Marina, a candidata da mudança (Por Gustavo Castañon*)

Visualizar o vídeo Testemunho de Marina Silva (o milagre da conversão) do YouTube

Caso a missionária seja eleita, como ficará o Estado laico?! 

“Há um sentimento de mudança no ar. 12 anos de governo do PT desgastaram o partido na opinião pública. É natural. As contradições inevitáveis do exercício do poder, a relação com um congresso fisiológico, os interesses contrariados, os acordos inerentes à democracia, os escândalos. É mesmo surpreendente que chegue ao cabo desse período ainda como o partido de um quarto dos brasileiros e tendo o voto de metade deles.

Nesse cenário, surge a candidatura de Marina Silva, que encarna, sem sombra de dúvidas, a mudança, como provarei com os links abaixo. A começar pela mudança do cenário eleitoral. Depois de um suspeito desastre de avião (que alguns acreditam se tratar de um assassinato), Marina assumiu o lugar de Eduardo Campos como a candidata do PSB à presidência. Continuar a ler

À Procura de Homens de Bens

Diógenes-Marina

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou que vai criar “comitê de busca” em seu governo, caso ganhe as eleições, para encontrar gente para ocupar cargos no governo. “Vamos criar um comitê de busca de homens de bens”, disse.

No “país da piada-pronta”, logo, um gaiato comentou: “Basta ler a lista de bilionários da Forbes para achar homens de bens…” Outro se apresentou: “tenho a coleção completa do Pasquim, uma bicicleta, um relógio Roskopf… e uma garrucha velha!”

Conta a história que, há mais de 2000 anos, quando o filosofo grego Diógenes de Sinope andava pelas ruas de Atenas, em plena luz do dia, com uma lanterna acesa, perguntaram-no a razão para tal atitude. Ele respondeu: “estou à procura de um Homem Honesto…”

Marina do Acre vai transferir “a lanterna” para um Comitê. Todos servidores públicos sabem que, quando ninguém quer assumir uma responsabilidade pessoal, transfere-a para um Comitê, onde a responsabilidade é diluída em um pretenso “saber coletivo” mais sábio do que o “saber individual”. Nada mais falso. Continuar a ler

Contra-Propaganda: Socialites com Socialistas

“Acho que a gente tá cansado de promessas, da corrupção, da incapacidade, de interesses outros que não são os da população. Eu não corroboro com a postura de ‘Isso aqui tá muito ruim, vou embora, vou pra Miami, e dane-se o Brasil, dane-se o povo, a economia’.”  Cansei… De novo?! Quem herdou cansa logo, né?

*

Foi com esse “cansaço” que Rosangela Lyra, 49, presidente da Associação de Lojistas dos Jardins, abriu o encontro que promoveu na noite de terça-feira entre representantes da elite paulistana e profissionais liberais (“tem gente que veio de metrô, de ônibus!”) com dois dos coordenadores da campanha de Marina Silva à Presidência, Walter Feldman e Bazileu Margarido, e o representante da Rede Sustentabilidade, Lucas Brandão.

Na plateia de cerca de 70 socialites estavam Ana Paula Junqueira, a empresária Bia Aydar e as donas das grifes Ornare, Lita Mortari e Tigresse. “Foi uma galera bem interessada. Todo mundo ali ama o país. Riscamos o deixe-o da frase ‘Brasil, ame-o ou deixe-o’. Essa coisa de dane-se, vamos morar em Miami, tá errado.” A anfitriã lançou nas redes sociais as hashtags #nãofujo, #nãomeomito #ficoporqueacredito. :)

“Marina tinha algumas ideias, mas a gente acredita que, com o passar dos anos, ela pode ter mudado…”  Sem dúvida, sem dúvida… :)

Foi aplaudindo essa mudança em direção ao conservadorismo que Rosangela Lyra justificou o encontro que organizou no dia 9 de setembro de 2014, em São Paulo, entre integrantes da elite paulistana e parte da equipe de Marina Silva (PSB), segundo Marina Dias e Lygia Mesquita (FSP, 11.09/14) Continuar a ler

Golpe Demo-midiático

IMIL

O Instituto Millenium (Imil) é uma entidade sem fins lucrativos (?!) e sem vinculação político-partidária (sic) com sede no Rio de Janeiro. “Formado por intelectuais e empresários, o think tank promove valores e princípios que garantem uma sociedade livre, como liberdade individual, direito de propriedade, economia de mercado, democracia representativa, Estado de Direito e limites institucionais à ação do governo.” Precisa dizer mais o que?

Para caracterizá-lo, ideologicamente, basta verificar que alguns nomes conhecidos de O Mercado Financeiro e das Organizações Globo que são seus fundadores: Gustavo Franco, Gustavo Marini, Henrique Meirelles, Paulo Guedes, Pedro Bial e Rodrigo Constantino! Sim, antipetistas de carteirinha, esses militantes compõem a elite da direita brasileira organizada. Armínio Fraga (ex-futuro Ministro da Fazenda do Aécio) e João Roberto Marinho (O Globo), entre outros, estão em sua Câmara de Mantenedores.

Com espaço na grande mídia e forte apoio do empresariado, essa entidade desenvolve papel fundamental no projeto da direita. Débora Prado (Caros Amigos, Edição 185, agosto de 2012) escreveu a reportagem intitulada “Instituto Millenium: A Verdadeira Face Que A Direita Oculta”. Leandro Fortes (CartaCapital, 02/01/2013) publicou “Saudade de 1964″. Ambas matérias estão disponíveis para download abaixo. Vale a releitura, pois seus membros ou simpatizantes estão participando ativamente das duas principais campanhas de oposição. Fizeram “hedge político“, dividindo-se: Eduardo Giannetti e André Lara Rezende na campanha da Marina e Armínio Fraga, Samuel Pessôa, Mansueto de Almeida, entre outros neoliberais midiáticos, na campanha de Aécio. Continuar a ler

Quinta-colunismo e Falta de Credibilidade

Lobo em Pele de Ovelha

Quinta-coluna é uma expressão usada para se referir a grupos clandestinos que atuam, dentro de um partido em disputa eleitoral com outro, ajudando o inimigo, espionando e fazendo propaganda subversiva, ou seja, atuando em prol da facção rival. Então, o termo é usado para designar todo aquele que atua dentro de um grupo, praticando ação traiçoeira em favor de um grupo rival. O quinta-colunismo não se dá no plano puramente militar mas também por meio da sabotagem ou da difusão de boatos, “atacando de dentro” ou procurando desmobilizar uma eventual reação à agressão externa.

Raquel Ulhôa e Rosângela Bittar (Valor, 05/09/14) apontam a manobra marineira que, ao anunciar a decisão de não disputar novo mandato caso seja eleita presidente da República em outubro de 2014 — decisão inédita no país desde a aprovação da reeleição no Governo FHC –, Marina Silva (PSB) abre um leque de oportunidades para aliados e adversários e estimula os partidos a darem início à construção de candidaturas para 2018.

A informação, dada com tanta antecedência, antes de ganhar a eleição e assumir o governo, tem, segundo avaliam círculos próximos a Marina, endereço certo: é gesto em direção ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não quis voltar agora, apesar do movimento do PT a seu favor, e tenta reeleger Dilma Rousseff, mas é nome na chapa petista em 2018, segundo ele próprio já anunciou. Marina, com a antecipação, avisa que não disputará com ele.

Outro endereço a que está dirigida a informação é a da tendência do PT que não concordasse em ficar oito anos fora do poder, caso Marina fizesse bom governo e pudesse ser reeleita. Será possível?!

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Contradições do Programa do PSB

blogue-marina-charge-com-marina-silva

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. Publicou artigo (Valor, 01/09/14) analisando o programa eleitoral do PSB. Reproduzo abaixo uma parte de sua análise.

“(…) quando chegamos à página 15, um “box” pretende traduzir este arrazoado – sério, correto, prioritário – em medidas que devam “deflagrar” a reforma política. Contudo, esse minirresumo executivo não bate com a filosofia antes exposta. Os meios não dialogam com os fins!

Da filosofia se passa para medidas práticas – mas sem relação com ela. No “box”, é só política institucional.

O que se propõe de prático e de imediato? Continuar a ler

Programa do PSB: Oportunismo Eleitoreiro e Esquecimento do Socialismo!

Programa do PSB

Cristian Klein, Cristiane Agostine, Daniela Chiaretti e André Guilherme Vieira (Valor, 01/09/14) apontam o essencial das propostas da candidatura do PSB:

De um lado, menos intervenção estatal na economia, ou seja, retorno ao neoliberalismo.

De outro, no campo dos valores e costumes, uma defesa menos enfática de bandeiras progressistas, como os direitos da população LGBT – de olho no eleitorado evangélico e que provocou uma rápida mudança no texto, menos de 24 horas após o seu lançamento. O eleitorado composto de “radicais-chic” não se importa com isso?!

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