Retrospectiva: Petrobras na Era Neoliberal

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1993 – Como ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso fez um corte de 52% no orçamento da Petrobrás previsto para o ano de 1994, sem nenhuma fundamentação ou justificativa técnica. Ele teria inviabilizado a empresa se não tivesse estourado o escândalo do orçamento, envolvendo vários parlamentares apelidados de “anões do orçamento”, no Congresso Nacional, assunto que desviou a atenção do País, fazendo com que se esquecessem da Petrobrás. Todavia, isto causou um atraso de cerca de 6 meses na programação da empresa, que teve de mobilizar as suas melhores equipes para rever e repriorizar os projetos integrantes daquele orçamento;

1994 – ainda como ministro da Fazenda, com a ajuda do diretor do Departamento Nacional dos Combustíveis, manipulou a estrutura de preços dos derivados do petróleo, de forma que, nos 6 últimos meses que antecederam o Plano Real, a Petrobrás teve aumentos mensais na sua parcela dos combustíveis em valores 8% abaixo da inflação. Por outro lado, o cartel internacional das distribuidoras de derivados teve aumentos de 32%, acima da inflação, nas suas parcelas. Isto significou uma transferência anual, permanente, de cerca de US$ 3 bilhões do faturamento da Petrobrás, para o cartel dessas distribuidoras.

A forma de fazer isto foi através dos dois aumentos mensais que eram concedidos aos derivados, pelo fato de a Petrobrás comprar o petróleo em dólares, no exterior, e vender no mercado em moeda nacional. Havia uma inflação alta e uma desvalorização diária da nossa moeda. Os dois aumentos repunham parte das perdas que a Petrobrás sofria devido a essa desvalorização. A Petrobrás vendia os derivados para o cartel e este, além de pagá-la só 30 a 50 dias depois, ainda aplicava esses valores e o valor dos tributos retidos para posterior repasse ao tesouro no mercado financeiro, obtendo daí vultosos ganhos financeiros em face da inflação galopante então presente. Quando o Plano Real começou a ser implantado com o objetivo de acabar com a inflação, o cartel reivindicou uma parcela maior nos aumentos porque iria perder aquele duplo e absurdo lucro. Continuar a ler

Nordestinos e Cariocas: Não Invalidem Votos, Votem 13!

Votos Inválidos

Infelizmente, tenho visto manifestações de alguns amigos moradores da Zona Sul, ex-petistas que “marinaram”, pregando voto nulo a la Eduardo Viveiros de Castro — antropólogo ultraradical que reage contra a evolução da civilização defendendo “a volta à tribo e/ou à livre-natureza”. O voto nulo poderá sim levar ao retrocécio, i.é, à volta ao livre-mercado. É cômodo adotar uma postura olímpica — “estou acima de todos, nada me atinge e não voto em ninguém” — com uma autojustificativa falsamente moralista, quando, na realidade, aceita ser parasita da desigualdade social existente.

Ricardo Mendonça (UOL, 12/10/14) informa que, na apuração, votos nulos e brancos produzem o mesmo resultado: são descartados e não exercem influência na ordenação dos candidatos vencedores. Esses dois tipos de manifestação, porém, têm disposições geográficas bastante distintas, peculiaridades de difícil explicação e genealogias que podem ter prejudicado a presidente Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno.

Algumas dessas características ficam nítidas em mapas que mostram a distribuição de brancos e nulos da disputa presidencial.

Na eleição do domingo (5 de outubro de 2014), os votos nulos foram registrados proporcionalmente com mais intensidade no Nordeste, no Rio e em alguns pontos dispersos de outros Estados.

Já os votos brancos ocorreram com mais força em São Paulo, no Rio Grande do Sul, numa estreita faixa litorânea de parte do Nordeste e nas áreas expandidas de Belo Horizonte, Rio e Vitória.

Essa diferenciação bem demarcada na distribuição de nulos e brancos foi percebida pelo geógrafo francês Herve Thery, professor visitante da USP, ao fazer estudos cartográficos com dados da eleição. Continuar a ler

DNA do Antipetismo

coxinha antipetista antipetismo

Para avanço da Ciência Política, dentro do critério estrito do monismo metodológico — visão segundo a qual existe apenas uma metodologia comum tanto para as Ciências Sociais quanto para as Naturais, opondo-se à afirmativa do pluralismo metodológico de que as Ciências Sociais não podem empregar a metodologia das Ciências Naturais –, está sendo testada em laboratório brasileiro, durante a atual campanha eleitoral, se a hipótese de que “a direita é burra” é válida para todo o mundo. As demonstrações, aqui e até agora, estão provando-a com grande “eficiência”, vernáculo cultuado por seus adeptos mauricinhos, coxinhas e bombados!

Esse teste de hipótese é a continuidade (ao vivo) de um estudo realizado por acadêmicos da Universidade Brock, em Ontário, no Canadá, amplamente divulgado pela rede social. A hipótese original é que pessoas com opiniões políticas de esquerda tendem a ser mais inteligentes do que aquelas com visões de mundo de direita. Continuar a ler

Jeito Tucano de Governar: Sem Política Preventiva do Apagão de 2001 e da Seca de 2014

AguaSertao

O nível do sistema Cantareira, principal manancial do Estado de São Paulo, baixou para 4,7% no dia 13 de outubro de 2014. Esse nível é o mais baixo já registrado pela Sabesp, estatal estadual paulista de saneamento e fornecimento de água. A crise hídrica deve continuar, pois não há previsão de chuva significativa, brevemente, na região Sudeste.

Em Campinas, no interior paulista, cerca de 20% da população de 1,1 milhão de habitantes ficou sem fornecimento de água, de acordo com a Sanasa (empresa mista de saneamento e esgoto). Será possível os eleitores, que não souberam canalizar seus votos contra quem é responsável pelo planejamento preventivo no sentido de evitar crises hídricas — o governo tucano que abomina prevenção com base na fé cega que “Deus-Mercado tudo dará” –, votará no candidato tucano para a Presidência da República?! Não bastou a experiência do apagão da energia elétrica em 2001?! Continuar a ler

Quem é o herdeiro da dinastia política dos Neves de São João d’El Rey das Minas Gerais

AécioIgnácio Delgado enviou-me, diretamente de Juiz de Fora, um depoimento documentado de mineiro que conhece bem Aécio, o herdeiro da dinastia política dos Neves de São João d’El Rey das Minas Gerais.

A Rede Globo de Televisão construiu, meticulosamente, a imagem de Collor de Mello, o “caçador de marajás”, que, afinal, elegeu-se presidente em 1989. O empenho na construção da imagem de Aécio Neves, também neto e filho de políticos, envolveu até a produção de uma minissérie inspirada no senador, que hoje tenta se apresentar como um “príncipe encantado” a seduzir a nação brasileira. Na realidade, é um “sapo”…

(http://rudaricci.blogspot.com.br/2012/01/brado-retumbante-e-o-inicio-da-disputa.html e http://dialogospoliticos.wordpress.com/2012/05/22/rede-globo-contrata-braco-direito-do-senador-aecio-neves-psdb-mg/).

Aécio, sem dúvida, é um personagem herdeiro de dinastia política tal como o Collor das Alagoas. Seu projeto político reedita, nos dias de hoje, a mesma perspectiva que guiava as opções do neoliberalismo no início da década de 1990:

  1. a prevalência absoluta dos interesses de O Mercado e do capital estrangeiro,
  2. o rechaço a políticas desenvolvimentistas e de inclusão social,
  3. o casamento do rentismo com o entreguismo.

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