Porque a ultra-esquerda brasileira é residual (por Breno Altman)

Caros amigos

Breno Altman é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi. Publicou no site da revista Caros Amigos, em 16 de Setembro de 2014, possíveis respostas para a intrigante pergunta política: Por que a ultra-esquerda brasileira é residual?

“Dificilmente chegará a 2% o total de votos dos candidatos a presidente do PSol, PSTU, PCB e PCO. Mas não é apenas a influência eleitoral desses partidos que é pífia. Também são forças de pouca envergadura no movimento sindical, estudantil e camponês. Não passam de franjas isoladas na intelectualidade. Apesar de tentarem se integrar às manifestações de junho do ano passado, não tiveram papel de relevo e tampouco se constituíram em referência para as massas juvenis que ocuparam as ruas.

Diversos motivos poderiam ser identificados para desempenho tão marginal. Há interpretações sociológicas e políticas de diversas matizes para ajudar a compreender essa fragilidade. Mas creio que existe, ao menos entre seus militantes de boa fé, uma razão de fundo para tamanho isolamento: a política de todas essas correntes é baseada na ideia de hipotética traição do PT ao programa de esquerda e aos interesses do proletariado.

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Rogério Cezar de Cerqueira Leite: Desvendando Marina e suas Milícias

Tucanarina

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, 83, físico, é professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e do Conselho Editorial da Folha. Publicou o artigo (FSP, 31/08/14) e depois (FSP, 09/09/14) respondeu as críticas do que denominou “milícias da Marina”. Reproduzo ambos abaixo. Trata-se de um debate político a respeito do fundamentalismo religioso da Marina, inteiramente válido para o esclarecimento dos eleitores. Não adianta a Marina posar de “vitimização”, devido às críticas, quando em campanha eleitoral se trata de apresentar-se por inteiro, ou seja, sem disfarces.

Desvendando Marina

“A inesperada candidatura da sra. Marina Silva à Presidência da República deixa perplexos tanto a população como a opinião pública, inclusive os mais avisados. Todos reconhecem sua honestidade e inquestionável obstinação pelo progresso do homem brasileiro. Mas, por que então esse embaraço? Essa inquietação? Detecto, em casos extremos, cidadãos bem-intencionados que dizem que votarão em Marina, mas que, consciente ou inconscientemente, preferem que ela perca. Por que essa ambivalência?

Não é por causa de seu apego a questões ecológicas, certamente, pois percebemos que as circunstâncias e as necessidades materiais imporão limites realistas a eventuais ações nesse campo. Não é por medo de inadequação em gestão, pois sua equipe, principalmente aquela que a assistia quando montava o seu partido, a Rede, inclui executivos, economistas e intelectuais reconhecidamente competentes.

Resta considerar suas crenças mais íntimas, inclusive religiosas, por que não? Minha convicção é a de que o comentarista não tem o direito de especular sobre a religião das pessoas que analisa. Todavia, há exceções quando se suspeita que essas crenças possam ter influência no bem-estar do povo. É o caso de fundamentalismos, inclusive o criacionismo. Marina Silva, no passado, admitiu essa sua convicção. Ultimamente, evita discussões sobre o problema. Continuar a ler

Entrevista à Revista Caros Amigos

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A repórter Laís Modelli enviou-me por e-mail uma entrevista para esboçar um perfil da Presidenta Dilma quando era estudante no Doutoramento do IE-UNICAMP. Perguntou-me:

Por que o senhor aceitou orientar o projeto de doutorado da Dilma?

Respondi: “Eu não fui convidado para ser orientador da Dilma. Ela apenas foi minha aluna no curso Economia Monetária e Financeira que eu ministrava na pós-graduação.”

No entanto, na edição nas bancas da Caros Amigos (n. 210, setembro de 2014, Ano XVIII, página 26), aparece na reportagem “A Linhagem dos Candidatos: História de vida e militância de Dilma, Marina e Aécio revelam a que mestre servem” duas vezes que sou ex-orientador do Doutorado da candidata. Feito o reparo, reproduzo abaixo minha entrevista completa. Continuar a ler

Estado Laico X Moral Religiosa Conservadora

Marcha Conservadora

Renata Batista (Valor, 09/09/14) informa que a crescente força da questão religiosa e de debates como o da união civil de homossexuais na política reflete o conservadorismo dos brasileiros. A avaliação é do Ipsos Public Affairs, instituto de pesquisa com atuação em 86 países. O Ipsos acaba de fechar um estudo de comportamento em 20 países, mas as respostas dos brasileiros foram, inicialmente, desconsideradas pelos analistas estrangeiros que consolidaram os dados globais para estudos específicos sobre a questão feminina e sobre as causas homossexuais.

“Eles acharam que tinha alguma coisa errada pois as respostas não eram consistentes com a imagem que tinham do país“, resume o diretor do Ipsos no Brasil, Dorival Mata Machado, que na época estava chegando na empresa e precisou avaliar os resultados ponto a ponto para reverter a situação.

 Para Machado, as respostas também estão distantes do próprio imaginário do brasileiro, que não percebe esse viés. “O conservadorismo moral do brasileiro está mais próximo de países percebidos internamente como mais fechados ou com forte influência religiosa, como China e Índia, do que de vizinhos da América Latina, como a Argentina”, avalia, e faz o contraponto com a imagem externa do país. “Lá fora, existe uma percepção do Brasil não tão conservador. Eles percebem que o país está crescendo, mudando, e não têm ideia de que é uma sociedade calcada em uma posição conservadora, principalmente na base da sociedade. Não conseguem entender a distância entre o Brasil novo e as posições conservadoras”. Em outras palavras, os estrangeiros não entendem a herança maldita de um regime escravocrata, com larga influência da Igreja Católica e agora, pior, da Igreja Evangélica, que coloca em risco o Estado laico em caso da vitória eleitoral da Marina Silva.

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Marina, a candidata da mudança (Por Gustavo Castañon*)

Visualizar o vídeo Testemunho de Marina Silva (o milagre da conversão) do YouTube

Caso a missionária seja eleita, como ficará o Estado laico?! 

“Há um sentimento de mudança no ar. 12 anos de governo do PT desgastaram o partido na opinião pública. É natural. As contradições inevitáveis do exercício do poder, a relação com um congresso fisiológico, os interesses contrariados, os acordos inerentes à democracia, os escândalos. É mesmo surpreendente que chegue ao cabo desse período ainda como o partido de um quarto dos brasileiros e tendo o voto de metade deles.

Nesse cenário, surge a candidatura de Marina Silva, que encarna, sem sombra de dúvidas, a mudança, como provarei com os links abaixo. A começar pela mudança do cenário eleitoral. Depois de um suspeito desastre de avião (que alguns acreditam se tratar de um assassinato), Marina assumiu o lugar de Eduardo Campos como a candidata do PSB à presidência. Continuar a ler

À Procura de Homens de Bens

Diógenes-Marina

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou que vai criar “comitê de busca” em seu governo, caso ganhe as eleições, para encontrar gente para ocupar cargos no governo. “Vamos criar um comitê de busca de homens de bens”, disse.

No “país da piada-pronta”, logo, um gaiato comentou: “Basta ler a lista de bilionários da Forbes para achar homens de bens…” Outro se apresentou: “tenho a coleção completa do Pasquim, uma bicicleta, um relógio Roskopf… e uma garrucha velha!”

Conta a história que, há mais de 2000 anos, quando o filosofo grego Diógenes de Sinope andava pelas ruas de Atenas, em plena luz do dia, com uma lanterna acesa, perguntaram-no a razão para tal atitude. Ele respondeu: “estou à procura de um Homem Honesto…”

Marina do Acre vai transferir “a lanterna” para um Comitê. Todos servidores públicos sabem que, quando ninguém quer assumir uma responsabilidade pessoal, transfere-a para um Comitê, onde a responsabilidade é diluída em um pretenso “saber coletivo” mais sábio do que o “saber individual”. Nada mais falso. Continuar a ler