Efeito PRONATEC-PROUNI-FIES-CSF na Produtividade Futura

Efeito PronatecEfeito ProUni

Delano Franco é mestre em economia pela PUC-RJ e consultor da Rio Gestão de Recursos. Expressou essa formação doutrinária neoliberal no seu artigo (Valor, 27/10/14), onde coloca “Esperança Via Educação“. Retirando seus vieses heurísticos, em que busca falsa autovalidação junto a seus próprios pares, sobra o reconhecimento dos avanços e dos futuros impactos macrossociais da educação brasileira.

Ele reconhece que “os avanços na educação. Obviamente há um sem número de problemas e desafios na área – estagnação recente das matrículas no ensino médio e das notas no Pisa (programa internacional de avaliação de estudantes), baixa proficiência dos alunos, falta de incentivos e formação aos professores na rede pública, baixo número de horas-aula em termos internacionais etc. Mas, ao se observar o caminho percorrido ao longo das últimas décadas, a evolução é expressiva e seus efeitos tendem a se manifestar com o tempo.

Em 1994, portanto há exatos 20 anos, algo como 35% dos indivíduos com 22 anos de idade possuíam 4 ou menos anos de estudo, ou seja, qualificação apenas para trabalhos básicos. Hoje, são menos de 10%. A proporção de jovens com tempo de estudo entre 4 e 8 anos, um pouco acima em termos de aptidão, estava também em torno de 35%, tendo caído para abaixo de 20% no período. Pouco mais de 20% possuíam entre 9 e 11 anos de estudo, qualificação já bastante razoável, percentual que evoluiu para acima de 50%. Por fim, os jovens com mais de 12 anos de estudo perfaziam menos de 10% e hoje são mais que 20% do total.

Dessa forma, mais de 70% possuem atualmente 9 ou mais anos de estudo, proporção que era de 30%. Ou seja, se simplificadamente dividirmos os jovens com 22 anos em pouco (até 8 anos de estudo) e muito (com 9 ou mais anos de estudo) instruídos, tínhamos em 1994 uma forca de trabalho em que 70% eram de baixa qualificação. Hoje, temos 70% com alta qualificação. Isso faz uma enorme diferença em termos de produtividade. Continuar a ler

12 Trabalhos de Nelson Barbosa

12 Trabalhos de Nelson Barbosa

Denise Neumann (Valor, 30/10/14) informa que, em meados de setembro deste ano, quando o cenário das eleições presidenciais ainda estava muito incerto, o economista Nelson Barbosa, ex-número 2 do Ministério da Fazenda e hoje um dos nomes mais cotados para ser o titular da pasta no segundo mandato de Dilma Rousseff (PT), apresentou um trabalho intitulado “O Desafio Macroeconômico de 2015-2018 – Nelson Barbosa” (click no link), no Fórum de Economia da FGV. O estudo se dedicava ao ajuste cambial e fiscal, principalmente.

Nos campos cambial e monetário, Barbosa resumia o desafio como “controlar a inflação sem depender da apreciação recorrente do real, pois uma taxa de câmbio real estável e competitiva é crucial para a diversificação produtiva da economia e elevação sustentável dos salários reais”. E avaliava que “na situação atual já está claro que as operações do BC foram excessivas” e que hoje “é melhor deixar o câmbio se ajustar às novas condições da economia, internas e externas”.

Na parte fiscal, Barbosa defendeu um superávit primário de 2% a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) a ser alcançado gradualmente e sem aumento da carga tributária. Além do orçamento primário, ele diz que o desafio fiscal do período deve envolver o lado financeiro, justamente pelo custo crescente de carregamento dos créditos do governo junto às instituições financeiras oficiais. A redução desse custo, estimado por ele em 0,6% do PIB, teria o mesmo efeito fiscal de uma elevação do resultado primário, uma vez que ele reduz a velocidade de crescimento da dívida líquida do setor público. Ele listou ainda, no documento apresentado, o que chamou de “Os 12 trabalhos fiscais” a serem cumpridos no próximo mandato (ver quadro acima).

Além de defender uma redução gradual dos aportes aos bancos públicos, Barbosa reforçou, na ocasião, sua avaliação de que é preciso elevar gradualmente a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), praticada pelo BNDES em seus financiamentos. Sua proposta é aumentar a taxa para o ritmo de crescimento esperado para o PIB nominal no quadriênio 2015-2018.

Leia mais:

Programa Econômico para 2015-2018

Diagnóstico e Terapia Macroeconômica

Registro de Panfletos Eleitorais Publicados na Imprensa Brasileira

PIG

Cristiano Romero é editor-executivo do jornal Valor Econômico. Publicou na semana anterior à eleição (Valor, 22/10/14), em sua coluna cativa, um verdadeiro panfleto contra a Dilma, resumido na opinião estapafúrdica de que “Dilma abandonou consenso formado desde o governo Sarney”. Que consenso é este?! Que só é possível ao Brasil seguir o Consenso de Washington?!

Supõe, equivocadamente, que o governo Lula seguiu a mesma receita neoliberal, embora sua política econômica tenha produzido resultados muito superiores em todos os indicadores macroeconômicos medidos, comparando-se 1995-2002 com 2003-2010. Ilogicamente, o colunista poderia apelar para a típica alegação tucana: “ah, os contextos eram diferentes”. Meu contra-argumento é: racionalmente, se as conjunturas eram distintas, como se poderia, racionalmente, adotar a mesma terapia, que estava dando maus resultados, para diagnósticos diferentes?!

A ideologia cegou os neoliberais. Vale fazer o registro histórico de como eles perderam a racionalidade no debate econômico. Fechados em uma lógica maniqueísta — só concebendo o bem (azul) e o mal (vermelho) em termos absolutos — e sectária — visão partidária apaixonada pelo PSDB –, os colunistas desse jornal, desde o ano pré-eleitoral tornaram-se extremistras em defesa de sua doutrina política em favor do livre-mercado. Obedecendo-lhe, cegamente, desdenharam todos os argumentos lógicos e evidências empíricas apresentados por aqueles que seguem outro partido em seu modo de pensar e de agir.

Analise a leitura viesada da história recente da política econômica brasileira, elaborada pelo editor-executivo do jornal Valor Econômico, reproduzida abaixo. Veja (epa, vômito…) se ela não é parcial. Usou sua tribuna na imprensa não para informar ou analisar, apartidariamente, mas sim para pregar o voto contra a Dilma! Continuar a ler

7 Desmitificações da Eleição de 2014

Divisões Intraestaduais

Mais perenes do que qualquer partido ou movimento político, algumas ideias sobre o que move os eleitores se repetem a cada eleição. No entanto, dados e detalhamentos das votações desafiam esse senso comum. O Estadão Dados analisou 7 erros mais repetidos (JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO, DANIEL BRAMATTI, DANIEL TRIELLI, DIEGO RABATONE, LUCAS DE ABREU MAIA E RODRIGO BURGARELLI, OESP, 28/10/14)

Mito 1

Foi o Nordeste que elegeu Dilma

Petista não teve menos de 40% dos votos em nenhuma das 5 regiões do Brasil

É claro que o desempenho de Dilma Rousseff (PT) no Nordeste foi crucial para sua vitória: a petista teve 20 milhões de votos no 2.º turno, equivalente a 72% do total de votos válidos na região. Mas a presidente reeleita obteve um apoio razoável em todas as cinco regiões. O menor porcentual de votos válidos foi no Sul: o apoio de 41% dos eleitores que escolheram um candidato.

A impressão de que o Nordeste sozinho é o grande responsável pela reeleição de Dilma é fortalecida quando se vê o mapa eleitoral dos Estados pintados com a cor de quem teve o maior porcentual de votos ali. Nesse mapa, metade do Brasil aparece pintado de azul, como se esse território tivesse ido em direção totalmente oposta à outra metade, vermelha.

O deputado estadual eleito Coronel Telhada (PSDB-SP) chegou a defender a independência do Sul e do Sudeste por causa disso! Mas, na verdade, dos dez Estados em que Dilma obteve menor votação, apenas três estão nessas regiões: Santa Catarina, São Paulo e Paraná. Todos os outros estão no Norte ou no Centro-Oeste. Visualmente, é possível ver como o apoio a Dilma se espalha pelo Brasil pelo gráfico de relevo ao lado – nenhuma das duas maiores “montanhas” que representam o número absoluto de votos está no Nordeste.

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Desafio da Governabilidade: Alianças Necessárias, Mas Insuficientes

Bancadas Temáticas 2014Câmara de Deputados 2014

A coligação partidária de apoio à Dilma garante maioria, com 304 deputados. A petista é apoiada por 9 partidos e tem 59% da Câmara de Deputados. Um problema, visto já no primeiro mandato, é o grau de fidelidade da base governista. Outro é o “toma-lá-dá-cá”, isto é, a tradição fisiológica dos parlamentares.

A Presidenta Dilma terá apoio junto à opinião pública para barrar qualquer pretensão de cargos técnicos em empresas estatais por QIQuem Indica. Tem de exigir idoneidade e reputação ilibada. Todos os servidores públicos têm de deter a qualidade de quem desfruta de bom nome no meio social que frequenta, por sua honestidade, boa moral e bons costumes! Ministérios “com porteiras fechadas” também devem ser evitados!

Bancadas de Senadore s2014Nova Bancada do Senado 2014 Fonte: UOL Eleições 2014

Pelas “caras” acima dá para ver que será um desafio político enorme compor uma base de coalizão presidencialista em um futuro Congresso com maior fragmentação partidária — 28 partidos — do que o atual. Metade dele é composta de “macacos-velhos”, isto é, políticos com práticas condenadas pela “opinião pública”, mas não pelos eleitores que os reelegeram!

Políticos de carreira na Câmara de Deputados

Voto Nulo: Omissão Quanto Ao Futuro da Nação

Abstenção e Votos Nulos 2 T 2014Abstenção 2010 X 2014

Se no Maranhão não ocorresse tanta abstenção, provavelmente, a Dilma obteria ainda mais votos lá. É necessário um recadastramento eleitoral em todos os Estados. Votos Inválidos 2010 X 2014

Com 10,5%, o Rio foi o Estado com a maior taxa de votos nulos para presidente no segundo turno destas eleições. A taxa de votos nulos no Estado havia sido de 9,2% no primeiro turno. Portanto, cresceu apenas 1,3 ponto percentual, demonstrando o fracasso da campanha pelo voto nulo dos “marineiros”. Continuar a ler

Mapas Eleitorais de 2014

Mapa Eleitoral por Municípios 2014 O Mapa Eleitoral por Estados é enganador. Embora a divulgação da apuração seja feita nos âmbitos estaduais, ela dá uma ilusão de que “o vencedor leva tudo”, tal como nos Estados Unidos. No caso brasileiro, é mais realista considerar o Mapa Eleitoral por Municípios, considerando a gradação das cores, ou seja, percentuais de eleitores acima de 50% em três faixas: entre 1/2 e 2/3 (rosa); entre 2/3 e 4/5 (vermelho); entre 4/5 e 5/5 (vermelhão). Com isso se verifica as nuances da penetração dos partidos e/ou ideologias.

Mapa das eleicoes 2014

O mapa acima corresponde ao eleitorado de Dilma no segundo turno da eleição de 2014. O mapa do total de votos é o mais correto para a análise do critério democrático que elegeu a candidata Dilma. A maioria do total de votos para Dilma veio de São Paulo (8,5 milhões de votos), Minas Gerais (6 milhões), Bahia (5 milhões), Rio de Janeiro (4,5 milhões) e Paraná (2,5 milhões). Nestes cinco Estados o total foi de 26,5 milhões de votos, no restante do Brasil foram 25,9 milhões de votos. Então, não se justifica atribuir a reeleição de Dilma apenas pelos votos dos nordestinos!

Apresentar o resultado eleitoral por partido vencedor em cada Estado não mostra nenhuma mudança entre 2010 e 2014. Alguns analistas bairristas dizem que há  uma “muralha chinesa” na diagonal noroeste-sudeste: o antigo Sul (com o estado de São Paulo incluso) e mais o Centro-Oeste são regiões que votam majoritamente no PSDB e contrapõem-se ao PT. Verdade? Não, se é meia-verdade, é falsidade…

Resulltados estaduais segundo turno 2014Resultados Estaduais Segundo Turno 2010

Embora o PT tenha vencido nos mesmos 15 estados “vermelhos” e o PSDB nos mesmos 12 estados “azuis”, os percentuais de votos da oposição, no segundo turno, se elevaram em 4,5 pontos percentuais, devido ao acidente do Eduardo Campos e sua substituição pela Marina Silva. Esse fator aleatório mudou o foco no primeiro turno para a campanha negativa contra as alianças da Marina com os neoliberais no campo econômico e com os evangelistas-homofóbicos no campo religioso e de costumes sociais. Então, Aécio Neves aproveitou-se de não receber uma crítica mais contundente no primeiro turno. Nos primeiros dez dias do segundo turno, a militância pela Dilma Rousseff dedicou-se a descontruir a falsa imagem do adversário reportada pela mídia golpista, i.é, aquela que interfere nos processo democrático com denúncias não comprovadas.

Vencedor por Estado 2014

 

Resultados Estaduais Primeiro e Segundo Turno 2014

Dilma supera 70 pc em 5 estados 2014

É necessário ponderar a análise com o peso dos diversos eleitorados. Em cinco deles (MA, PI, CE, PE, BA), Dilma recebeu mais de 70% dos votos. Aécio não atingiu tal patamar em nenhum estado. O maior percentual que ele recebeu foi da “tradicional família alemã” (SC), já que seu próprio estado (MG) não seguiu a “tradicional família mineira” e optou pela conterrânea de esquerda…

De acordo com números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nordeste e Sudeste tiveram participação muito semelhante na vitória da candidata petista. A presidenta Dilma Rousseff obteve um total de 54,5 milhões de votos no segundo turno. A região Nordeste contribuiu com 20,2 milhões de votos37% dos sufrágios ao PT. No Sudeste, 19,9 milhões eleitores escolheram a Presidenta – o que representa 36,5% dos votos em Dilma.

Por sua vez, Aécio Neves teve quase 6 milhões de votos de vantagem sobre Dilma Rousseff no Sudeste – 25,4 milhões –, porém, conseguiu apenas 7,9 milhões de votos entre os eleitores nordestinos – pouco mais dum terço da votação obtida pela presidenta na região. Em números absolutos, os 12,3 milhões de votos de vantagem da Dilma no Nordeste superou a desvantagem de 6 milhões de votos no Sudeste e 2,8 milhões no Sul. Sua vantagem de 1,1 milhão de votos no Norte compensou, exatamente, sua desvantagem de 1,1 milhão no Centro-Oeste. Em arredondamento, a vitória demócratica incontestável de Dilma foi por 3,5 milhões de votos.

Os estados amazônicos concederam 4,4 milhões de votos à petista e 3,3 milhões ao tucano. No Centro-Oeste, Aécio obteve 4,3 milhões de votos contra 3,2 milhões de Dilma. No Sul, a vantagem do tucano foi 9,6 milhões contra 6,8 milhões. Os números absolutos do TSE, portanto, mostram a beleza da democracia: cada cabeça um voto! Quaisquer conclusões regionalistas, nativistas, separatistas, etc., são apenas “choro de mau perdedor”…

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