Réplica que a Folha de São Paulo não publicou

ie-eduardo-fagnaniColoco abaixo o link do artigo de Eduardo Fagnani, meu colega do IE-Unicamp), membro-fundador da importante Plataforma Política Social. Trata-se de uma réplica ao texto da professora da PUC-RJ, Monica Bolle, diretora da Casa das Garças (“ninho de tucanos”), publicado na Folha de São Paulo (10/10/14).

Acreditando no “espírito crítico, pluralismo e apartidarismo” que reza os princípios da redação da Folha, o artigo foi submetido ao crivo da redação deste jornal. Alegando “disponibilidade limitada de espaço”, a réplica foi descartada. Em função disso, colocamos o link aqui para não privar os leitores desta contribuição ao debate democrático de ideias, em um momento crucial em que dois projetos antagônicos para o país estão em disputa. Só que um tem apoio e espaço na mídia conservadora, outra depende de divulgação na rede social.

http://plataformapoliticasocial.com/2014/10/14/a-elite-mal-informada-replica-ao-artigo-de-monica-baumgarten-de-bolle-que-a-folha-de-sao-paulo-se-recusou-a-publicar/

Leia mais:

O-Pastor-e-o-Leão

As incríveis fábulas de Samuel Pessôa

by Plataforma Política Social

Eduardo Fagnani (1)

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PIB (Perfeito Idiota Brasileiro) por Adriano Silva*

Votos por classes sociaisInfograficoBolsaFamilia Estava pensando em postar os infográficos acima sem comentários, porque são autoexplicativos.

Porém, li via Facebook um texto que ilustra bem a luta de classes (termo que o PIB — Perfeito Idiota Brasileiro — acha demodê) no Brasil. Vale ler a crítica dos costumes dos que concentram o PIB. Reproduzo-o abaixo acompanhado de sugestivas ilustrações publicadas em The New Yorker  (matéria intitulada Rio’s Richest) — e do candidato desse “povo”. Continuar a ler

Topo da Distribuição de Renda no Brasil: primeiras estimativas com dados tributários e comparação com pesquisas domiciliares 2006-2012

Renda mínima e média do topo da distribuição de renda no Brasil 2006-2012Percentual da renda total apropriado pelo topo 2006-2012

Medeiros, Marcelo; Souza, Pedro H. G. F.; Castro, Fabio Avila. O Topo da Distribuição de Renda no Brasil: primeiras estimativas com dados tributários e comparação com pesquisas domiciliares - 2006-2012. (August 14, 2014). Available at SSRN: http://ssrn.com/abstract=2479685

Os autores do texto acima citado são professores da Universidade de Brasília. Eles apresentaram a primeira estimativa da concentração de renda entre os mais ricos no Brasil calculada a partir das declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física para os anos de 2006 a 2012.

Suas principais medidas de desigualdade são as frações da renda total apropriada pelos 0,1%, 1% e 5% mais ricos. Os resultados são testados e comparados com os das pesquisas domiciliares brasileiras. A conclusão é que os dados tributários revelam uma concentração no topo substancialmente maior do que as outras fontes, e ela permanece estável no período analisado. Continuar a ler

Desigualdade Social: Riqueza X Renda

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Reproduzo abaixo artigo do meu ex-aluno J. Celso Cardoso Jr. (IPEA) (1) e do meu colega Eduardo Fagnani (IE-Unicamp) (2), publicado originalmente na excelente Plataforma Política Social. Através dele soube que, finalmente, pesquisadores da UnB estão investigando os dados do DIRPF.

“No Brasil, por quaisquer critérios (fontes de dados e metodologias), as desigualdades sociais, de renda e de riqueza são extremamente altas, tanto historicamente como em comparação internacional.

Neste sentido, são muito relevantes os dois trabalhos recém-publicados por Medeiros, Souza & Castro (2014a e 2014b) com base em dados do Imposto de Renda de Pessoas Físicas (IRPF) [links abaixo e no próximo post], até então inacessíveis a maior parte dos pesquisadores. Ambos apontam corretamente para uma situação de estabilidade na distribuição dos rendimentos totais da população brasileira, isto é, quando considerados de maneira mais ampla e fidedigna (embora ainda assim não censitária) os rendimentos do topo da pirâmide social, ou seja, os 0,1%, 1% e 5% mais ricos da população que declararam o IRPF entre 2006 e 2012 no Brasil. 

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PNAD 2013: Mercado de Trabalho e Condições de Vida no País

Índice de Gini 2001-2013

Correção (leia abaixo):

Índice de Gini 2001-2013 Corrigido

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2013 mostrou que a população do país foi estimada em 201,5 milhões de pessoas, sendo 51,5% de mulheres, 46,1% de brancos e 37,6% de pessoas de 40 anos ou mais de idade. Em 2013, observou-se que as pessoas de 40 a 59 anos eram as mais representativas entre os migrantes tanto em relação ao município (33,8%) quanto à unidade da federação (35,6%). A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade ficou em 8,3%, o que corresponde a 13,0 milhões de pessoas.

A população desocupada cresceu 7,2% em relação a 2012, e a ocupada cresceu 0,6%. A taxa de desocupação se elevou de 6,1% para 6,5% em 2013 (foi o ano com a segunda menor taxa na série harmonizada de 2001 a 2013). O trabalho com carteira assinada, no entanto, continuou a crescer, subindo 3,6% em relação a 2012 e abrangendo 76,1% dos empregados do setor privado. O trabalho das crianças e adolescentes recuou 12,3% em relação a 2012, o equivalente a menos 438 mil crianças e adolescentes com idade entre 5 e 17 anos no mercado de trabalho.

O país registrou aumento real de 2012 para 2013 no rendimento mensal domiciliar (de R$ 2.867 para R$ 2.983), de todos os trabalhos (de R$ 1.590 para R$ 1.681) e de todas as fontes (de R$ 1.516 para R$ 1.594). As medidas de distribuição de renda (índices de Gini) ficaram praticamente estáveis em todas as comparações com o ano anterior, mas melhoraram em relação a 2004. Todas as categorias de emprego obtiveram ganhos reais de rendimento do trabalho principal em 2013, sendo o mais expressivo entre trabalhadores sem carteira (10,2%).

O número de domicílios particulares permanentes no país foi estimado em 65,1 milhões em 2013, 85,3% deles com rede de água, 64,3% com rede de esgoto, 89,8% com coleta de lixo, 99,6% com iluminação elétrica e 92,7% com telefone. O percentual de domicílios que tinham computador com acesso à Internet aumentou para 43,1%. Cerca de 86,7 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade acessaram a Internet no período de referência dos últimos três meses em 2013, 50,1% do total nessa faixa etária.

A pesquisa traz também uma série de resultados harmonizados, de 2001 a 2013 (que exclui as áreas rurais de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá), na qual é possível constatar redução nas taxas de analfabetismo (de 12,4% em 2001 e para 8,2% em 2013) e de desocupação (de 9,4% para 6,6%), além de aumento no percentual de empregados com carteira de trabalho assinada (de 55,3% para 65,2%) e no rendimento mensal real de trabalho (de R$ 1.300 para R$ 1.681) e de todas as fontes (de R$ 1.315 para R$ 1.594).

A PNAD é realizada pelo IBGE desde 1967 e apresenta informações sobre população, migração, educação, trabalho, rendimento e domicílios para Brasil, grandes regiões, estados e regiões metropolitanas. Os resultados de 2001 a 2012 (reponderados com base na última projeção de população) e os de 2013 estão disponíveis no endereço www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2013.

No dia seguinte, o IBGE veio a público, por meio de uma nota, informar que foram verificados erros nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2013, após a sua divulgação, na véspera (18/09/2014).

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Superação do Problema da Pobreza Extrema X Panfletagem Antipetista

Fome na África

Neste ano, deixei de assinar a versão impressa da Folha de S.Paulo, que assinava desde o início dos anos 80, porque não suportava mais ler a panfletagem direitista de seus colunistas. Leio a versão digital, no iPad, porque é mais rápido ler apenas as notícias, não desviando minha atenção para as manchetes escandalosas com denúncias vazias. Percebi que meu humor melhorou.

Ainda mantive a assinatura do jornal Valor Econômico, achando que, devido a seu público-alvo ser mais restrito, ele teria maior responsabilidade em evitar a veiculação de panfletos eleitorais e/ou discursos de ódio antipetista. Ledo engano. Hoje, tive mais uma péssima experiência de verificar a rápida perda de sua credibilidade — e que mais adiante significará a não renovação de sua assinatura.

Há uma boa notícia (escondida em um pequeno canto inferior de página interna) que deveria estar em manchete, pois era a principal meta simbólica do programa de governo eleito em 2003: Programa Fome-Zero. Lembro-me que, antes, eu dava aula explicando aos meus alunos a diferença entre pobres e indigentes: estes brasileiros não tinham renda nem para se alimentar, diariamente, atendendo as necessidades mínimas nutricionais.

Cristiano Zaia (Valor, 17/09/14) informou que “o Brasil reduziu a proporção de cidadãos que passam fome para 1,7% da população, ou 3,4 milhões de habitantes em 2014. Com isso, o país superou o problema da pobreza extrema. A avaliação é do relatório “O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo“, divulgado ontem pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Na classificação da entidade, nações com menos de 5% da população com fome superaram a pobreza em termos estruturais.

Segundo a entidade, o Brasil é um dos países de maior destaque entre o grupo de 63 nações em desenvolvimento que atingiram a meta de reduzir à metade a proporção de pessoas subnutridas até 2015. Continuar a ler

Mito IV do Debate Econômico Pré-Eleitoral: “Pleno-Emprego”

 

Projeção da População Brasileira 2000-2050Projeção da Taxa de Crescimento da População Brasileira 2001-2050Comportamento das variáveis do mercado de trabalho

Dando sequência à análise dos falsos “mitos” que aparecem no debate econômico pré-eleitoral, depois de publicar o Mito I – Modelo de Crescimento pelo Consumo, o Mito II – Inflação Alta e Descontrolada e o Mito III do Debate Econômico Pré-Eleitoral: Finanças Públicas Descontroladas apresentamos o quarto: os economistas oposicionistas, baseados apenas em pontos de estragulamentos na contratação de mão-de-obra especializada em alguns setores de atividade, p.ex., construção civil, especialmente de engenheiros, passaram a levantar a hipótese de que a economia brasileira atingiu o pleno-emprego, buscando criar o ambiente favorável para uma política de ajuste recessivo. “Esta é uma situação que não há como escapar”, dizem. Com a elevação do desemprego, os custos salariais das empresas abaixariam por causa da perda de poder de barganha dos sindicatos.

Porém, a verdade é nem-nem: nem a economia está em pleno-emprego, nem necessita de ajuste fiscal-monetário recessivo! O que ocorre é uma mudança estrutural demográfica, assunto que os hiper-especialistas desconhecem…

Camilla Veras Mota (Valor, 10/09/14) informa que o aumento da taxa de desemprego previsto desde o ano passado pelo mercado tem contornado as expectativas e deve chegar com quase um ano de “atraso”. Para Sonia Rocha, pesquisadora do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), mais do que os sinais visíveis de esgotamento do mercado de trabalho, já é possível enxergar quais segmentos da população deverão pressionar o indicador nos próximos meses.

No estudo “Demografia e Mercado de Trabalho: o que Explica o Declínio da Desocupação no Brasil?“, as mulheres e os jovens “nem-nem” – aqueles que não estudam nem trabalham – aparecem entre os grupos cuja participação no mercado de trabalho caiu de maneira mais significativa entre 2005 e 2012. Quando a desaceleração do aumento da renda comprometer o pagamento das despesas das famílias, diz, eles serão os primeiros a voltar em busca de uma vaga.  Continuar a ler