Mito III do Debate Econômico Pré-Eleitoral: “Finanças Públicas Descontroladas”

Evolução do gasto da União com Pessoal e Encargos Sociais 2010-2014

Dando sequência à análise dos falsos “mitos” que aparecem no debate econômico pré-eleitoral, depois de publicar o Mito I – Modelo de Crescimento pelo Consumo e o Mito II – Inflação Alta e Descontrolada, apresentamos o terceiro: a crítica que as Finanças Públicas estariam destrambelhadas.

Uma das principais características do gasto público durante o governo Dilma Rousseff foi a queda da despesa da União com o pagamento de pessoal e encargos sociais, em proporção do Produto Interno Bruto (PIB), e sua posterior estabilização em torno de 4,2% do PIB. Essa trajetória, segundo Ribamar Oliveira (Valor, 14/08/14), foi obtida mesmo com o menor crescimento da economia brasileira, cujo PIB é a base de comparação com a despesa de pessoal, nos últimos quatro anos. Observe que o correto é a comparação com o PIB e não a variação real. Se a renda subir, a arrecadação tributária eleva-se e pode-se elevar o gasto fiscal correspondentemente.

O gasto com pessoal cresceu muito nos últimos anos do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que promoveu uma necessária rodada de aumentos salariais para todas as categorias de servidores. A despesa com pessoal subiu para 4,7% do PIB em 2009, pouco abaixo do recorde nos últimos 15 anos, que ocorreu em 2002, em ano eleitoral, o último do Governo FHC, quando chegou a 4,8% do PIB. Continuar a ler

Fundamentalismo do Livre-Mercado + Fundamentalismo Religioso = Deus nos Acuda!

Porta-voz da Marina

Recalque é mecanismo de defesa psicológica que tem por função fazer com que exigências pulsionais, condutas e atitudes, além dos conteúdos psíquicos a elas ligados, passem do campo da consciência para o do inconsciente, ao entrarem em choque com exigências contrárias. Quem sofre um sentimento de inferioridade tem medo e ressentimento reprimidos de sentir-se inferiorizado, especialmente em características mentais, o que leva a diversos comportamentos distorcidos. Demonstra, então, um conjunto de reações supostamente provocadas por um conflito entre o desejo de reconhecimento e um medo do fracasso devido a experiências anteriores.

Estão aparecendo “figurinhas” oportunistas — fundamentalistas do livre-mercado — que estão saindo do ostracismo para ditar “regras para o futuro governo” da candidata fundamentalista-religiosa! Cabe repetir a pergunta do professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Rogério Cezar de Cerqueira Leite (FSP, 31/08/14), 83 anos, físico, membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e do Conselho Editorial da Folha. “Teria sido pelas suas ideias que esses economistas e intelectuais aderiram à Rede ou seria por causa do caudal aurífero eleitoral que, na sua liderança, perceberam?” Continuar a ler

Mito II do Debate Econômico Pré-Eleitoral: “Inflação Alta e Descontrolada”

Variação Anual do IGP-M 2000-2016O gráfico acima com a evolução anual do IGP-M, Índice Geral de Preços para O Mercado, falseia um dos ataques do Terrorismo Econômico pré-eleitoral perpetrado por economistas da própria FGV-RJ (e satélites), instituição que calcula esse índice de péssima qualidade técnica. Ele arbitra uma composição ponderada (sem significado econômico) entre os preços dos consumidores, os dos atacadistas e os da construção civil, coletados em alguns poucos lugares.

Desconsiderando esses problemas, nessa série anual, dá para delinear as tendências e os níveis do índice geral de preços. Em 2003 e 2004, foi dada uma “freada para arrumar a desarrumação” herdada do Governo FHC. Posteriormente, saindo de um patamar muito baixo, retomou uma tendência crescente, interrompida por uma deflação em 2009, que o Governo Dilma cuidou de controlar. A taxa de inflação, desde sua posse, está absolutamente sob controle, inclusive a perspectiva, segundo o Departamento Econômico do Bradesco, é manter-se no mesmo baixo patamar em termos históricos. É a metade do que foi em 2000 e 2001, quando “o gênio-da-raça tucana” (ex-futuro Ministro da Fazenda do Aécio) adotou o regime de meta inflacionária… Continuar a ler

Debate sobre Crescimento Econômico

Taxa de Crescimento da Produção Mundial Anos 0-2100

“Não adianta querer que o PIB per capita dobre em 15 anos, que seria um crescimento de 6,5% do PIB ao ano, como fizeram os asiáticos. É um modelo totalmente diferente em que se gasta muito pouco com social e a poupança é enorme. Na realidade do Brasil, se crescermos de 3% a 4% por ano, já é um grande sucesso”, afirmou Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica da equipe do ex-Ministro da Fazenda Antonio Pallocci. Lisboa usou o exemplo do Reino Unido no pós-guerra, que, com custos elevados por conta dos gastos militares e de reconstrução, evoluiu a partir de um crescimento não grande, mas constante.

Os Estados Unidos também não tiveram “períodos de milagre econômico”, simplesmente, tiveram um crescimento constante do PIB per capita que foi dos anos 1940 até os 2000. É a opção de crescimento sustentado com estabilização conjunturalcrescendo cerca 2% ao ano a renda per capita, em vez de ter um crescimento de indústria nascente com financionamento inflacionário e bolha de ativos provocada por excesso de crédito, e se prejudicar com o ajustamento necessário nas décadas seguintes.

A realidade histórica é a seguinte (veja o gráfico acima elaborado por Thomas Piketty): o padrão mundial de crescimento da renda per capita é baixo. As fases após a Revolução Industrial e a II Guerra Mundial foram exceções, assim com as fases de indústria nascente, seja no Brasil, seja nos Países Asiáticos. Depois, a opção por estabilização conjuntural leva a um stop-and-go.

Cristiano Romero (Valor, 13/08/14) informa que “o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, acredita que o Brasil cresceu pouco nos últimos anos por causa da moderação do crescimento das principais economias do planeta, provocada por uma crise que já dura sete anos. Some-se a isso, observa, o fato de a inflação ter subido em razão de adversidades climáticas, provocando quebras de safra agrícola e aumento da inflação de alimentos, o que, por sua vez, derrubou a confiança dos consumidores.”

Holland refuta, com veemência, a ideia de que o baixo desempenho da economia nacional decorre da perda de credibilidade da política econômica — hipótese que o colunista Cristiano Romero considera a mais provável, pois é francamente oposicionista — ou da ausência de reformas microeconômicas (esta, uma tese levantada recentemente por dois economistas do Banco Mundial, meu ex-colega Otaviano Canuto e Philip Schellekens).

Leia mais sobre o debate a respeito do crescimento econômico em:

http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2014/08/07/baixo-crescimento-crise-mundial-credibilidade-agenda-microeconomica-de-reformas-eou-stop-and-go/ Continuar a ler

Independência do Banco Central

banco_central_sem controle

O debate sobre Independência do Banco Central cabia na era neoliberal, i.é, nos anos 90. Depois, ele morreu. Agora, os ultraliberais assessores da Marina Silva querem ressuscitá-lo! Paradoxalmente, os seguidores fundamentalistas da Escola Austríaca de pensamento econômico querem “assassinar” o Banco Central…

Por coisas como tais que classificam-na como uma candidata eólica com seu programa econômico bumerangue. Muda ao sabor do vento e, assim, velhas propostas econômicas voaram, fizeram uma curva e voltaram!

Acho que tenho de republicar o que escrevi nos anos 90. Resumi em um capítulo do meu livro de 1999: Economia Monetária e Financeira: Uma Abordagem Pluralista – Capítulo 9.

Nesse livro, defendi, em vários capítulos, a tese de que o poder do Banco Central manipular o mercado não é ilimitado. Nos extremos da escala, está circunscrito pelas forças fundamentais do custo do funding, do lucro, inclusive a produtividade, da arbitragem, dos fluxos e saldos cambiais, etc. Há fundamentos, entre outros, a paridade das taxa de juros, a paridade dos poder de compra, o nível de atividade econômica, que colocam limites aos movimentos das variáveis controladas pelo Banco Central. Continuar a ler

Quem Compara Não Vota Em Retrocesso

Quem compara não quer retrocesso

Tem de se estar atento quanto ao viés oposicionista (e antipetista) da “grande” imprensa brasileira. Por exemplo, veja se o quadro acima (Valor, 02/08/14) é “controverso”. Ele coloca como tivesse piorado a expectativa de inflação de junho de 2014 em relação a dezembro de 2002. Neste último mês, a taxa de inflação estava em 12,5% ao mês e a expectativa era que cresceria como, de fato, ocorreu, chegando a março de 2003 em 17,5% em 12 meses. O superávit primário está menor porque o regime fiscal pode mudar com a queda da dívida líquida de 60,4% para 34,6% do PIB. O déficit em transações correntes elevou-se devido à maior crise internacional ocorrida desde a de 1929.

Enfim, todos os indicadores macroeconômicos e sociais melhoraram muito desde o fim do governo neoliberal em 2002!

Entretanto, mesmo com a clarividência desses indicadores, alguns economistas, buscam fugir da polarização política, ficando “em cima do muro”. Continuar a ler