Nordeste: Desde 2002 Mais de 70% Vota no PT

Intenção de votos válidos por regiãoFernando Rodrigues talvez tenha se precipitado ao observar que Dilma e Aécio tem no dia 21/10/2014 percentuais iguais aos de Collor e Lula em 1989. No entanto, ele alertou que  “as coincidências entre 1989 e 2014 terminam quando são analisadas as diferentes regiões do país. Em 1989, a uma semana do pleito, Lula vencia Collor no Sudeste por 54% a 46% das intenções de votos válidos e perdia no Nordeste, de 45% a 55%. Hoje a situação é inversa para a petista Dilma Rousseff. Ela ganha de Aécio Neves (PSDB) no Nordeste de 70% a 30% e perde no Sudeste, de 44% a 56%.”

Pior ocorreu quando Rodrigues descambou a fazer  a tradicional campanha midiática antipetista. “Naquela época, parte da elite intelectual carioca e paulistana apoiava o candidato petista. Era “cool” votar no PT quando a legenda exalava um tom novidadeiro e parecia imune a desvios éticos ou corrupção. Por outro lado, o voto do Nordeste era mais ligado aos antigos coronéis locais, todos ligados à candidatura de Collor. Agora, 25 anos depois, o PT passa calor para conseguir votos da população urbana do Sudeste, insatisfeita com a sequência de escândalos de desvios de verba e a péssima qualidade dos serviços públicos. A imagem do petismo de hoje guarda poucas semelhanças com a de 1989. Já no Nordeste, beneficiado por políticas sociais bem-sucedidas do governo petista (o Bolsa Família, por exemplo), o voto em Dilma significa a continuidade de um projeto que reduziu a miséria extrema.”

Essa é uma falsa hipótese de clientelismo político ou “curral eleitoral”. Se ele tivesse analisado sem parti pris os dados que ele divulga neste seu post (ver acima), ele a teria falseado, pois desde 2002 o patamar mínimo dos candidatos do PT na região Nordeste é 70%! Portanto, antes mesmo de ser “beneficiado por políticas sociais bem-sucedidas do governo petista”… 

Outro ponto é sua precipitação na análise: ele não aguardou a onda vermelha abrir “a boca do jacaré”! Continuar a ler

Fla-Flu Eleitoral (por Xico Sá)

Indústria Naval Antes X Depois de 2003Um Desagravo a Xico Sá e a íntegra do seu texto censurado

Recebi a seguinte mensagem por e-mail. “O texto de Xico Sá, soma-se a tantos outros, de quem viveu e viu as diferenças que ocorreram no País de 2003 para cá. O que também mudou, entretanto, e por isso agora podemos ter voz, é que estas maravilhosas mídias sociais online, nos permitem “peitar” quem sempre falou e ditou o que era o certo e o errado neste País e no resto do mundo. Atualmente, um simples texto de 140 caracteres enviado pelo Twitter, pode inverter ou quebrar a pauta dos maiores gigantes da dita mídia tradicional. E foi mesmo pelo Twitter que Sá denunciou a censura que sofreu sua coluna. Motivou vários outros a fazer o mesmo. Posteriormente, o texto foi publicado, mas pela Ombudsman da Folha, após manifestação de Xico a ela. Por tudo isso, também declaro aqui o meu voto.”

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Retrospectiva: Petrobras na Era Neoliberal

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1993 – Como ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso fez um corte de 52% no orçamento da Petrobrás previsto para o ano de 1994, sem nenhuma fundamentação ou justificativa técnica. Ele teria inviabilizado a empresa se não tivesse estourado o escândalo do orçamento, envolvendo vários parlamentares apelidados de “anões do orçamento”, no Congresso Nacional, assunto que desviou a atenção do País, fazendo com que se esquecessem da Petrobrás. Todavia, isto causou um atraso de cerca de 6 meses na programação da empresa, que teve de mobilizar as suas melhores equipes para rever e repriorizar os projetos integrantes daquele orçamento;

1994 – ainda como ministro da Fazenda, com a ajuda do diretor do Departamento Nacional dos Combustíveis, manipulou a estrutura de preços dos derivados do petróleo, de forma que, nos 6 últimos meses que antecederam o Plano Real, a Petrobrás teve aumentos mensais na sua parcela dos combustíveis em valores 8% abaixo da inflação. Por outro lado, o cartel internacional das distribuidoras de derivados teve aumentos de 32%, acima da inflação, nas suas parcelas. Isto significou uma transferência anual, permanente, de cerca de US$ 3 bilhões do faturamento da Petrobrás, para o cartel dessas distribuidoras.

A forma de fazer isto foi através dos dois aumentos mensais que eram concedidos aos derivados, pelo fato de a Petrobrás comprar o petróleo em dólares, no exterior, e vender no mercado em moeda nacional. Havia uma inflação alta e uma desvalorização diária da nossa moeda. Os dois aumentos repunham parte das perdas que a Petrobrás sofria devido a essa desvalorização. A Petrobrás vendia os derivados para o cartel e este, além de pagá-la só 30 a 50 dias depois, ainda aplicava esses valores e o valor dos tributos retidos para posterior repasse ao tesouro no mercado financeiro, obtendo daí vultosos ganhos financeiros em face da inflação galopante então presente. Quando o Plano Real começou a ser implantado com o objetivo de acabar com a inflação, o cartel reivindicou uma parcela maior nos aumentos porque iria perder aquele duplo e absurdo lucro.

Continue a ler o depoimento de uma servidora pública da Petrobras na época em:

FHC e os Estragos Produzidos na Petrobras

Recordar é viver…

Obs: como é praxe de quem apoia candidatura de machista-homofóbico, que agride até mulheres, contra esses argumentos recebi xingamentos da campanha do Aécio nos “elegantes” termos: “O maior erro do PSDB foi não ter conseguido privatizar a Petrobras, Eletrobras, Furnas e todos os outros cabides de PTralhas espalhados pelo país.” Vejam o que os aecistas estão prometendo caso ele seja eleito: privatização do patrimônio público brasileiro para fazer a “caça às bruxas”!

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Nordestinos e Cariocas: Não Invalidem Votos, Votem 13!

Votos Inválidos

Infelizmente, tenho visto manifestações de alguns amigos moradores da Zona Sul, ex-petistas que “marinaram”, pregando voto nulo a la Eduardo Viveiros de Castro — antropólogo ultraradical que reage contra a evolução da civilização defendendo “a volta à tribo e/ou à livre-natureza”. O voto nulo poderá sim levar ao retrocécio, i.é, à volta ao livre-mercado. É cômodo adotar uma postura olímpica — “estou acima de todos, nada me atinge e não voto em ninguém” — com uma autojustificativa falsamente moralista, quando, na realidade, aceita ser parasita da desigualdade social existente.

Ricardo Mendonça (UOL, 12/10/14) informa que, na apuração, votos nulos e brancos produzem o mesmo resultado: são descartados e não exercem influência na ordenação dos candidatos vencedores. Esses dois tipos de manifestação, porém, têm disposições geográficas bastante distintas, peculiaridades de difícil explicação e genealogias que podem ter prejudicado a presidente Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno.

Algumas dessas características ficam nítidas em mapas que mostram a distribuição de brancos e nulos da disputa presidencial.

Na eleição do domingo (5 de outubro de 2014), os votos nulos foram registrados proporcionalmente com mais intensidade no Nordeste, no Rio e em alguns pontos dispersos de outros Estados.

Já os votos brancos ocorreram com mais força em São Paulo, no Rio Grande do Sul, numa estreita faixa litorânea de parte do Nordeste e nas áreas expandidas de Belo Horizonte, Rio e Vitória.

Essa diferenciação bem demarcada na distribuição de nulos e brancos foi percebida pelo geógrafo francês Herve Thery, professor visitante da USP, ao fazer estudos cartográficos com dados da eleição. Continuar a ler

DNA do Antipetismo

coxinha antipetista antipetismo

Para avanço da Ciência Política, dentro do critério estrito do monismo metodológico — visão segundo a qual existe apenas uma metodologia comum tanto para as Ciências Sociais quanto para as Naturais, opondo-se à afirmativa do pluralismo metodológico de que as Ciências Sociais não podem empregar a metodologia das Ciências Naturais –, está sendo testada em laboratório brasileiro, durante a atual campanha eleitoral, se a hipótese de que “a direita é burra” é válida para todo o mundo. As demonstrações, aqui e até agora, estão provando-a com grande “eficiência”, vernáculo cultuado por seus adeptos mauricinhos, coxinhas e bombados!

Esse teste de hipótese é a continuidade (ao vivo) de um estudo realizado por acadêmicos da Universidade Brock, em Ontário, no Canadá, amplamente divulgado pela rede social. A hipótese original é que pessoas com opiniões políticas de esquerda tendem a ser mais inteligentes do que aquelas com visões de mundo de direita. Continuar a ler