Candidato do PT para “Emprego dos Sonhos”: Nelson Barbosa

nelson-barbosa-fazenda-20110222-size-598

Cláudia Safatle (Valor, 14/11/14) informa que o candidato do PT para o Ministério da Fazenda é Nelson Barbosa, segundo um alto dirigente do partido. O nome do ex-secretário-executivo da Fazenda é, para o PT, o mais adequado aos compromissos assumidos durante o segundo turno das eleições, de fazer um ajuste na economia que não gere maior desemprego nem queda da renda. “Não há veto, mas preferência”, explicou a fonte mantida em off como é praxe na “grande” imprensa brasileira. O leitor nunca sabe se é verdade ou mentira interesseira…

A prioridade será recuperar a capacidade de o país crescer a partir de 2016. Isto porque 2015 não será um ano fácil e a expectativa de expansão é ligeiramente melhor do que o quadro de estagnação de hoje.

Independentemente do nome que Dilma anunciar, a opção pautada por O Mercado será pelo gradualismo no ajuste fiscal, necessário para recolocar a trajetória da dívida pública, hoje crescente em relação ao PIB, rumo à estabilidade. Reconhece que a economia está frágil para um choque fiscal de grande monta. Continuar a ler

Abordagens do Déficit Externo: Diagnósticos e Terapias Distintos

Déficit em Transações Correntes BR X Outros Países

Sérgio Lamucci (Valor, 10/11/14) informa que o déficit em conta corrente brasileiro segue na casa de 3,5% a 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado em 12 meses desde a segunda metade de 2013, mesmo com a estagnação da economia e o câmbio mais desvalorizado. É um número melhor do que os da Turquia e da África do Sul, que têm rombos externos superiores a 5,5% do PIB, mas piores do que os de Índia e Indonésia, países que estão com déficits mais baixos. A Índia, em especial, fez um ajuste impressionante, saindo de um déficit externo superior a 5% do PIB na metade do ano passado para um déficit 1,1% do PIB em meados deste ano.

A expectativa de vários analistas é que haverá alguma redução do déficit brasileiro em 2015, especialmente devido à nova rodada de depreciação do real. No entanto, a queda dos preços de commodities, com grande peso na pauta de exportação do país, pode atrapalhar essa tendência. O balanço de transações correntes mostra as transações de bens, serviços e rendas do país com o exterior. Continuar a ler

Cobertor Curto e Conflito Distributivo

Marcos Nobre

Marcos Nobre é professor do Departamento de Filosofia da UNICAMP e pesquisador do CEBRAP e do CNPq. Graduou-se em Ciências Sociais pela USP, onde obteve também o grau de mestre e o título de doutor em Filosofia. Realizou seu pós-doutorado na Universidade Johann Wolfgang Goethe, de Frankfurt, Alemanha. Assisti sua palestra na CPFL Cultura, em Campinas, no dia 14 de novembro de 2014.

Fui atraído por sua reputação e pela temática apresentada no folder de divulgação. “Nenhuma campanha recente foi parecida com a que vivemos em 2014. O que parece inédito não foram os temas e abordagens dos candidatos, mas a postura de grande parte dos eleitores e da sociedade: radicalismo, polarização, agressividade, fanatismo. Expressões desses sentimentos foram o medo do futuro, a insegurança no presente, a dificuldade de aceitar novos comportamentos no campo da sexualidade e dos costumes, a maior demanda por extensão e melhoria da qualidade de serviços públicos, a falta de confiança nos partidos políticos e sindicatos, os conflitos abertos nas ruas e nas redes sociais. A polarização PT e PSDB no campo da política é insuficiente para explicar o antagonismo que se estabeleceu na sociedade. Vivemos uma espécie de Fla X Flu em que a paixão pelos times de futebol deu espaço a visões de mundo excludentes, em que se nega ou se tenta reduzir ao mínimo o espaço para o diferente, agora não mais o meu adversário e sim meu inimigo – um adversário que, como no jogo, precisa ser eliminado.”

A pergunta-chave lançada ao debate foi: o que, afinal, aconteceu em junho de 2013? “É muito comum ouvir que junho de 2013 ‘não deu em nada’, especialmente em um ano de eleições. É comum ouvir que a fatura das manifestações de 2013 não chegou a 2014. Afinal, os alvos dos protestos de ontem foram reeleitos hoje, com algumas exceções. O que aconteceu com as bandeiras como a desmilitarização da polícia ou a tarifa zero para transporte público? Os candidatos anunciaram (ou demitiram) seus ministros da fazenda, mas nada acenaram para os movimentos sociais. Isso tem que ver com a alta abstenção observada no primeiro turno? De que maneira o fosso entre representantes e representados se alargou? Junho de 2013 vai continuar produzindo uma infinidade de questões como essas. As respostas a elas são sempre provisórias, mas podem e devem ser procuradas.” Continuar a ler

Rotatividade no Mercado de Trabalho e Seguro-Desemprego

Rotatividade no mercado de trabalho 2013-2014

Lucas Marchesini (Valor, 27/10/14) informa que, mesmo com a baixa taxa de desemprego no país, a rotatividade do mercado de trabalho está estagnada em patamar acima dos 60% há pelo menos quatro anos. Os dados do Ministério do Trabalho mostram que esse nível é sustentado devido ao alto número de demissões em setores como agricultura e construção civil. Esses dados, por sua vez, levam a uma rotatividade mais alta nas regiões Centro-Oeste e Sul.

O alto número de desligamentos é um problema crônico no Brasil e não tem solução única sem a perda de direitos por parte dos trabalhadores. Esse fator, conjugado aos aumentos reais do salário mínimo e à inflação, levou os gastos com o seguro-desemprego a passarem de R$ 7,2 bilhões em 2004 para R$ 31,9 bilhões em 2013. Já neste ano, o ritmo é um pouco menor, já que no primeiro semestre foram gastos R$ 15,3 bilhões com o benefício.

O caminho é a adoção de medidas setoriais que abarquem as diferenças entre os diversos ramos. Os números mostram que há muitas diferenças por trás do índice de rotatividade total no Brasil, que foi de 64% em 2012, último ano com taxa anual calculada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Cálculo feito com base na rotatividade mensal divulgada pelo Ministério do Trabalho mostra que em 2013 a taxa ficou em torno de 63,9%. Continuar a ler

Renato Janine Ribeiro Alerta o PSDB para “Não Chocar o Ovo da Serpente”

Ovo da Serpente

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. Reproduzo seu artigo (Valor, 03/11/14) que aponta o risco da volta das “vivandeiras dos quarteis”, ou seja, as “viúvas do Golpe (e da Ditadura) Militar de 1964″ que abusam da liberdade de expressão para atentar contra a própria democracia.

“Considero melhor, para quem analisa a política, a postura crítica à engajada. Como cidadãos, é claro que cada um de nós tem seu preferido. E qualquer pessoa, inclusive os políticos, adora elogios. Mas isto não nos deve impedir de apontar problemas até em nosso candidato. Se a crítica será recebida como construtiva ou destrutiva, isso não depende só de quem a escreve, mas também, talvez sobretudo, de quem a lê. Na última coluna, apontei problemas que vejo no segundo mandato de Dilma Rousseff. Hoje, discutirei o PSDB.

Continuar a ler

Contra-Reforma Política

reforma_politica_protesto

Fabiano Maisonnnave (FSP, 31/10/14) informa que houve manifestações duras contra a reforma política durante palestra do cientista político Fabiano Santos (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), proferida no dia 28/10/14, durante reunião anual da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais).

A possibilidade de criar um desastre institucional é muito grande. Não há nenhuma percepção da gravidade que é mexer nessas discussões com esse açodamento, com essa radicalidade”, afirmou Santos, tido como um dos principais estudiosos do Legislativo no país.

Reforma política não tem nenhuma relação com um problema substantivo da vida das pessoas. É um erro cabal do governo puxar esse assunto, um desastre”, disse o pesquisador sobre o tema priorizado pela presidente reeleita, Dilma Rousseff (PT).

De acordo com ele, não há chance de a sigla conseguir aprovação no Congresso dos pontos que considera importantes, como financiamento de campanha exclusivamente público. “Existe o sonho dourado do PT e existe algo que o Congresso não fará, que é o sonho dourado do PT.” Continuar a ler

Manifestações em Junho de 2013 e o Surgimento de uma Nova Direita

 

Dialogando com a Repressão

Eleonora Lucena (FSP, 31/10/14) informa sobre a análise do filósofo Paulo Eduardo Arantes, professor aposentado da USP (Universidade de São Paulo), no final da tarde da quarta-feira (29/10/14), em palestra sobre as manifestações de junho de 2013 no 16º Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação de Filosofia, que acontece nesta semana em Campos do Jordão (SP).

O “surto de impaciência” revelado pelas manifestações de junho de 2013 “provocou um surto simétrico e antagônico que é o surgimento de uma nova direita, um dos fenômenos mais importantes do Brasil contemporâneo. Uma direita não convencional, que não está contemplada pelos esquemas tradicionais da política”.

Ele compara o que acontece aqui com a dinâmica nos Estados Unidos. “A direita norte-americana não está mais interessada em constituir maiorias de governo. Está interessada em impedir que aconteçam governos. Não quer constituir políticas no Legislativo e ignora o voto do eleitor médio. Ela não precisa de voto porque está sendo financiada diretamente pelas grandes corporações”, afirma.

Por isso, seus integrantes podem “se dar ao luxo de ter posições nítidas e inegociáveis. E partem para cima, tornando impossível qualquer mudança de status quo. Há uma direita no Brasil que está indo nessa direção“, diz o filósofo. Continuar a ler