Cenário Internacional Com Queda no Preço de Petróleo

Plataforma petrolífera

Sérgio Lamucci (Valor, 16/10/14) informa que a queda abrupta dos preços do petróleo deve causar estragos nas economias de grandes exportadores de petróleo como Venezuela, Líbia e Rússia, ao mesmo em que tende a ser um motivo de alívio para grandes importadores como Japão, China, Índia e a União Europeia, segundo analistas.

Nos EUA, cotações baixas podem desestimular o investimento na exploração do petróleo de xisto, enquanto o repasse imediato para o valor da gasolina aumentará a renda disponível dos consumidores americanos. A magnitude do impacto sobre essas economias dependerá obviamente do nível a que chegarão os preços do produto, assim como da duração da fase de baixa. Continuar a ler

Filosofia Moderna

bertrand-russell Por Que Repetir Erros Antigos

O último trecho de Bertrand Russel, “A filosofia entre a religião e a ciência.”

“A Filosofia moderna começa com Descartes, cuja certeza fundamental é a existência de si mesmo e de seus pensamentos, dos quais o mundo exterior deve ser inferido. Isso constitui apenas a primeira fase de um desenvolvimento que, passando por Berkeley e Kant, chega a Fichte, para quem tudo era apenas uma emanação do eu. Isso era uma loucura, e, partindo desse extremo, a Filosofia tem procurado, desde então, evadir-se para o mundo do senso comum cotidiano.

Com o subjetivismo na Filosofia, o anarquismo anda de mãos dadas com a Política. Já no tempo de Lutero, discípulos inoportunos e não reconhecidos haviam desenvolvido a doutrina do anabatismo, a qual, durante algum tempo, dominou a cidade de Wünster. Os anabatistas repudiavam toda lei, pois afirmavam que o homem bom seria guiado, em todos os momentos, pelo Espírito Santo, que não pode ser preso a fórmulas. Partindo dessas premissas, chegam ao comunismo e à promiscuidade sexual.

Foram, pois, exterminados, após uma resistência heroica. Mas sua doutrina, em formas mais atenuadas, se estendem pela Holanda, Inglaterra e Estados Unidos; historicamente, é a origem do “quakerismo“. Continuar a ler

Luta pelo Estado Laico

bertrand-russell

Mais um trecho de Bertrand Russel, “A filosofia entre a religião e a ciência.”

A tentativa teutônica de preservar pelo menos uma independência parcial da Igreja manifestou-se não apenas na política, mas, também, na arte, no romance, no cavalheirismo e na guerra. Manifestou-se muito pouco no mundo intelectual, pois o ensino se achava quase inteiramente nas mãos do clero.

A Filosofia explícita da Idade Média não é um espelho exato da época, mas apenas do pensamento de um grupo. Entre os eclesiásticos, porém, principalmente entre os frades franciscanos, havia alguns que, por várias razões, estavam em desacordo com o Papa.

Na Itália, ademais, a cultura estendeu-se aos leigos alguns séculos antes de se estender até ao norte dos Alpes. Frederico II, que procurou fundar uma nova religião, representa o extremo da cultura antipapista; Tomás de Aquino, que nasceu no reino de Nápoles, onde o poder de Frederico era supremo, continua sendo até hoje o expoente clássico da filosofia papal. Dante, cerca de cinquenta anos mais tarde, conseguiu chegar a uma síntese, oferecendo a única exposição equilibrada de todo o mundo ideológico medieval.

Depois de Dante, tanto por motivos políticos como intelectuais, a síntese filosófica medieval se desmoronou. Teve ela, enquanto durou, uma qualidade de ordem e perfeição de miniatura: qualquer coisa de que esse sistema se ocupasse, era colocada com precisão em relação com o que constituía o seu cosmo bastante limitado. Continuar a ler

História da Filosofia entre a Teologia e a Ciência

Bertrand

Mais um trecho de Bertrand Russel, “A filosofia entre a religião e a ciência.”

A Filosofia, ao contrário do que ocorreu com a Teologia, surgiu, na Grécia, no século VI antes de Cristo. Depois de seguir o seu curso na Antiguidade, em seu primeiro período, foi de novo submersa pela Teologia, quando surgiu o Cristianismo e Roma se desmoronou.

Seu segundo período importante, do século XI ao século XIV, foi dominado pela Igreja Católica, com exceção de alguns poucos e grandes rebeldes, como, por exemplo, o imperador Frederico II (1195-1250). Este período terminou com as perturbações que culminaram na Reforma.

O terceiro período, desde o século XVII até hoje, é dominado, mais do que os períodos que o precederam, pela Ciência. As crenças religiosas tradicionais não justificadas foram sendo modificadas sempre que a Ciência torna imperativo tal passo. Poucos filósofos deste período são ortodoxos do ponto de vista católico, e o Estado secular adquire mais importância em suas especulações do que a Igreja. Continuar a ler

Debate sobre a Hipótese da Estagnação Secular

Taxa de Rendimento do Capital e Taxa de Crescimento da Renda 0-2100

Já postei neste modesto blog post a respeito do Debate Contemporâneo sobre Crescimento Econômico. A realidade histórica, segundo demonstra o gráfico acima, elaborado por Thomas Piketty, é que o padrão mundial de crescimento da renda per capita é baixo e em 2050 o “crescimento fora-da-curva do capitalismo” findará. As fases após a Revolução Industrial e a II Guerra Mundial foram exceções, assim com as fases de indústria nascente e urbanização, seja no Brasil, seja nos Países Asiáticos. Depois dessas mudanças estruturais, a opção por estabilização conjuntural leva a um stop-and-go estagnante, ou seja, crescimento vegetativo.

Para verificar a parcialidade do debate econômico, basta ver que os autodenominados economistas ortodoxos não reconhecem essa contribuição de um economista “heterodoxo” para retomar o debate sobre crescimento econômico em longo prazo. Com viés de autovalidação, só citam seus próprios pares! Aliás, é uma atitude contumaz: temas “heterodoxos” são incorporados pela “ortodoxia” sem os créditos devidos…

Armando Castelar Pinheiro é coordenador de Economia Aplicada do Ibre/FGV e professor do IE/UFRJ. Publicou artigo-resenha (Valor, 05/09/14) sobre a “Hipótese da Estagnação Secular“. Só cita autores ortodoxos e/ou conservadores. No mesmo dia e jornal, André Lara Resende, assessor hedgeado no swap “livre-natureza/livre-mercado” de Marina Silva, publicou outro artigo sobre o tema, onde reconhece a inegável contribuição de Thomas Piketty, no entanto, o “neoclassiza”. Mais uma vez, os conservadores desejam monopolizar a “leitura do mundo”.  Reproduzo-os abaixo, na ordem respectiva de citação, para o leitor avaliar se eles “tropicalizam a ideia de baixo crescimento” como um fenômeno mundial que se reflete também na economia brasileira… Continuar a ler

Determinismo Histórico

revolucion_bolchevique

Publiquei neste modesto blog dois posts a respeito da Transição entre Modos de Produção e da Oscilação entre Civilização Ocidental e Civilização Oriental. Neste último, eu interpretei as séries temporais de longo prazo (milênios) que Thomas Piketty apresentou em seu livro “O Capital do Século XXI” e lancei uma provocação: o Capitalismo Liberal já era! Tem deadline para seu encerramento: em meados deste século (2050)! Viva o Capitalismo de Estado ou o Socialismo de Mercado!

Considerando as ascensões e as quedas de outras civilizações, que tiveram ciclos “meio” milenares, a dedução do “determinismo histórico” (sic) é o seguinte:

  1. República Romana (550aC-44aC)
  2. Império Romano Ocidental (44aC-476dC); ambos: Civilização Ocidental I
  3. Império Bizantino (476-1453)
  4. Império Chinês I (Dinastia Ming 1368-Guerras do Ópio Anglo-Chinesa: 1839-1842 e 1856-1860); ambos: Civilização Oriental I
  5. Império Anglo-Saxão ou Euro-Americano (1492-2050) ou Civilização Ocidental II
  6. Império Chinês II (1979-…) ou Civilização Ocidental II

Evidentemente, essa periodização foi mera provocação para reflexão e/ou debate: uma hipótese para ser falseada com pesquisa de dados, coleta de informações e reunião de argumentos. Continuar a ler

Capitalismo Liberal Já Era!

Repartição da Produção Mundial 1700-2012

Não foi à toa a repercussão mundial do livro “O Capital no Século XXI” de autoria de Thomas Piketty. Desconsiderando as costumeiras querelas, rusgas, disputas, desavenças e rixas entre intelectuais e suas escolas de pensamento econômico, a obra prima disponibilizou, inclusive via web, séries temporais em longo prazo jamais montadas através de extrapolação de tendências históricas.

Por exemplo, no gráfico com a repartição da produção mundial entre 1700 e 2012, percebe-se que o PIB europeu representava 47% do PIB mundial em 1913, antes da Primeira Guerra Mundial, e caiu para 25% em 2012. As Américas, no ano inicial dessa série, era formada por colônias britânicas, francesas, espanholas e portuguesas. Sua produção era quase toda contabilizada como matérias primas ou alimentos consumidos nas metrópoles europeias. Até a África a superava em termos relativos. Em 1700, a Ásia possuía mais de 60% da produção mundial. Daí em diante, sua participação nessa renda foi decaindo até atingir o piso de 20% no ano de 1950. Continuar a ler