CADE contra Cartel do Cimento

CADE contra Cartel do Cimento

Como se construiu um ambiente mais competitivo na economia norte-americana? Para enfrentar a “era do capitalismo-bandido dos barões-ladrões”, tipificada por trustees e carteis, a Sociedade Civil e a Sociedade Política dos EUA tiveram de se organizar e lutar. Entre 1898 e 1902, ocorreu a primeira onda de fusões de empresas do mundo chamada de “Era dos Barões Ladrões” devido à forte ação monopolística. Isto provocou o crash financeiro de 1904 após o qual veio um forte movimento regulador com legislação antitruste e quebra dos monopólios (Standard Oil, DuPont etc.). A toda poderosa Standard Oil, que dominava as áreas de refino e distribuição de combustível, no mercado mundial, foi dividida em 34 empresas. Em 1907, Andrew Carnegie e John D. Rockefeller II (magnatas do aço e do petróleo), com seus negócios afetados, foram procurar novos investimentos.

Juliano Basile (Valor, 02/04/14) informa que as punições às empresas envolvidas no caso conhecido como “cartel do cimento” podem ultrapassar os R$ 3,1 bilhões em multas propostas pela maioria dos integrantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pois o Ministério Público Federal está entrando com ações de reparação e apenas numa delas, que foi proposta no Rio Grande do Norte, pede pena de R$ 5,6 bilhões. Somados os valores das multas do Cade com o da ação do MPF resultam em R$ 8,7 bilhões.

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Propostas Para o Brasil: lançamento do livro “Políticas Sociais, Desenvolvimento e Cidadania”

Plataforma Política SocialA Fundação Perseu Abramo lançou a publicação “Políticas Sociais, Desenvolvimento e Cidadania”, organizada pelos professores Ana Fonseca e Eduardo Fagnani, membros da Plataforma Política Social. Em dois volumes a obra apresenta 22 artigos escritos por 40 professores e pesquisadores.

Baixe as versões em PDF dos dois livros:

o primeiro: http://goo.gl/AiuuJy e

o segundo: http://goo.gl/9yxaZG

Candidatura Confessional Contra o Estado Laico

Secular State mapLegendas de Estados Laicos e Confessionais

César Felício (Valor, 31/03/14) avalia que a candidatura presidencial do pastor Everaldo Pereira (PSC) tem potencial para atingir até 10% dos votos, expressando a avaliação de cientistas políticos dedicados ao mercado eleitoral. Pastor da Assembleia de Deus, a maior denominação pentecostal do país, Everaldo está com 3% de intenção de voto na última pesquisa Ibope, e poderá se tornar o primeiro candidato a presidente na história do Brasil a usar a religião como sua principal bandeira. Demais candidatos da oposição ficaram felizes com esse lançamento de candidatura por causa da esperança de levar a eleição para o segundo turno.

“Ele tem um teto de 8% a 10%, caso faça uma campanha muito eficaz e não seja alvo de denúncias“, disse o cientista político Antonio Lavareda, da MCI. Lavareda estimou o potencial com base no histórico das eleições de 2002 e 2010. Na primeira, o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, disputou a presidência pelo PSB e teve 18% dos votos. Na segunda, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva concorreu pelo PV e conseguiu 19%. Ambos são evangélicos, mas não fizeram dessa condição o elemento central de suas campanhas.

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Entrevista Encomendada Para Especulação de O Mercado

Entrevista encomendada

247 - A pesquisa Datafolha que será divulgada neste fim de semana deve apontar queda da presidente Dilma Rousseff e alta dos oposicionistas Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB. O motivo para isso é a própria estrutura do questionário preparado pelo Datafolha, que foi obtido pelo 247. Continuar a ler

Tropicalização Antropofágica Miscigenada dos Modos de Vida

Domenico De Masi

Oscar Pilagallo é jornalista e autor de “História da Imprensa Paulista” (Três Estrelas) e “A Aventura do Dinheiro” (Publifolha). Reproduzo abaixo mais uma boa resenha de livro publicada por ele (Valor, 25/03/14). A mistura que faz Domenico de Masi lembra a do meu Manifesto da Tropicalização Antropofágica Miscigenada! :)

“Já a partir do título, “O Futuro Chegou“, do sociólogo italiano Domenico de Masi, remete ao Brasil. A referência óbvia é o livro “Brasil, um País do Futuro“, do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942), que deu origem à disseminada ideia de que vivemos em uma nação que adia indefinidamente o aproveitamento de seu imenso potencial.

Para De Masi, não apenas essa percepção é distorcida, como o modelo brasileiro deveria ser paradigmático para a sociedade pós-industrial, que oscila entre a incerteza e o pânico.

A ênfase no Brasil é diluída por outros modelos propostos pelo autor, conhecido por advogar o ócio criativo como resposta à crise estrutural do desemprego. Ele apresenta 15 alternativas que serviriam de bússola para a “sociedade desorientada” do subtítulo.

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Até Que Um Dia, Agência de Avaliação de Risco decreta: Imposição de Ortodoxia e Proibição de Keynesianismo!

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O Mercado — e o deslumbrado jornalismo econômico brasileiro calcado em fontes oficiais empresariais — ficou reincidentemente feliz com a decisão da agência Standard & Poor’s, que rebaixou o rating do Brasil, da Petrobras e da Eletrobras, e dos bancos públicos federais. Idem para a oposição, cujo único objetivo é derrubar o PT da Presidência da República, mas sem oferecer nenhum programa governamental melhor para a sociedade brasileira.

Nenhum deles — O Mercado, A “Grande” Imprensa, a pequena oposição — deixou de gozar com mais essa tentativa de impor um pensamento econômico único a todos os países e em todos os tempos, inclusive em tempo de crise. A imposição é de austeridade para demonstrar capacidade de pagamento da dívida pública e corte de gastos públicos (sociais e em infraestrutura) para compensar a queda da demanda efetiva privada.

Acontece que as Finanças Públicas brasileiras estão sob controle e muito melhores do que países que têm melhor rating dessas agências. Agora, o Brasil está na companhia de países tão diversos como Islândia, Filipinas e Uruguai, cujo potencial econômico é estruturalmente inferior. As agências continuam a errar com seus preconceitos ortodoxos, assim como errou, vergonhosamente, em avaliar com AAA bancos que quebraram na crise de 2008! Que credibilidade restou a elas? Aquela oportunista dos especuladores que compram na baixa artificialmente provocada para vender na alta determinada por avaliação posterior mais sensata dos fundamentos da economia.

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Golpistas

Indicadores Econômicos e Sociais 1960-2010Indicadores Econômicos e Sociais 1960-2013FHC-Lula-Dilma

Antonio Delfim Netto é economista e professor-emérito da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), onde formou-se, em 1951. Foi secretário de Finanças de São Paulo, ministro da Fazenda, ministro da Agricultura,  ministro-chefe da Secretaria de Planejamento da Presidência da República e embaixador do Brasil na França. Foi “o homem-forte” da tecnocracia do regime militar ditatorial (exceto durante o Governo Geisel), que vigorou durante vinte e um anos no País (1964-1984). Participou da elaboração da Constituição de 1988 como deputado de um partido conservador.

Apesar desse passado tenebroso, o economista-decano tem ainda influência na formação da opinião pública, além do respeito devido na opinião especializada. Lembram-no como “o milagreiro” e não como o arquiteto do arrocho salarial e/ou da concentração de renda, o manipulador de índices de inflação, ou o detonador do regime de alta inflação no País com duas maxidesvalorizações cambiais. Assim, quando ele afirma algo como a declaração abaixo (Valor, 18/03/14), é o caso de “parar para pensar a respeito de sua credibilidade“…

“É um pouco ridícula a disputa quase infantil que estamos assistindo sobre quem foi “melhor”: os oito anos de FHC, os oito de Lula ou os três de Dilma. Cada um teve seus méritos e sua herança. O primeiro estabilizou, os segundos distribuíram. Do ponto de vista dos resultados objetivos, e não da propaganda, nivelam-se, com o crescimento no governo Dilma ficando, na margem, cada vez mais parecido com o de FHC. A tabela acima revela esse fato. É por isso que para os recíprocos e calorosos autoelogios, tanto no PSDB quanto no PT, é preciso recomendar como fazia o professor Raimundo na sua célebre escolinha: “Menos, Batista, menos…”.

No entanto, ele também deveria refletir ao emitir sua opinião: será que o eleitor observa o passado, o presente ou a perspectiva do futuro quando deposita seu voto na urna? Mesmo que avalie as três dimensões, parece-me que o bem-estar social presente — refletido nos indicadores sociais de baixo desemprego, garantia da renda-mínima (inclusive aumento real do salário mínimo), aumento da escolaridade por matrículas no Pronatec (escolas técnicas), ProUni/Fies (nas Universidades Particulares) e nas Universidades Federais, Programa Mais Médicos na área da saúde pública, Programa Minha Casa Minha Vida no financiamento da aquisição da própria moradia, etc. –, não aparece na sua tabela restrita a indicadores econômicos acima, aliás, como é comum na reflexão de economista ortodoxo.

Isto sem falar nas perspectivas futuras com a maturação do investimento na infraestrutura (energética: Belo Monte e Pré-Sal) e em logística (estradas, hidrovias, portos e aeroportos): a economia brasileira se tornará grande exportadora de petróleo e commodities minerais e agrícolas. O Fundo Social de Riqueza Soberana (FSRS) propiciará grandes investimentos em Educação e Saúde, Ciência e Tecnologia. A qualidade de vida de seu povo melhorará ainda mais!

Esse cenário socioeconômico otimista ocorrerá se o Governo Social-Desenvolvimentista não for derrotado e não houver regressão sociopolítica e econômica. A ignorância dos saudosos do regime militar — aqueles fieis leitores da Veja e de outros golpistas, que consideram a si próprios os únicos “fixas (sic) limpas” —  terá de ser derrotada nas urnas mais uma vez! E eles terão de respeitar a Democracia!

Leia abaixo e mais emFSP – O Golpe e A Ditadura Militar

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Efemérides

GOLPE MILITAR DE 1964 NO BRASIL- RESUMO_

A efeméride é a comemoração de um fato importante ou grato ocorrido em determinada data. Já efemérides, isto é, o substantivo feminino plural, refere-se a uma obra que registra fatos ocorridos no mesmo dia do ano em diferentes anos ou que enumera os acontecimentos sujeitos a cálculo e a previsão durante o ano.

Número cabalístico é relativo à cabala, que tem significado oculto, secreto ou misterioso. É enigmático ou incompreensível porque fatos notáveis acontecem em anos com final 4. Por exemplo, em 2014, alguns estão comemorando o aniversário de 50 anos do Golpe Militar de 1964, outros aproveitam a data para relembrar as perdas pessoais causadas pela ditadura. Não haverá mais nenhum depoimento pessoal quando se atingir um século desde o golpe. As novas gerações estarão indiferentes a essa triste história.

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Crematórios: “Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos”

Processo de Cremação

Quando eu morrer me enterre na Lapinha, 
Quando eu morrer me enterre na Lapinha 
Calça, culote, paletó almofadinha 
Calça, culote, paletó almofadinha 

Imagine… Enterrar está muito caro!

João Alberto Pedrinide (FSP, 16/03/14) fez uma prestação de serviços muito útil para todos nós — porque nossa hora chegará… O número de crematórios mais que dobrou em cinco anos e eles se espalharam pelo país, segundo o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares. Apesar de não ter como associadas todas as empresas brasileiras do gênero, a entidade estima que existam hoje cerca de 70 empresas do ramo no Brasil.

O presidente do sindicato, José Elias Flores Júnior, atribui esse crescimento à mudança de atitude das pessoas, que aos poucos “assimilam melhor” o ato de cremar.

Proprietários e gerentes de crematórios dizem também que um dos fatores para o crescimento é o preço. A cremação hoje chega a custar a partir de R$ 2.800 — enquanto alguns jazigos são encontrados por até R$ 18 mil, como no Parque da Colina, em Niterói (RJ).

A cremação custa por volta de R$ 3.000. Em 2005, quando a empresa iniciou o serviço, eram feitas cerca de 15 por mês. Hoje, são 40.

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Conta de Juros Grande e Favela – Formação da Elite Rentista no Capitalismo Tardio e Periférico

Matias Vernengo cultura divulgacao

Conheci Matias Vernengo virtualmente antes de conhecê-lo pessoalmente. Ele foi o co-organizador (junto com Luis-Philippe Rochon) do livro “Credit, Interest Rates and the Open Economy: Essays on Horizontalism“, publicado em 2001 pela melhor editora de livros de Economia no mundo, a Edward Elgar. Convidou-me para escrever um capítulo, que intitulei Horizontalism and Inflation Accomodation, aplicando a interpretação de Basil Moore à realidade brasileira. Foi uma surpresa para mim, que estava condenado por todos os pós-heynesianos fundamentalistas brasileiros ao eterno ostracismo por ter ousado questionar as ideias hegemônicas de Paul Davidson e seu discípulo brasileiro, meu amigo Fernando Cardim de Carvalho, especialmente o dogma da Preferência pela Liquidez absoluta, inclusive de bancos, para todo o sempre, amém… Rotulavam-me como “horizontalista”. Portanto, eu estava “morto e enterrado” para eles…

Surpresa boa foi, muitos anos depois, ter conhecido Vernengo no I Congresso Internacional do Centro Celso Furtado, quando ministrei a palestra final no Auditório do BNDES, justamente, com um ícone do “fundamentalismo pós-keynesiano”, o Jan Kregel. Ele é um portenho-carioca que herdou a cultura dos argentinos e o humor dos cariocas. E não deixarei a dica para ninguém comentar “pior seria o vice-versa”! Adoro os cariocas e tento entender os portenhos…

Bom, Matias Vernengo também é do tipo “perde-um-amigo-mas-não-perde-uma-piada”. E eu gosto de quem não leva a si e ao mundo muito a sério…

A boa notícia é que ele publicou, recentemente, um livro no Brasil: “Conta de Juros Grande e Favela – Formação da Elite Rentista no Capitalismo Tardio e Periférico”. Alcino Ferreira Camara Neto e Matías Vernengo. Editora: BRVCom Cultural. 194 págs. R$ 55,00. Ainda não o adquiri, mas certamente está na minha lista para a próxima visita à livraria.

Cyro Andrade (Valor, 11/03/14) o resenhou. Reproduzo abaixo sua resenha e entrevista com o Vernengo. Temo que, pelo conteúdo delas, provocarei novamente polêmica se eu publicar um livro que estou finalizando, denominado “Finanças dos Trabalhadores no Capitalismo de Estado Neocorporativista: Uma Experiência Social-Desenvolvimentista”. Defendo nele não só que as Finanças dos Trabalhadores são fundamentais para o Capitalismo Tardio e Periférico, como também que os trabalhadores têm de obter Educação Financeira para se tornarem rentistas! Corro o risco dessa palavrinha colocar meu livro no Index Librorum Prohibitorum

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Política de Juros: Arte e não Ciência

Taxa Real de Juros 2001-2013Taxa Anual Real de Juros no Brasil 1991-2011Conheci o jornalista Alex Ribeiro em Brasília. Lá, ele cobriu o Banco Central durante 15 anos para o Valor, a Gazeta Mercantil e a Folha de S. Paulo. É especializado em economia pelo BirkBeck College, Universidade de Londres, e tem um MBA em Finanças pela Fundação Getúlio Vargas. Foi correspondente do Valor em Washington. Entende de Economia acima da média dos jornalistas econômicos.

Em sua coluna (Valor, 12/03/14), acho que exagerou ao afirmar que “o Banco Central já subiu a taxa básica de juros em 3,5 pontos percentuais desde abril de 2013 e, com mais uma alta que o mercado espera para o mês que vem, o ciclo atual de aperto vai figurar entre os maiores na história do regime de metas de inflação. Para dar uma ideia da intensidade do torniquete, o ex-diretor de Política Monetária do BC Afonso Bevilaqua consolidou sua fama de ultraconservador ao liderar, entre 2004 e 2005, uma alta de juros de 3,75 pontos percentuais que derrubou o IPCA para 3,14% em 2006. [Vale analisar os gráficos acima com as bandas de juros reais para reavaliar sua informação.]

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Pajelança

Pajelança Tucana

Pajelança é uma série de rituais que o pajé indígena realiza em certas ocasiões com um objetivo específico de cura ou magia. No caso do FHC, ele gostaria que repetisse em 2014 alguma magia semelhante a que ocorreu em 1994: um sociólogo transformar-se em Ministro da Fazenda e, por algum tipo de benzedura na prática dos curandeiros-economistas, tornar-se Presidente da República. Com o rito da cura inflacionária, a opinião pública não o puniu quando ele comprou a aprovação de sua reeleição em 1998.

Desde o fim da era neoliberal, anualmente, há outro rito que, ao que parece, mescla práticas religiosas indígenas com elementos católicos, espíritas e de seitas afro-brasileiras, empregando tudo que está no alcance dos “profetas do passado” com finalidades de cura, prognóstico de acontecimentos, intercessão de poderes sobrenaturais, etc. Tudo na vã esperança de novos poderes para acabar a obra inacabada de desmanche do Estado desenvolvimentista brasileiro.

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