Fontes Passionais da Violência

Mideast Israel Palestinians

Aprecio muito os artigos de Jorge Felix. Já compartilhei alguns neste modesto blog. Desta vez (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 01/08/14) escreve a respeito da violência contemporânea. No ano passado, li um dos grandes lançamentos recentes — Os Anjos Bons da Natureza de autoria de Steve Pinker (rivaliza em importância – e tamanho – com o monumental Longe da Árvore de autoria de Andrew Solomon) que trata da Lógica da Violência. Pinker defende uma tese inusitada: a violência tem diminuído ao longo do tempo. Nunca vivemos em um mundo tão pacífico como o atual! Comparando com o que já foi o mundo, no passado, houve progresso…

Portanto, não seria para se impressionar tanto com um caso de justiçamento entre tantos fatos randômicos, para usar a palavra da modernidade cibernética, que desfilam diante de nós como um catálogo de episódios de violência. Seu particular entre tantos outros noticiados todos os dias à exaustão pela mídia é a figura da multidão com sede vingança. Foi escrito “justiça com as próprias mãos”. Mas não é isso. Justiça, como preza da Filosofia do Direito, é algo impessoal, regulado por um estatuto, por agentes de um Estado democraticamente instituído. Havia algo na mente das pessoas que fazem justiçamento ou linchamento, que as faz acreditar na hipótese de uma violência legitimada pela revolta.

Que sentimento é esse? É ele o responsável pela onda de violência dos nossos dias? Quanto de humano, de individual, de pessoal abarca a cota de violência do nosso tempo? Um grupo de acadêmicos, intelectuais e pesquisadores está intrigado em responder a essas e outras questões inquietantes da morfologia da violência do século XXI. Se as guerras entre palestinos e israelenses ou entre russos e ucranianos mundializam o problema, por outro lado, os esquartejamentos, os casos como o do menino Bernardo ou o fato de um médico e de um enfermeiro assistirem, na porta de um hospital, à morte de um homem passando muito mal sem prestar socorro emprestam um componente pulsional a esses crimes. Do dia 14 de agosto até 8 de outubro de 2014, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, o grupo debaterá o tema, em 22 conferências, na 8ª edição do ciclo Mutações, tradicional evento criado pelo filósofo Adauto Novaes. Neste ano, o tema é Fontes Passionais da Violência.

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Ônus Demográfico

Envelhecimento Populacional

Ao contrário da maioria dos demógrafos, que apontam a continuidade do bônus demográfico nos próximos anos para o Brasil, Flávia Lima (Valor, 07/08/14) informa que, nas próximas duas décadas, o crescimento econômico de um conjunto de países será reduzido por um fator demográfico comum a todos eles: o envelhecimento populacional. Estudo da Moody’s indica que “a redução da população em idade ativa e o declínio das taxas de poupança, com a consequente queda do investimento dos países, devem impor restrições importantes à expansão de economias desenvolvidas e emergentes.” Mais uma estupidez de uma das desmoralizadas agências de classificação de risco: Fitch Ratings, Moody’s e Standard & Poor’sÉ um risco acreditar nelas!

No caso, a analista infeliz só aponta o ônus demográfico, devido ao envelhecimento, porém não considera a queda da Taxa de Dependência (% inativos/ativos), dado que a taxa de natalidade cai relativamente mais, decrescendo o número de crianças até 15 anos, cujas menores despesas em educação compensarão a elevação das despesas com saúde dos mais velhos acima de 65 anos. Com o aumento da sobra de renda familiar e a necessidade de Previdência Complementar preventiva, dada a maior longevidade, as aplicações financeiras e o funding disponível para lastrear financiamentos aumentarão! Até hoje a Moody’s não jogou o conceito de poupança na lata de lixo do pensamento econômico… O envelhecimento tem provocado maior acumulação de ativos financeiros por parte de pessoas que viverão mais. Continuar a ler

Caro Fernando Haddad (por Antônio Prata)

Espírito Paulistano

“Quem te escreve aqui é Espírito Paulistano. O senhor não me conhece, como deixa claro a sua rejeição por 47% dos motoristas, quero dizer, dos cidadãos de nossa pujante metrópole. Não votei no senhor, mas tampouco me apavorei com a sua vitória. Apesar de vir do PT, o senhor aparenta ser de boa família, tem essa pinta de pai em propaganda do Itaú Personnalité, chama-se Fernando e traz o sobrenome Haddad, que me remete ao Maluf, ao Kassab, ao Habib’s: três marcas das quais São Paulo pode se orgulhar. Desde que assumiu a prefeitura e começou com as faixas de ônibus, contudo, percebi que por trás da pinta Personnalité se escondia um administrador démodé. Continuar a ler

Mercado Consumidor formado pelas Classes D e E no Brasil

Renda nos domicílios mais pobres 2004-2012

Camilla Veras Mota (Valor, 21/07/14) informa que o mercado consumidor formado pelas classes D e E no Brasil tem chamado cada vez mais atenção do setor produtivo. Em 2012, a massa de rendimento das famílias que formam a base da pirâmide no país chegou a R$ 21,1 bilhões, valor 83,4% maior do que em 2004, já descontada a inflação no período. O aumento levou a participação do grupo no total da massa entre as classes de 10,8% naquele ano para 12,4%.

No recorte por domicílio, a renda entre os 40% mais pobres aumentou 51%, contra 31,3 % da média nacional. O valor bruto da média mensal, que chegou a R$ 841, ainda é considerado baixo se comparado às medidas internacionais de desenvolvimento humano. O volume de recursos disponível para consumo, porém, é cada vez menos desprezível para algumas empresas. Por isso, setores como os de alimentos e serviços, inclusive o financeiro, já desenham políticas específicas para vender para esse público. Continuar a ler

Mobilidade Social no Nordeste

Transformação da renda

Camilla Veras Mota (Valor, 21/07/14) informa que a classe média está ultrapassando o total de pobres e vulneráveis na única região do país em que ela ainda não era maioria. No Nordeste, segundo levantamento da consultoria Plano CDE com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012, a classe C conta com 23,9 milhões de pessoas e há outros 23,7 milhões entre a D e E. Apesar de o primeiro grupo ser ligeiramente maior, ambos representam 45% da população.

Com essa estrutura, a pirâmide de renda da região, semelhante à do Brasil em 2004 – quando tanto a classe C quanto a D e E representavam cerca de 42% do total -, encontra mais espaço para o desenvolvimento social e uma consequente expansão do consumo. No Sudeste, por exemplo, 54% estão na classe média e 17% na baixa renda.

O Nordeste assistiu à diminuição significativa de sua população pobre nos últimos dez anos. Entre 2001 e 2012, o ganho de renda das famílias, mais expressivo entre as classes D e E, reduziu a participação da chamada base da pirâmide de 66% para 45% dos nordestinos. A tendência de crescimento real da renda entre os domicílios mais pobres da região indica que esse movimento deve continuar nos próximos anos.

O país passou por uma dinâmica semelhante, mas a “virada” aconteceu antes. Os dados da Pnad de 2012 apontam que pouco mais de 50% dos brasileiros fazem parte da classe média. Há outros 25% na classe baixa e 21% de ricos. Continuar a ler

Relatório sobre a Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira

Composição percentual da renda monetária das famílias brasileiras 2008-09

Recomendo a leitura do artigo do Nelson Barbosa no Brasil DebatePara Conhecer Melhor a Distribuição de Renda e Riqueza no País.

Ele informa que o Deputado Claudio Puty (PT/PA) apresentou uma proposta de lei para criação do Relatório sobre a Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira com periodicidade anual. Veja aqui a íntegra da proposta e acompanhe sua tramitação na página da Câmara dos Deputados.

Caso aprovado, o PL de iniciativa do Deputado Puty aumentará, em muito, o conhecimento da sociedade brasileira sobre si mesma, o que, por sua vez, auxiliará o Poder Executivo e o Congresso na construção e acompanhamento da política econômica, sobretudo da tributação pessoal e das transferências de renda às famílias.

Esta é, exatamente, a demanda que fiz em Entrevista à CartaCapital em 16/11/2012.

Desigualdade Social X Crescimento Econômico

Doláres para 1pc mais rico

Josh Boak (AP apud Valor, 06/08/14)  informa que economistas reclamam há algum tempo que a desigualdade cada vez maior nos Estados Unidos torna mais difícil para o país recuperar-se da Grande Recessão.

Agora, uma análise da empresa avaliadora de risco de créditos Standard & Poor’s (S&P) soma-se a esse argumento: a diferença cada vez maior entre os americanos mais ricos e os demais tornou a economia mais propensa a ciclos de grandes altas e quedas e desacelerou o processo, em seu quinto ano, de recuperação da recessão.

As disparidades econômicas parecem estar alcançando extremos que “precisam ser observados, porque estão prejudicando o crescimento“, segundo Beth Ann Bovino, economista-chefe para os EUA da S&P.

A crescente concentração entre o 1% dos americanos de maior renda foi um dos motivos que levou a S&P a reduzir as estimativas de expansão da economia. A agência projeta que, em parte por culpa da iniquidade, a economia vai crescer a um ritmo anual de 2,5% nos próximos dez anos, abaixo da previsão feita há cinco anos, de 2,8%.

[S&P baixou o triple A dos States?!] :) Continuar a ler