Vieses Heurísticos

Finanças Comportamentais

Luciana Seabra (Valor, 14/08/14) publicou reportagem sobre Finanças Comportamentais.

“Eles são otimistas em excesso e, quando se enganam, adiam a realização do prejuízo para não assumir o erro. Parecem falhas de investidores comuns, mas elas fazem parte também do dia a dia dos profissionais. O otimismo e a aversão ao arrependimento são os principais vieses emocionais dos gestores de fundos brasileiros, presentes respectivamente em 78% e 76% deles, conforme um estudo do Núcleo de Finanças Comportamentais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A conclusão parte de questionários de 46 perguntas respondidos por 98 gestores.

Os vieses, diz a teoria, são erros sistemáticos de julgamento. Há os do tipo cognitivo, distorções inconscientes na percepção, e os emocionais, relacionados ao instinto e à intuição. Servem de referência ao estudo da FGV os teóricos das Finanças Comportamentais Michael Pompian e Daniel Kahneman, o último premiado com o Nobel de Economia em 2002. Continuar a ler

Educação Financeira do “Brasileiro”

Poupança pessoal

Há uma piada corporativa que diz: “economistas respondem porque são perguntados, não porque saibam a resposta”. Na realidade, é uma verdade!

Analise o caso abaixo em que o jornalista perguntou a economistas “por que os brasileiros pouparam menos neste ano em relação ao ano passado?” Em reação corporativista, nenhum respondeu que foi por causa da “profecias do fim-do-mundo” no Brasil, realizadas por seus colegas “analistas de O Mercado”. Já que o mundo irá se acabar com a reeleição da Dilma, “os brasileiros” (sic) resolveram gastar tudo antes do fim! :)

Toni Sciarretta (FSP, 07/08/14) informa que os brasileiros estão guardando menos dinheiro neste ano do que em 2013. É o que revela pesquisa encomendada pela Serasa Experian ao Ibope Inteligência sobre hábitos de educação financeira do brasileiro. Que sujeito é este?! Você já o viu em algum lugar? Quem é o brasileiro médio representativo da disparidade individual aqui existente? Continuar a ler

Pais Milionários, Filhos Consumistas

Pais Milionários Filhos Consumistas

Ben Steverman (Bloomberg apud Valor, 14/08/14) escreveu artigo sobre Educação Financeira a respeito da chamada “síndrome da colher-de-prata“. As pessoas ricas têm dinheiro para resolver quase todos os seus problemas, com exceção de um: os filhos crescem e muitos se tornam herdeiros preguiçosos, materialistas e infelizes.

Consultores de fortunas que trabalham com os ricos se deparam com isso o tempo todo. Com frequência, os filhos de pais ricos não conseguem caminhar por conta própria, diz ela. Eles iniciam empresas condenadas ao fracasso e vivem trocando de ocupação, ao mesmo tempo em que drenam as contas bancárias do papai e da mamãe (ou seus próprios fundos fiduciários) quando estão na casa dos 30 e além. É um fenômeno para o qual muitos pais e consultores fiscais contribuem, embora não intencionalmente, afirma Coventry Edwards-Pitt em um novo livro sobre o tema, “Raised Healthy, Wealthy and Wise“. Continuar a ler

Investidores Qualificados, Superqualificados e Profissionais: Multimilionários

Faixa de Patrimônio Aplicado

Os leitores deste modesto blog são testemunhas de como tenho me esforçado para avaliar a concentração de riqueza no País, antes mesmo desta onda (positiva) despertada pelo livro de Thomas Piketty, O Capital do Século XXI. Reuno aqui todos os indícios que são publicados. Confira colocando em Pesquisa (canto superior direito) as palavras-chave “milionários”, “bilionários”, “fortuna”, “riqueza”, UHNWI, etc.

O problema é que os dados obtidos por estimativas, muito delas internacionais — segundo a Wealth Insight, foram 194,3 mil brasileiros milionários mapeados no final de 2013–, não batem bem com os indicadores derivados de observações diretas dos registros das instituições financeiras brasileiras. Estas, além de não excluírem a dupla contagem — um investidor com aplicações em diversos bancos –, não incluem o capital imobiliário, mesmo desconsiderando a residência principal na avaliação da fortuna disponível.

Luciana Seabra (Valor, 17/07/14) informa que apenas um total de 3.902 investidores brasileiros poderiam ser chamados de “profissionais” nos moldes da Instrução nº 539 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e, assim, ter acesso a aplicações financeiros mais sofisticados. É esse o número dos que têm pelo menos R$ 20 milhões em patrimônio financeiro. Eles correspondem a apenas 2,9% dos 131 mil investidores hoje chamados pelo mercado de “superqualificados“, que podem aplicar em produtos com tíquete mínimo de R$ 1 milhão. Continuar a ler

Finanças para Aposentadoria

Retrato do Futuro Atual

Sérgio Tauhata (Valor, 12/06/14) avalia que, na busca por entender o futuro, as pessoas costumam olhar para o passado. Entretanto, esse apoio na segurança das experiências já vividas ou testemunhadas pode gerar expectativas que, em grande parte das vezes, não se concretiza. O mesmo efeito ocorre quando se fala em aposentadoria. É o que mostra pesquisa feita pela consultoria Mercer com 1,5 mil aposentados que contribuíram com Planos de Previdência Complementar.

O estudo revela um quadro no qual, para a maioria, a vida ficou mais difícil após a saída do mercado de trabalho. Do total de entrevistados, 63% viram suas despesas permanecer iguais ou aumentar ao mesmo tempo que a renda diminuiu significativamente. Conforme o levantamento, 50% passaram a receber entre 40% e 80% do salário, mesmo se somado o benefício recebido pelo INSS, enquanto outros 40% tiveram uma redução dos recursos da ordem de 60% ou mais em relação à época ativa, também incluída a pensão oficial.

Os dados reforçam a percepção de que, em geral, as condições válidas para uma geração quase nunca vão funcionar para a próxima. O estudo revelou alguns dados e informações muito interessantes e contrárias ao que todo mundo achava. Continuar a ler

Administração de Pequenas Fortunas

desigualdades-sociais

Sérgio Tauhata (Valor, 24/06/14) informa que os dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) sobre a gestão de patrimônio relativos a 2013 fornecem indícios sobre o maior foco dos bancos nos correntistas que formam a base do private banking, a área de administração de fortunas. Segundo o levantamento da entidade, ao mesmo tempo em que houve um crescimento do número de clientes em relação a 2012, foi registrada uma diminuição do volume de recursos per capita.

Conforme as estatísticas, o segmento private como um todo registrou aumento de 11,3% no número de clientes no ano passado, para 54.314, enquanto o patrimônio médio por investidor diminuiu 1,8%, para R$ 10,6 milhões. Ou seja, houve maior entrada de correntistas com menor volume de recursos para os bancos.

público com recursos entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões representa hoje 47 mil indivíduos, ou seja, 87% dos clientes do private. Apesar da maioria numérica, essa base do private tem R$ 135 bilhões em recursos, cerca de um quarto do montante total do segmento, de R$ 591,4 bilhões, de acordo com dados da Anbima. Continuar a ler

Famílias Milionárias no Mundo

Patrimônio global 2013

Famílias milionárias no mundo 2013

Os ganhos no mercado financeiro, em especial na China, elevaram o patrimônio global das famílias em 14% no ano de 2013, para um volume recorde de US$ 152 trilhões – o equivalente a cerca de dez vezes o tamanho da economia americana, segundo um relatório da consultoria Boston Consulting Group.

No Brasil, onde o patrimônio das 70 mil famílias milionárias (sendo 227 famílias com patrimônio financeiro superior a US$ 100 milhões) havia crescido 14% em 2012, a alta em 2013 foi menor – 5,6% – por causa do ritmo mais fraco do mercado de ações e títulos no ano passado.

O patrimônio é calculado levando em conta a poupança, depósitos em dinheiro, ações e outros ativos. Imóveis, artigos de luxo e empresas não são contabilizados. Continuar a ler