A Oposição Ruidosa ou Canalhas Feitos Honestos

Fábulas das Abelhas

O título acima é uma paráfrase do título de um poema satírico publicado anonimamente, em 1705, sob o título de A Colmeia Ruidosa ou Canalhas Feitos Honestos. Em 1714, ele inspirou A Fábula das Abelhas ou Vícios Privados, Benefícios Públicos, cujo autor foi Bernard Mandeville (1670-1733), médico holandês radicado na Inglaterra. Sua ideia de “ordem espontânea” aparece na história de uma colmeia que prosperava mesmo com os “vícios”, ou seja, os comportamentos egoístas das abelhas. Quando estas se tornaram virtuosas, não agindo mais em interesse próprio, mas pelo bem comum a todas, a colmeia desandou!

Qual seria, mais precisamente, a natureza do mecanismo — uma “mão invisível de O Mercado” ou uma “mão visível de O Estado” — responsável pela transformação do vício das partes no benefício do todo? Entre as respostas possíveis, existem duas linhas supostamente antagônicas de interpretação.

  1. Na visão estatista, é através da “administração engenhosa por políticos habilidosos”, como diversas vezes ressalta o autor da fábula, que os vícios privados se tornariam beneficio público.
  2. Na visão ultraliberal, adotada por Frederich August von Hayek (1899-1992), economista da Escola Austríaca, Mandeville é um precursor da ideia smithiana da “mão invisível”: é através da liberdade econômica e de regras gerais de conduta justa que os vícios privados se transformarão, espontaneamente, no beneficio público do equilíbrio estável.

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Marina e Aécio Contra a Petrobras (por Jânio de Freitas)

selogetulio

O tiro que, há 60 anos, Getúlio Vargas deu no próprio coração para salvar as riquezas nacionais parece pronto a ser disparado, agora contra elas.

Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma, disse Vargas, ao explicar as razões de seu gesto.

O ódio à ideia de que o Brasil venha a ser independente ressurge, agora que mal começa a jorrar o tesouro de petróleo da camada do pré-sal.

Pelas mãos dos inimigos de sempre da soberania e do progresso nacional mas, também, mal disfarçado em uma  capa primária de “ecologia” hipócrita, que encapuza os verdadeiros motivos: hoje como sempre ter o apoio político de um sistema de comunicação antinacional.

Janio de Freitas, em artigo na Folha de S. Paulo (31/08/14), expõe como são siamesas as de Aécio Neves as propostas de Marina Silva no seu “programa de Governo” – neste momento em revisão pelo senhor Silas Malafaia… Continuar a ler

Fontes Passionais da Violência

Mideast Israel Palestinians

Aprecio muito os artigos de Jorge Felix. Já compartilhei alguns neste modesto blog. Desta vez (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 01/08/14) escreve a respeito da violência contemporânea. No ano passado, li um dos grandes lançamentos recentes — Os Anjos Bons da Natureza de autoria de Steve Pinker (rivaliza em importância – e tamanho – com o monumental Longe da Árvore de autoria de Andrew Solomon) que trata da Lógica da Violência. Pinker defende uma tese inusitada: a violência tem diminuído ao longo do tempo. Nunca vivemos em um mundo tão pacífico como o atual! Comparando com o que já foi o mundo, no passado, houve progresso…

Portanto, não seria para se impressionar tanto com um caso de justiçamento entre tantos fatos randômicos, para usar a palavra da modernidade cibernética, que desfilam diante de nós como um catálogo de episódios de violência. Seu particular entre tantos outros noticiados todos os dias à exaustão pela mídia é a figura da multidão com sede vingança. Foi escrito “justiça com as próprias mãos”. Mas não é isso. Justiça, como preza da Filosofia do Direito, é algo impessoal, regulado por um estatuto, por agentes de um Estado democraticamente instituído. Havia algo na mente das pessoas que fazem justiçamento ou linchamento, que as faz acreditar na hipótese de uma violência legitimada pela revolta.

Que sentimento é esse? É ele o responsável pela onda de violência dos nossos dias? Quanto de humano, de individual, de pessoal abarca a cota de violência do nosso tempo? Um grupo de acadêmicos, intelectuais e pesquisadores está intrigado em responder a essas e outras questões inquietantes da morfologia da violência do século XXI. Se as guerras entre palestinos e israelenses ou entre russos e ucranianos mundializam o problema, por outro lado, os esquartejamentos, os casos como o do menino Bernardo ou o fato de um médico e de um enfermeiro assistirem, na porta de um hospital, à morte de um homem passando muito mal sem prestar socorro emprestam um componente pulsional a esses crimes. Do dia 14 de agosto até 8 de outubro de 2014, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, o grupo debaterá o tema, em 22 conferências, na 8ª edição do ciclo Mutações, tradicional evento criado pelo filósofo Adauto Novaes. Neste ano, o tema é Fontes Passionais da Violência.

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Ônus Demográfico

Envelhecimento Populacional

Ao contrário da maioria dos demógrafos, que apontam a continuidade do bônus demográfico nos próximos anos para o Brasil, Flávia Lima (Valor, 07/08/14) informa que, nas próximas duas décadas, o crescimento econômico de um conjunto de países será reduzido por um fator demográfico comum a todos eles: o envelhecimento populacional. Estudo da Moody’s indica que “a redução da população em idade ativa e o declínio das taxas de poupança, com a consequente queda do investimento dos países, devem impor restrições importantes à expansão de economias desenvolvidas e emergentes.” Mais uma estupidez de uma das desmoralizadas agências de classificação de risco: Fitch Ratings, Moody’s e Standard & Poor’sÉ um risco acreditar nelas!

No caso, a analista infeliz só aponta o ônus demográfico, devido ao envelhecimento, porém não considera a queda da Taxa de Dependência (% inativos/ativos), dado que a taxa de natalidade cai relativamente mais, decrescendo o número de crianças até 15 anos, cujas menores despesas em educação compensarão a elevação das despesas com saúde dos mais velhos acima de 65 anos. Com o aumento da sobra de renda familiar e a necessidade de Previdência Complementar preventiva, dada a maior longevidade, as aplicações financeiras e o funding disponível para lastrear financiamentos aumentarão! Até hoje a Moody’s não jogou o conceito de poupança na lata de lixo do pensamento econômico… O envelhecimento tem provocado maior acumulação de ativos financeiros por parte de pessoas que viverão mais. Continuar a ler

Farinha (Ruim) do Mesmo Saco

 

Taxa de DesempregoTaxa de Inflação - IPCABalanço Comercial 2007-2014Se a economia está crescendo pouco, em fase com a maior crise mundial desde a de 1929, isso pouco diz respeito ao eleitor se ele estiver empregado. O que mais interessa aos trabalhadores é o aumento real dos salários e o menor nível de desemprego da história econômica registrada em estatísticas.

Aécio e Marina, ao contrário, têm que justificar porque, além da ambição pessoal, os eleitores deveriam votar neles se eles não vão melhorar a qualidade de suas vidas, pelo contrário, tendem a piorar com o ajuste neoliberal via aumento do desemprego e queda dos custos salariais para as empresas mais lucrarem. Na definição da linha neoliberal, que pretendem seguir, ambos com assessores assumidamente em favor do livre-mercado, asseguram que vão retomar o tripé macroeconômico sustentado no regime de metas para a inflação, taxa de câmbio flutuante e superávit nas contas públicas.

Esse tripé produziu péssimos resultados no final do governo FHC e a imprensa oposicionista o mitifica, usando do expediente de que uma mentira repetida, reiteradamente, pode ser inculcada nas mentes dos eleitores como fato verdadeiro. Ele foi abandonado desde o início do governo Lula-Dilma. Este aumentou o superávit primário até que a dívida pública líquida caísse abaixo de 35% do PIB, baixou a taxa de câmbio de quase R$ 4 para ~R$ 2,30, diminuiu a taxa de juros real para 4,5% aa e ampliou o crédito como nunca o governo FHC fez: de 21,8% para 56% do PIB. Tripé?! Continuar a ler

Caro Fernando Haddad (por Antônio Prata)

Espírito Paulistano

“Quem te escreve aqui é Espírito Paulistano. O senhor não me conhece, como deixa claro a sua rejeição por 47% dos motoristas, quero dizer, dos cidadãos de nossa pujante metrópole. Não votei no senhor, mas tampouco me apavorei com a sua vitória. Apesar de vir do PT, o senhor aparenta ser de boa família, tem essa pinta de pai em propaganda do Itaú Personnalité, chama-se Fernando e traz o sobrenome Haddad, que me remete ao Maluf, ao Kassab, ao Habib’s: três marcas das quais São Paulo pode se orgulhar. Desde que assumiu a prefeitura e começou com as faixas de ônibus, contudo, percebi que por trás da pinta Personnalité se escondia um administrador démodé. Continuar a ler