda da demanda efetiva privada.

Acontece que as Finanças Públicas brasileiras estão sob controle e muito melhores do que países que têm melhor rating dessas agências. Agora, o Brasil está na companhia de países tão diversos como Islândia, Filipinas e Uruguai, cujo potencial econômico é estruturalmente inferior. As agências continuam a errar com seus preconceitos ortodoxos, assim como errou, vergonhosamente, em avaliar com AAA bancos que quebraram na crise de 2008! Que credibilidade restou a elas? Aquela oportunista dos especuladores que compram na baixa artificialmente provocada para vender na alta determinada por avaliação posterior mais sensata dos fundamentos da economia.

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Golpistas

Indicadores Econômicos e Sociais 1960-2010Indicadores Econômicos e Sociais 1960-2013FHC-Lula-Dilma

Antonio Delfim Netto é economista e professor-emérito da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), onde formou-se, em 1951. Foi secretário de Finanças de São Paulo, ministro da Fazenda, ministro da Agricultura,  ministro-chefe da Secretaria de Planejamento da Presidência da República e embaixador do Brasil na França. Foi “o homem-forte” da tecnocracia do regime militar ditatorial (exceto durante o Governo Geisel), que vigorou durante vinte e um anos no País (1964-1984). Participou da elaboração da Constituição de 1988 como deputado de um partido conservador.

Apesar desse passado tenebroso, o economista-decano tem ainda influência na formação da opinião pública, além do respeito devido na opinião especializada. Lembram-no como “o milagreiro” e não como o arquiteto do arrocho salarial e/ou da concentração de renda, o manipulador de índices de inflação, ou o detonador do regime de alta inflação no País com duas maxidesvalorizações cambiais. Assim, quando ele afirma algo como a declaração abaixo (Valor, 18/03/14), é o caso de “parar para pensar a respeito de sua credibilidade“…

“É um pouco ridícula a disputa quase infantil que estamos assistindo sobre quem foi “melhor”: os oito anos de FHC, os oito de Lula ou os três de Dilma. Cada um teve seus méritos e sua herança. O primeiro estabilizou, os segundos distribuíram. Do ponto de vista dos resultados objetivos, e não da propaganda, nivelam-se, com o crescimento no governo Dilma ficando, na margem, cada vez mais parecido com o de FHC. A tabela acima revela esse fato. É por isso que para os recíprocos e calorosos autoelogios, tanto no PSDB quanto no PT, é preciso recomendar como fazia o professor Raimundo na sua célebre escolinha: “Menos, Batista, menos…”.

No entanto, ele também deveria refletir ao emitir sua opinião: será que o eleitor observa o passado, o presente ou a perspectiva do futuro quando deposita seu voto na urna? Mesmo que avalie as três dimensões, parece-me que o bem-estar social presente — refletido nos indicadores sociais de baixo desemprego, garantia da renda-mínima (inclusive aumento real do salário mínimo), aumento da escolaridade por matrículas no Pronatec (escolas técnicas), ProUni/Fies (nas Universidades Particulares) e nas Universidades Federais, Programa Mais Médicos na área da saúde pública, Programa Minha Casa Minha Vida no financiamento da aquisição da própria moradia, etc. –, não aparece na sua tabela restrita a indicadores econômicos acima, aliás, como é comum na reflexão de economista ortodoxo.

Isto sem falar nas perspectivas futuras com a maturação do investimento na infraestrutura (energética: Belo Monte e Pré-Sal) e em logística (estradas, hidrovias, portos e aeroportos): a economia brasileira se tornará grande exportadora de petróleo e commodities minerais e agrícolas. O Fundo Social de Riqueza Soberana (FSRS) propiciará grandes investimentos em Educação e Saúde, Ciência e Tecnologia. A qualidade de vida de seu povo melhorará ainda mais!

Esse cenário socioeconômico otimista ocorrerá se o Governo Social-Desenvolvimentista não for derrotado e não houver regressão sociopolítica e econômica. A ignorância dos saudosos do regime militar — aqueles fieis leitores da Veja e de outros golpistas, que consideram a si próprios os únicos “fixas (sic) limpas” —  terá de ser derrotada nas urnas mais uma vez! E eles terão de respeitar a Democracia!

Leia abaixo e mais emFSP – O Golpe e A Ditadura Militar

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Efemérides

GOLPE MILITAR DE 1964 NO BRASIL- RESUMO_

A efeméride é a comemoração de um fato importante ou grato ocorrido em determinada data. Já efemérides, isto é, o substantivo feminino plural, refere-se a uma obra que registra fatos ocorridos no mesmo dia do ano em diferentes anos ou que enumera os acontecimentos sujeitos a cálculo e a previsão durante o ano.

Número cabalístico é relativo à cabala, que tem significado oculto, secreto ou misterioso. É enigmático ou incompreensível porque fatos notáveis acontecem em anos com final 4. Por exemplo, em 2014, alguns estão comemorando o aniversário de 50 anos do Golpe Militar de 1964, outros aproveitam a data para relembrar as perdas pessoais causadas pela ditadura. Não haverá mais nenhum depoimento pessoal quando se atingir um século desde o golpe. As novas gerações estarão indiferentes a essa triste história.

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Crematórios: “Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos”

Processo de Cremação

Quando eu morrer me enterre na Lapinha, 
Quando eu morrer me enterre na Lapinha 
Calça, culote, paletó almofadinha 
Calça, culote, paletó almofadinha 

Imagine… Enterrar está muito caro!

João Alberto Pedrinide (FSP, 16/03/14) fez uma prestação de serviços muito útil para todos nós — porque nossa hora chegará… O número de crematórios mais que dobrou em cinco anos e eles se espalharam pelo país, segundo o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares. Apesar de não ter como associadas todas as empresas brasileiras do gênero, a entidade estima que existam hoje cerca de 70 empresas do ramo no Brasil.

O presidente do sindicato, José Elias Flores Júnior, atribui esse crescimento à mudança de atitude das pessoas, que aos poucos “assimilam melhor” o ato de cremar.

Proprietários e gerentes de crematórios dizem também que um dos fatores para o crescimento é o preço. A cremação hoje chega a custar a partir de R$ 2.800 — enquanto alguns jazigos são encontrados por até R$ 18 mil, como no Parque da Colina, em Niterói (RJ).

A cremação custa por volta de R$ 3.000. Em 2005, quando a empresa iniciou o serviço, eram feitas cerca de 15 por mês. Hoje, são 40.

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