Polarização Política e Paralisia Decisória

Índice de Conflito Partidário

Quanto mais eu conheço os EUA, confirmo a impressão que “o que é bom para os EUA nem sempre é bom para o Brasil”. É o contrário do que acham os PhDs que lá vão sofrer uma lavagem cerebral — e perdem a consciência do mal que fazem aos outros e a si próprio. Por exemplo, ter um mercado de ações que define uma economia de bolhas é bom para os trabalhadores assalariados? Os efeitos-riqueza seguidos de explosão das bolhas e desemprego não levam a uma volatilidade tremenda, arrasando a vida de milhares de pessoas que têm de entregar suas casas hipotecadas?

Outro exemplo, no campo político, o bi-partidarismo paroquial é bom? O governo federal não vira refém de deputados e senadores, inclusive os do próprio partido governista, voltados, exclusivamente, para os interesses de suas bases distritais, pouco se lixando para o interesse maior do resto do País? Aqui, o toma-lá-dá-cá é mais negociável

Sérgio Lamucci (Valor, 07/08/14) informa que o acirramento das tensões partidárias nos EUA afeta a economia do país, prejudicando o investimento privado, o emprego e o crescimento e elevando o déficit público, mostra um estudo do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) da Filadélfia. “Acredito que o conflito partidário foi uma das principais causas da lenta retomada depois da Grande Recessão [que durou de 2007 a 2009]“, disse a economista Marina Azzimonti, a autora do trabalho. “As pessoas simplesmente não sabiam o que esperar em termos de política do governo, e isso as paralisou.” Continuar a ler

Farinha (Ruim) do Mesmo Saco

 

Taxa de DesempregoTaxa de Inflação - IPCABalanço Comercial 2007-2014Se a economia está crescendo pouco, em fase com a maior crise mundial desde a de 1929, isso pouco diz respeito ao eleitor se ele estiver empregado. O que mais interessa aos trabalhadores é o aumento real dos salários e o menor nível de desemprego da história econômica registrada em estatísticas.

Aécio e Marina, ao contrário, têm que justificar porque, além da ambição pessoal, os eleitores deveriam votar neles se eles não vão melhorar a qualidade de suas vidas, pelo contrário, tendem a piorar com o ajuste neoliberal via aumento do desemprego e queda dos custos salariais para as empresas mais lucrarem. Na definição da linha neoliberal, que pretendem seguir, ambos com assessores assumidamente em favor do livre-mercado, asseguram que vão retomar o tripé macroeconômico sustentado no regime de metas para a inflação, taxa de câmbio flutuante e superávit nas contas públicas.

Esse tripé produziu péssimos resultados no final do governo FHC e a imprensa oposicionista o mitifica, usando do expediente de que uma mentira repetida, reiteradamente, pode ser inculcada nas mentes dos eleitores como fato verdadeiro. Ele foi abandonado desde o início do governo Lula-Dilma. Este aumentou o superávit primário até que a dívida pública líquida caísse abaixo de 35% do PIB, baixou a taxa de câmbio de quase R$ 4 para ~R$ 2,30, diminuiu a taxa de juros real para 4,5% aa e ampliou o crédito como nunca o governo FHC fez: de 21,8% para 56% do PIB. Tripé?! Continuar a ler

O Que Está Em Jogo nas Eleições de 2014: Continuidade ou Retrocesso

6JornadaBrasilInteligenteEletronico

Prezad@s,

veja o convite para a 6ª Jornada Brasil Inteligente, que acontece no dia 22 de agosto de 2014 (sexta-feira), a partir das 14 horas, no auditório do Seesp, em São Paulo. Será possível acompanhar o evento também pela internet pelo link que estará disponível no site da CNTU (WWW.cntu.org.br).

Download da Apresentação do Fernando Nogueira da CostaO Que Está Em Jogo nas Eleições de 2014 – Continuidade do Avanço ou Retrocesso

Liberal Clássico X Neoliberal Conservador

neoliberalismo

Renato Janine Ribeiro é professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP). Foi diretor de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) entre 2004 e 2008. Publicou diversos livros, com destaque para “Ao leitor sem medo – Hobbes escrevendo contra o seu tempo”, “A última razão dos reis”, “A Universidade e a Vida Atual”, “O Afeto autoritário – televisão, ética, democracia”, “A sociedade contra o social”, ganhador do Prêmio Jabuti de Ensaio em 2001, e “Politica – para não ser idiota”, em parceria com Mário Sérgio Cortella. Apreciei seu artigo (Valor, 11/08/14) em que distingue bem o que seria um liberal clássico em relação a um neoliberal conservador, encontrado tipicamente no Brasil.

“Defendo o diálogo entre as forças democráticas, isto é, a esquerda e a direita não autoritárias. Mas, como minhas simpatias estão com a esquerda moderada, quero expor o que poderia ser um programa audacioso e avançado de direita ou, se preferirem, liberal. Parto da grande tese do liberalismo: cada indivíduo tem capacidades únicas, notáveis, que para florescerem só precisam que sejam removidas as ervas daninhas. O Estado ou qualquer externalidade, inclusive as Igrejas, mais prejudicam do que ajudam. Claro que essas instituições devem remover obstáculos – e o grande exemplo é a repressão policial ao crime – mas não devem impor direção às riquezas singulares de cada pessoa.

Liberal nada tem a ver com “libertarian“, expressão frequente só nos Estados Unidos e que não se confunde com libertário, que no resto do mundo é sinônimo de anarquista. O anarquista é contra o poder – do Estado, da Igreja, do capital ou do partido. Já o “libertarian” [neoliberal] é só contra o poder estatal, mesmo democrático; mas aceita a desigualdade social, mesmo aguda, ou o poder econômico, mesmo abusivo. Muito ao contrário disso, todo liberal autêntico tem uma teoria do homem, literalmente uma “antropologia”, que afirma a riqueza inesgotável de cada indivíduo. Ora, o resultado lógico dessa convicção é que ele defenda uma radical igualdade de oportunidades, para que todas as flores, na sua diferença, floresçam. Continuar a ler

Debate Tacanho

Ultraliberal GianettiUm debate tacanhoque ou quem é falto de clareza de ideias, de largueza de alma; estúpido — reuniu ontem (18/08/14)  assessores econômicos de Aécio Neves (Mansueto Almeida, neoliberal do IPEA, ex-assessor do ex-senador cearense Tasso Jeireissati, ex-presidente do PSDB) e Marina Silva (esta figura ao lado, ultraliberal, guia econômico-espiritual da messiânica Marina, que saiu da USP para prestar serviços diretamente a O Mercado no INSPER, ex-IBMEC, do fundador do Banco Garantia) e o trânsfuga ex-secretário de Política Econômica de Antonio Pallocci (Marcos Lisboa, ex-FGV-RJ, ex-Itau-Unibanco, VP da INSPER).

Naturalmente, essa mesa composta só de oposicionistas se reuniu com a missão de atacar o governo social-desenvolvimentista sem apresentar-lhe o direito de defesa. O ataque foi organizado pela “insuspeita consultoria”(sic) — Empiricus — que, sistematicamente, solta panfletos direitistas para seus clientes e já entrou em conflito com a campanha de Dilma Rousseff.

O economista Eduardo Giannetti, que dá a linha ultraliberal ao estafe de Marina, acrescentou um comentário totalmente preconceituoso às críticas contumazes ao governo. À pergunta da plateia, sobre onde os economistas do governo estudaram, ele estendeu a análise ao que considerou visão restrita advinda da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), “base de formação”, segundo o professor Giannetti, de profissionais hoje atuantes no governo. E responsabilizou a ditadura (1964-1985) pelo fato!

“O regime militar é culpado disso. A Unicamp é um produto típico do regime militar”, afirmou o economista, vendo como consequência do autoritarismo “um grupo que se fecha religiosamente em torno de um pensamento desconectado do mundo”. [?!] Compare seus livros superficiais de auto-ajuda com as pesquisas empíricas feitas no IE-UNICAMP!

O idiota faz uma correlação com a época em que foi fundada a Escola de Campinas, formada justamente por economistas resistentes à ditadura, e deduz que “a Unicamp é um produto típico do regime militar”! Continuar a ler

Livre-Natureza X Livre-Mercado

Corrida Eleitoral

Nesta eleição, ao contrário da eleição de 2010, quando os dois candidatos que chegariam ao segundo turno (Dilma e Serra) esperavam contar com os votos dos eleitores de Marina Silva, esta candidata receberá críticas dirigidas ao seu “pensamento criacionista-sonhático“. O que é isto?! Mistura de “criacionismo” — rejeição, por motivação religiosa, de certos processos biológicos científicos, particularmente, a Teoria da Evolução de Charles Darwin — e rejeição ao pragmatismo político que exige alianças políticas no Congresso para conseguir governar o País.

Ela terá que provar que saberá governar o País sem o desmanche dos projetos social-desenvolvimentistas, em andamento, seja na Amazônia (hidrelétrica do Belo Monte), seja no Pré-Sal. Continuar a ler

Tucanistão (por Vladimir Safatle)

vladimir safatleVladimir Safatle é professor livre-docente do Departamento de Filosofia da USP (Universidade de São Paulo). Publicou (FSP, 05/08/14) o seguinte artigo, desde já, um “clássico da ironia política”.

“Bem-vindos ao Tucanistão, a terra da plena felicidade. Vocês acabam de desembarcar no aeroporto internacional que leva o nome do fundador de nossa dinastia, governador de nossa terra há 32 anos. Desde então, nossa amada dinastia está presente no coração de nosso povo de maneira praticamente ininterrupta. Continuar a ler