A Copa do Mundo Acabou e A Crise Mundial Continua…

 

Crescimento Mundial sob CriseModelo de Crescimento InsustentávelCondições monetárias e financeirasLucros Retidos dos Bancos

Eu estava feliz… e sabia! Imaginem sem a Copa… Ainda bem que não padecemos sob a visão tacanha dos neoliberais…

Sete anos depois, a Grande Crise Financeira ainda lança uma longa sombra sobre a economia mundial. A boa notícia é que a economia global está se recuperando e o crescimento global tem avançado desde o ano passado. As reformas vão sendo feitas, embora de forma desigual. A recuperação nas economias avançadas ampliou bastante. A zona do euro tem, finalmente, emergido da recessão, enquanto a desaceleração nas economias de mercado emergentes (EMES) parece ter diminuído. A expectativa de consenso é do crescimento global de retornar gradualmente às taxas pré-crise (Gráfico 1).

A má notícia é que os desafios continuam a ser graves e novos riscos estão surgindo. Pelos padrões históricos, a recuperação tem decepcionado. Mas isso não deve ser surpreendente. Consumidores, empresas e bancos nas economias em crise ainda estão reparando seus balanços às voltas com uma sobrecarga de dívida. Desalavancagem financeira do setor privado está mais avançada nos Estados Unidos; em outros países, incluindo grandes extensões de área do euro, ainda há muito trabalho em andamento.

Durante o boom, os recursos foram mal distribuídos, em grande escala, e por isso vai levar tempo para movê-los para usos novos e mais produtivos. Enquanto isso, uma série de economias emergentes mudou-se para a fase final de seus próprios booms financeiros, devido à explosão da bolha de commodities. Embora esses booms tenham ajudado a livrar a economia global da Grande Recessão, os investidores já estão enfrentando nos EME uma ampla gama de riscos econômicos. E esses riscos não podem ser totalmente compensados pela margem de manobra suplementar que a política anticíclica adotada nas economias emergentes produziram por si mesmos ao longo dos últimos anos.

 The financial cycle, the debt trap and secular stagnation

Presentation by Claudio Borio, Head of the Monetary and Economic Department

 The changing face of financial intermediation
Presentation by Hyun Song Shin, Economic Adviser and Head of Research

Paradoxo dos Protestos: Povo A Favor do País, Oposição Torce Contra O Brasil!

Brasil - RN - Copa 2014Ruas Coloriadas do Brasil na Copa

Vejahttps://www.google.com/maps/views/streetview/brazils-painted-streets?gl=br&hl=pt-BR

Além de ver o link acima, recomendo a leitura da reportagem abaixo publicada no jornal Washington Post, em 10/06/2014, sobre a pesquisa de dois PhD (Diego Von Vacano e Yhiago Silva) no Texas, Austin, acerca do paradoxo existente entre o clima de protestos e as políticas públicas efetivamente implementadas no Brasil, ao longo dos últimos anos.

Os autores ressaltam que não querem dizer que o país esteja no melhor dos mundos e que tudo corra na mais absoluta perfeição, pois destacam igualmente o altíssimo grau de desigualdade ainda presente, o temor de um aumento da inflação, e confrontos violentos entre manifestantes e polícia.
Todas as fontes de dados que serviram para a pesquisa são de amplo acesso ao público (investimentos sociais – especialmente saúde e educação -, investimentos com a Copa e investimentos federais com o estádio).

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Maria da Conceição Tavares: Resistir para Avançar

Dilma e Conceição 2012

Em conversa com Carta Maior, Maria da Conceição Tavares adverte para o risco de soluções supostamente redentoras e faz uma exortação: ‘Resistir para avançar’. Entrevistada por: Saul Leblon

Cautelosa, quase reticente em falar  de  economia, ‘numa hora em que tem tanta gente falando bobagem’, Maria da Conceição Tavares, a decana dos economistas brasileiros, voz   sempre ouvida com atenção quando o horizonte se anuvia, como agora, rejeita  as soluções miraculosas oferecidas  na praça para destravar os nós do crescimento brasileiro. A campanha eleitoral antecipada na queda de braço em torno da Copa do Mundo  exacerbou a divisão do país em duas visões de futuro, diz a voz cautelosa. Uma valoriza os avanços obtidos na construção da democracia social  nos últimos  doze anos. Não considera  o caminho concluído, mas é o que está sendo construído. A outra, majoritariamente abraçada pelo conservadorismo e seu martelete midiático, equipara o resultado desse  percurso  a uma montanha desordenada de escombros .Um Brasil aos cacos. Propõe-se a saneá-lo de forma radical.

Em primeiro lugar,  esse ‘começar de novo’ retiraria  o país  das mãos do ‘populismo petista’, em outubro próximo. Para entregá-lo em seguida a quem entende do ramo: os mercados e suas receitas de ‘contração expansiva’,  que combinam  arrocho salarial e fiscal  com fastígio dos fluxos de capital sem lei. Continuar a ler

Formação da Culinária Brasileira – Escritos sobre a Cozinha Inzoneira

Em “Formação da Culinária Brasileira – Escritos sobre a Cozinha Inzoneira“, lançado no dia 26/05/14 pela editora Três Estrelas, estão reunidos sete ensaios do sociólogo Carlos Alberto Dória que passeiam pela problematização da nossa gastronomia.

Dória avança em relação aos registros de Gilberto Freyre (1900-1987) e Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), os dois intelectuais que mais contribuíram para o entendimento da culinária nacional, e derruba mitos fincados no folclore alimentar.

Um deles é o da miscigenação culinária, que iguala as contribuições de índios, negros e brancos. Ora, em um regime escravocrata, diz ele, não há o elemento mais importante para a criação de uma culinária: a liberdade. Os negros não tinham autonomia nas senzalas e os povos indígenas foram dizimados durante a colonização.

Outro, que a feijoada brasileira é um prato nacional surgido nas senzalas. Dória recorre a registros históricos que dizem que o feijão-preto enriquecido com carnes surgiu no Rio, no final do século 19.

Mais: discute a noção de regionalismo. Critica a divisão sociopolítica da nossa culinária (Norte, Nordeste etc.), “que só serve à indústria do turismo”, para redesenhar o território brasileiro a partir de “manchas descontínuas” de ingredientes como os seguintes: Continuar a ler

Capacidades Estatais e Democracia

Portinari 1959

À primeira vista, parece ser interessante a temática do livro eletrônico lançado pelo IPEA:

Capacidades Estatais e Democracia

PARTE I

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO 1
CAPACIDADES ESTATAIS E DEMOCRACIA: A ABORDAGEM DOS ARRANJOS
INSTITUCIONAIS PARA ANÁLISE DE POLÍTICAS PÚBLICAS ……………………………….15
Alexandre de Ávila Gomide
Roberto Rocha C. Pires

PARTE II
DESENVOLVIMENTISMO E DEMOCRACIA: REFLEXÕES TEÓRICO-CONCEITUAIS

CAPÍTULO 2
O ESTADO DESENVOLVIMENTISTA NO BRASIL: PERSPECTIVAS HISTÓRICAS
E COMPARADAS ……………………………………………………………………………………….31
Ben Ross Schneider

CAPÍTULO 3
ARRANJOS INSTITUCIONAIS E DESENVOLVIMENTO: O PAPEL DA
COORDENAÇÃO EM ESTRUTURAS HÍBRIDAS …………………………………………………57
Ronaldo Fiani

CAPÍTULO 4
A CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DEMOCRÁTICO PARA O
DESENVOLVIMENTO NO SÉCULO XXI ……………………………………………………………83
Ronaldo Herrlein Jr. Continuar a ler

Era das Distopias

Maria da Conceição Tavares aos 48 anos

É sempre um prazer ler uma nova reflexão da minha Professora (e amiga) Maria da Conceição Tavares!

Compartilho logo com os 999 seguidores deste modesto blog, esperando que atraia o número 1.000:

Maria da Conceição Tavares – A Era das Distopias

FonteInsight Inteligência

Ao longo de uma década, Insight Inteligência consolidou-se como um dos mais influentes e prestigiosos projetos editoriais do país. Editada pelo cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, a publicação tornou-se espaço cativo para o permanente confronto entre os diferentes pensamentos políticos e econômicos. Por meio de um texto que flutua entre a linguagem jornalística e o rigor acadêmico, seus artigos, pesquisas e depoimentos refletem o que há de mais pulsante na elite intelectual brasileira.

“A coisa marcante é que nenhum dos eventos que estamos vendo foram antecipados” (Profeta do Passado)

David Harvey

O geógrafo britânico David Harvey lotou auditórios em três diferentes cidades do país – Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro – em novembro de 2013, quando veio para falar sobre o capitalismo e promover um de seus livros mais antigos, “Os Limites do Capital”, lançado em 1982 nos Estados Unidos, mas somente agora traduzido para o português pela Boitempo. A plateia, formada por pessoas especialmente na faixa dos 20 anos, mostra o interesse cada vez maior pelo autor, sobretudo, entre os leitores mais jovens. Curioso isso, não? Marxistas cada vez mais velhos só atraem a atenção de leitores cada vez mais novos… E que nenhum direitista venha com piadinha de mau-gosto acrescentando ao comentário “e recém-alfabetizados”…

Segundo a editora, 4,2 mil pessoas participaram dos quatro eventos realizados com o autor no país. Aos 78 anos, o próprio Harvey não sabe explicar essa audiência tão grande. Uma possível resposta, diz, é que há um aumento de interesse pelas ideias de Karl Marx (autor de referência para Harvey) após 2007-2008, a maior crise do capitalismo desde 1930. Mas, segundo o geógrafo, isso é só parte da verdade.

Harvey acha que se tornou uma pessoa mais conhecida ao fazer um site na internet há cinco anos e por ter colocado um curso gratuito na rede sobre “O Capital”, obra de Marx. Ele conta que já são 2,5 milhões de visitantes no seu site [pô, no meu modesto blog só recebi 2,2 milhões visitas... snif... snif... Mas também só tem 4 anos...] e o curso já está traduzido para 27 idiomas, com a contribuição voluntária de pessoas que criaram legendas para as aulas.

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De Volta À Financeirização e Mundialização do Capital

francois-chesnais

Recebi a  recomendação por parte do colega Humberto Miranda (Coordenador do CEDE – Professor IE/UNICAMP) de leitura de “mais um dos belos trabalhos jornalísticos, no campo da economia política, feitos por nossa aluna doutoranda Vanessa Jurgenfeld. A entrevista com Chesnais foi publicada no Valor (05/03/14). Na sequência, a entrevista feita com David Harvey em dezembro de 2013″.

De fato, tenho de arranjar disposição para ler esse ícone formulador de termos como “financeirização” ou “mundialização do capital”, que não entram no meu vocabulário. Tenho certa implicância com essas novas denominações para velhas ideias, prática muito costumeira entre intelectuais franceses. Para quem já leu os originais de Karl Marx (inclusive o Livro II e III de O Capital), Rudolf Hilferding, Isaac Rubin, Roman Rosdolsky, entre outros inúmeros intérpretes da obra de Marx, soa como platitudes afirmações como: “O capital financeiro resulta da centralização e concentração do capital bancário, industrial e mercantil” ou “A maior parte dessa massa de juros e dividendos nunca deixa a arena dos mercados financeiros”. Parece que os materialistas até hoje só dão valor à produção material…

O Cão de Guarda Que Não Latiu — A Crise Financeira e o Desaparecimento do Jornalismo Investigativo

watchdog_coverEleonora Lucena (FSP, 22/03/14) avalia que, por parcialidade, arrogância, falta de visão e de investimentos, a mídia nos EUA falhou: não alertou o público sobre a construção da crise que explodiu em 2008 e que ainda reverbera no mundo. O noticiário se contentou em ouvir versões róseas de executivos financeiros, não investigou a realidade e deixou seus leitores sem informação relevante.

Pior: reforçou uma avaliação errada da situação e serviu aos interesses do mercado financeiro. A análise desse retumbante fracasso é do jornalista Dean Starkman, que dissecou arquivos, fez entrevistas e pesquisou a história de publicações.

O resultado está em “The Watchdog That Didn’t Bark – The Financial Crisis and the Disappearence of Investigative Journalism” [O cão de guarda que não latiu -- A crise financeira e o desaparecimento do jornalismo investigativo], livro obrigatório para jornalistas — e não só.

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Tementes de Deus

Big Brother DivinoExperimentos de Laboratório

Não é incomum, geralmente, domingo pela manhã, no Bairro Cidade Universitária, ao lado do Campus da Unicamp, uma dupla de senhores ou senhoras idosas bater a campanhia à minha porta e me perguntar: “Você é temente de Deus?“. Respondo: “Não te minto: Deus não existe. Sou ateu.” Olham-me como tivesse vendo o diabo personificado e, pior, não consigo conter um sorriso vitorioso… Como tivesse com o capeta no corpo! :)

Reinaldo José Lopes (FSP, 25/01/14) dá uma dica advinda de pesquisa de ponta em Psicologia para quem organiza reuniões de condomínio: para minimizar a chance de que alguém tente passar a perna nos demais presentes, pinte um grande olho na parede do salão.

Parece ridículo, mas é um conselho apoiado por fortes evidências experimentais. Quando voluntários que participam de jogos nos quais há a chance de trapacear veem fotografias ou desenhos de olhos, a chance de que alguém burle as regras cai.

Gente vigiada é gente bem comportada“, diz Ara Norenzayan, pesquisador da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), e autor de “Big Gods” (“Deuses Grandes“).

No livro, ainda sem versão no Brasil, Norenzayan argumenta que essa é a principal razão pela qual a maioria dos seres humanos em sociedades complexas acredita em divindades preocupadas com o comportamento ético: reais ou não, tais figuras ajudam a controlar a tentação de passar a perna nos outros.

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Artigos de David Dequech

Dequech outra foto

Meu colega do IE-UNICAMP, David Dequech, ficou feliz com meu interesse em seu trabalho teórico, reconhecido em publicações internacionais. Como eu lhe pedi para me enviar vários dos seus artigos, ele separou a seguinte lista de artigos que, pelo que conversamos, imaginou que podem me interessar mais. Listou-os em uma ordem sugerida para a leitura.

Quase todos se encaixam na temática do comportamento econômico e sua relação com as instituições. Acrescentou também um sobre moeda e outro sobre convenções financeiras, dado o meu interesse nesses assuntos. Autorizado, compartilho a lista com os leitores deste modesto blog. Vou postar os artigos em pdf em uma série de posts, acompanhados de pequenos resumos.

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