Pacto Social Pela Saúde (por Dráuzio Varella)

saude

O custo da saúde está pela hora da morte. O preço dos medicamentos recém-descobertos e das novas tecnologias deixa para trás os valores da inflação.

Repassar integralmente esses custos para o SUS ou para os usuários dos planos de saúde é inviável. Sem repassá-los, no entanto, o sistema corre risco de desabar, dilema que só não aflige os países que negam a seus habitantes o acesso à saúde pública.

Aqui, como na Europa, Japão e Estados Unidos, a reorganização da assistência médica tem papel central nas reivindicações populares e na agenda dos governantes.

O Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que teve a ousadia de declarar a saúde como direito do cidadão e dever do Estado. Pena terem os constituintes de 1988 esquecido de mencionar de onde viriam os recursos para tal generosidade.

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Propostas Para o Brasil: lançamento do livro “Políticas Sociais, Desenvolvimento e Cidadania”

Plataforma Política SocialA Fundação Perseu Abramo lançou a publicação “Políticas Sociais, Desenvolvimento e Cidadania”, organizada pelos professores Ana Fonseca e Eduardo Fagnani, membros da Plataforma Política Social. Em dois volumes a obra apresenta 22 artigos escritos por 40 professores e pesquisadores.

Baixe as versões em PDF dos dois livros:

o primeiro: http://goo.gl/AiuuJy e

o segundo: http://goo.gl/9yxaZG

Tropicalização Antropofágica Miscigenada dos Modos de Vida

Domenico De Masi

Oscar Pilagallo é jornalista e autor de “História da Imprensa Paulista” (Três Estrelas) e “A Aventura do Dinheiro” (Publifolha). Reproduzo abaixo mais uma boa resenha de livro publicada por ele (Valor, 25/03/14). A mistura que faz Domenico de Masi lembra a do meu Manifesto da Tropicalização Antropofágica Miscigenada! :)

“Já a partir do título, “O Futuro Chegou“, do sociólogo italiano Domenico de Masi, remete ao Brasil. A referência óbvia é o livro “Brasil, um País do Futuro“, do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942), que deu origem à disseminada ideia de que vivemos em uma nação que adia indefinidamente o aproveitamento de seu imenso potencial.

Para De Masi, não apenas essa percepção é distorcida, como o modelo brasileiro deveria ser paradigmático para a sociedade pós-industrial, que oscila entre a incerteza e o pânico.

A ênfase no Brasil é diluída por outros modelos propostos pelo autor, conhecido por advogar o ócio criativo como resposta à crise estrutural do desemprego. Ele apresenta 15 alternativas que serviriam de bússola para a “sociedade desorientada” do subtítulo.

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Urbanização na China

Urbanização da China

The Wall Street Journal (apud Valor, 18/03/14) informa que a China divulgou um plano para permitir que milhões de agricultores migrem para as cidades ao longo dos próximos anos, numa tentativa de impulsionar o crescimento econômico, que parece estar desacelerando. Liderado pelo primeiro-ministro Li Keqiang, o Conselho de Estado (o gabinete do governo) aprovou um plano há muito esperado para acelerar a urbanização.

O plano prevê que a China tenha cerca de 60% de seus mais de 1,3 bilhão de habitantes vivendo em áreas urbanas até 2020, comparado com 52,6% no fim de 2012.

Isto ocorrendo, significará um deslocamento populacional de quase 100 milhões de pessoas, equivalente à metade da população brasileira!

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Crematórios: “Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos”

Processo de Cremação

Quando eu morrer me enterre na Lapinha, 
Quando eu morrer me enterre na Lapinha 
Calça, culote, paletó almofadinha 
Calça, culote, paletó almofadinha 

Imagine… Enterrar está muito caro!

João Alberto Pedrinide (FSP, 16/03/14) fez uma prestação de serviços muito útil para todos nós — porque nossa hora chegará… O número de crematórios mais que dobrou em cinco anos e eles se espalharam pelo país, segundo o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares. Apesar de não ter como associadas todas as empresas brasileiras do gênero, a entidade estima que existam hoje cerca de 70 empresas do ramo no Brasil.

O presidente do sindicato, José Elias Flores Júnior, atribui esse crescimento à mudança de atitude das pessoas, que aos poucos “assimilam melhor” o ato de cremar.

Proprietários e gerentes de crematórios dizem também que um dos fatores para o crescimento é o preço. A cremação hoje chega a custar a partir de R$ 2.800 — enquanto alguns jazigos são encontrados por até R$ 18 mil, como no Parque da Colina, em Niterói (RJ).

A cremação custa por volta de R$ 3.000. Em 2005, quando a empresa iniciou o serviço, eram feitas cerca de 15 por mês. Hoje, são 40.

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Efeito sobre Taxa de Desemprego da Política Educacional do Governo Social-Desenvolvimentista

Anos de Estudos da PO 2003-2012

Vinicius Torres Freire (FSP, 06/03/14), finalmente, reconhece que, “cada vez mais, jovens têm preferido estudar a trabalhar, indicam as pesquisas de emprego e o número de matrículas no ensino superior. Ao trocar o trabalho pela faculdade, os jovens ajudam a derrubar a taxa de desemprego, fenômeno que ficou evidente em especial no ano passado.

A reviravolta se deveu em parte a um programa do governo que facilitou o financiamento dos estudos, segundo estudo dos economistas Aurélio Bicalho e Luka Barbosa, do Departamento de Pesquisa Macroeconômica do banco Itaú.

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O Milionário Mundo da Pobreza

Gabriel BinderPrezado Vice-Presidente (ex… e sempre)

Estou, ainda, Gerente Regional da Superintendência RJ Oeste, da Caixa, e tivemos poucas oportunidades de conversarmos, no período de sua gestão como Vice-Presidente.

Por vezes, acompanho seu blog “Cidadania & Cultura” que sempre apresenta diversos temas, observados por diferentes lentes, significando a oportunidade de cada leitor poder fazer uma grande reflexão sobre tudo aquilo que é divulgado pela mídia de massa e as outras possíveis formas de leitura do mesmo fato. Parabéns!!!

Bem, ocorre que concluí mais um curso (Lato Sensu) na PUC-Rio de Gestão Governamental e Avaliação de Políticas Sociais e, neste contexto, estou desenvolvendo meu trabalho final, cujo tema escolhido e aprovado pela coordenação do curso é “O Milionário Mundo da Pobreza”. [Faça downloadGabriel_Binder_Monografia O Milionário Mundo da Pobreza_2013.]

A escolha teve por base a leitura de diversos estudos que demonstram a existência de um significativo submundo num espaço físico ocupado por pobres e miseráveis e que, à luz de uma boa parcela da sociedade, faz parte apenas de algo meio abstrato, cuja realidade é por vezes totalmente ignorada e, ao mesmo tempo, representa sob a lógica do capital uma potencial fonte de riqueza aos obstinados pelo do lucro financeiro, quaisquer que sejam os seus meios.

Há, portanto, uma grande dicotomia predominante nessas várias comunidades carentes, onde o paradoxo convive de forma pacífica e quase harmônica. De um lado, o retrato dos indicadores sociais que ratificam a baixa qualidade de vida do local. No outro extremo, uma contabilidade, pouco divulgada, que retrata a riqueza que dali se extrai e, dessa forma, retroalimenta um sistema perverso de exploração.

A favela da Rocinha possibilita ser um interessante exemplo a ser analisado. Situada na Zona Sul do Rio de Janeiro, sob o aspecto quantitativo, tem uma população superior a de 90% dos municípios brasileiros e estimativas indicam a existência de pelo menos 25 mil domicílios, dos quais 33% são alugados.

Chama a atenção também que os principais proprietários desses imóveis não pertencem à comunidade e residem em bairros nobres da zona sul do Rio.  Interessante perceber que, mesmo sem abordar as questões relacionadas às políticas públicas, os proprietários dos imóveis alugados são incapazes de promover quaisquer melhorias nos seus prórprios imóveis.

E por aí vai…

Caso o Amigo tenha alguma contribuição, indicação, crítica que possa ajudar-me no desenvolvimento deste trabalho, com toda certeza, será muito gratificante para mim.

Agradeço a atenção e receba meu abraço!

Gabriel Binder

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Política Social-desenvolvimentista: Menor Leque Salarial e/ou Melhor Distribuição de Renda do Trabalho

Salário e Escolaridade

Camilla Veras Mota (Valor, 07/02/14) informa que o salário médio real dos brasileiros contratados com carteira assinada em 2013 foi 2,59% maior do que no ano anterior. O ganho, porém, não foi disseminado entre todas as categorias de trabalhadores. A remuneração média dos admitidos com diploma de nível superior foi de R$ 2.683,19, valor 2,14% menor do que em 2012. O grupo com nível superior completo foi o único entre os nove listados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) a registrar perda real nos salários de novos empregados no ano passado. A maior valorização foi registrada entre trabalhadores com ensino fundamental completo, de 3,69% (R$ 981,41).

[Com a massificação do diploma de nível superior altera-se a relação entre oferta/demanda dessa escolaridade. Em certo prazo, e alguns lugares, poderá se alterar a relação entre trabalhadores intelectuais / manuais, p.ex., prestadores de serviços especializados em metrópoles. Conjuntamente com aumento real do salário mínimo, toda essa política social-desenvolvimentista resulta em menor leque salarial, ou seja, distribuição de renda menos desigual entre os trabalhadores.]

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Economia e Geração “nem-nem”

Geração de vagasEvolução de vagas formais de trabalho

Taxa de desocupação média anualTaxas de desempregoRendimento médio anualInflação de preços livresIPCA-15 jan 2014Inadimplência em quedaDívidas dos consumidores

Em que pese os “ataques especulativos” ou “terrorismo psicológico”, quando se examina as estatísticas e não se lê os colunistas da “grande” imprensa brasileira, observa-se que a situação da economia brasileira está muito razoável dentro de um mundo em crise econômica. O diagnóstico correto é que a economia está estável, nem cresce muito, nem tem inflação e desemprego descontrolado. Sintomático disso é que a inadimplência está em queda.

Alguns analistas oposicionistas, esquecendo os piores resultados na Era Neoliberal (até 2002), no afã de desqualificar qualquer notícia positiva do Governo Social-Desenvolvimentista (após 2003), tentam justificar a baixa taxa de desemprego apenas por fator demográfico, a chamada “geração nem-nem“. Vale ler a reportagem abaixo para refletir a respeito.

Camilla Vera Mota (Valor, 22/01/14) informa que, nos últimos anos, as incertezas em relação à recuperação da economia afetaram as contratações, os serviços criaram mais vagas do que os demais segmentos produtivos e cresceu a parcela de jovens que nem estuda nem trabalha, a chamada geração “nem-nem”. Antes de serem exclusividades do mercado de trabalho brasileiro, essas e outras características mostraram-se fenômenos mundiais, como aponta o relatório anual da Organização Internacional do Trabalho (OIT) com as tendências globais para o emprego em 2014.

A entidade chama atenção para o aumento dos jovens “nem-nem”, ou, na sigla internacional, os NEET (neither in employment, nor in education or training) – aqueles que não participam do mercado de trabalho e tampouco estão ampliando sua formação e qualificação.

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Classe Média, Desigualdade e Eleições (por Marta Arretche)

Desigualdade de Renda e Serviços

Marta Arretche é Professora Titular de Ciência Política na USP, diretora do Centro de Estudos da Metrópole, colunista convidada do “Valor” e… uma estimada amiga! Publicou artigo (Valor, 06/02/14) com importantes indicadores sociais, sob o título acima, que compartilho abaixo.

“A afirmação de que o Brasil tornou-se um país de classe média revela um fato: a última década testemunhou substancial elevação da renda dos domicílios mais pobres. Como toda formulação simples, contudo, a afirmação esconde outro fato igualmente relevante: a desigualdade social ainda é muito grande no Brasil.

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Programa Mais Médicos: Supera Resistência Corporativista e Recebe Elogios da População Atendida

Mais MédicosNúmero do Mais Médicos por Região

Lígia Guimarães (Valor, 13/01/14) publica mais uma reportagem que ajuda conhecer as Políticas Sociais Ativas deste Governo Social-Desenvolvimentista e decidir dar seu voto na continuidade progressiva do combate às mazelas sociais do País. Dessa vez, é sobre o Programa Mais Médicos: supera resistência inicial e recebe elogios.

Em Pedreira e Santo Antônio de Posse, municípios do interior paulista, a chegada dos cubanos pelo programa Mais Médicos reduziu filas e agilizou o atendimento à população nos bairros mais carentes. No posto de saúde do Jardim Andrade, na periferia de Pedreira, que até setembro tinha apenas um clínico geral, o número de senhas distribuídas aos pacientes atendidos por dia passou de 16 para 32 depois que a unidade recebeu o reforço de uma médica vinda de Cuba. O posto é responsável por uma área onde vivem 6.000 famílias.

Feliz com o simples aumento no número de consultas e com a redução no tempo de espera, a população ainda se divide na avaliação e no nível de confiança no desempenho dos profissionais estrangeiros. Um temor, no entanto, já foi afastado: médicos e pacientes estão se entendendo, superando a barreira do idioma.

Dos 5.839 profissionais estrangeiros que atuam no Mais Médicos, 5.400 são cubanos. Eles chegaram ao país por meio de um acordo do governo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial de Saúde para as Américas. A meta oficial é ter, até março de 2014, 13 mil profissionais trabalhando nos municípios que aderiram ao programa. Cada médico do programa recebe bolsa no valor de R$ 10 mil mensais.

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Brasil (em números absolutos): quarta maior população carcerária do mundo

Violência no Sistema Prisional do Brasil

Com cerca de 550 mil pessoas no sistema prisional, o Brasil tem, em números absolutos, a quarta maior população carcerária do mundo. Fica atrás apenas de EUA (2,2 milhões), China (1,6 milhão) e Rússia (680 mil).

Conhecidas como “escolas do crime“, as prisões do Brasil foram cenário de ao menos 218 homicídios em 2013. Isso representa média de uma morte a cada dois dias. Só o complexo de Pedrinhas, em São Luís, respondeu por 28% do total nacional e por todas as mortes em prisões do Estado, aponta levantamento de Estelita Hass Carazai e Diogenes Campanha (FSP, 09/01/14). Alagoas, Bahia e Rondônia não forneceram informações.

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