Perfil dos Investidores com Base nas Finanças Comportamentais

Investidores

Luciana Seabra (Valor, 10/09/14) informa que ao criar, em novembro de 2013, uma plataforma de investimentos com base teórica nas Finanças Comportamentais, os sócios da Guide Investimentos não tinham como objetivo colaborar com a pesquisa acadêmica. Passado quase um ano, entretanto, os cerca de 5 mil clientes cadastrados – uma amostra de dar inveja a muitos cientistas – ajudam a desenhar um perfil do investidor brasileiro.

Ao se cadastrar na Guide, o cliente passa por um questionário bem diferente da tradicional análise de perfil do investidor, o “suitability“, exigido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Lá estão perguntas práticas, como sobre a preferência por uma viagem planejada ou improvisada ou a escolha de um encontro entre amigos em lugar movimentado ou calmo. Com base nos estudos do teórico de Finanças Comportamentais Michael Pompian, os clientes foram classificados segundo quatro perfis:

  1. independente,
  2. seguidor,
  3. preservador e
  4. acumulador.

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Finanças Comportamentais: Correlação Não É Causalidade Nem Aqui, Nem No Mundo

Vera Rita - Psicóloga Econômica

O nível de besteirol que se pode deduzir a partir de “exercícios econométricos” é impressionante! Pior, está condicionando o comportamento irracional da manada no mercado acionário, p.ex., deduzindo uma relação inversamente proporcional entre pesquisa eleitoral sobre a probabilidade de reeleição e oscilação da Bolsa de Valores. Como tem (curto) prazo de validade essa correlação, um investidor racional deveria segui-la? Sim, quando as ações de empresas com bons fundamentos em longo prazo caírem, compre-as e retenha-as em longo prazo

Luciana Seabra (Valor, 26/08/14) escreveu mais uma reportagem sobre Finanças Comportamentais. Informa sobre incríveis vieses heurísticos nacionais: econometristas confundem correlações com causalidades. Em um dia ensolarado, o Ibovespa tende a subir. Se o Brasil ganhou uma partida de futebol no dia anterior, esse é um reforço adicional para a alta. Parecem conclusões absurdas, mas é o que estudos de campo já apontaram em bolsas estrangeiras e que tem sido constatado por pesquisadores brasileiros para a bolsa local a partir de análises econométricas.

Como o investidor das finanças comportamentais tem racionalidade limitada e está sujeito a emoções, não são só os fundamentos que importam, dizem os pesquisadores que se reuniram na Fundação Getúlio Vargas (FGV) para o primeiro Encontro Brasileiro de Economia e Finanças Comportamentais. Se assim for, sentimentos como os causados pelo tempo chuvoso podem influenciar as decisões de compra ou venda de ações e, assim, o comportamento dos preços.

Os estudos dos pesquisadores brasileiros reforçam a Teoria da Perspectiva, criada por Daniel Kahneman e Amos Tversky em 1979, consagrada pelo prêmio Nobel de Economia em 2002. Ela aponta para um investidor que não toma decisões perfeitamente racionais, mas recorre a regras de bolso, que podem levar a erros sistemáticos. Continuar a ler

Custo de Oportunidade entre Mercado Financeiro e Mercado Imobiliário

Índice FIPE-ZAP X CDIVariação do preço do m2 de aluguelPreços do m2 para compra de imóvel

O primeiro gráfico é enganador quando não o avalia cuidadosamente. Sendo o Índice FIPE-ZAP de base fixa (0% em janeiro de 2008), ele não mostra perda de ritmo de crescimento nos preços de imóveis. Mas fica claro que investir em imóvel foi uma rota de fuga face às consequências da crise financeira do último trimestre de 2008. Nele, o ganho de capital em imóvel é cumulativo, ou seja, não revela flutuações em curto prazo.

O valor médio do metro quadrado para compra de imóvel nos bairros de Ipanema ou Leblon, no Rio de Janeiro, p.ex., está estável em torno de R$ 13.000 / m2. Para aluguel, gira em torno de R$ 70 /m2, ou seja, um apartamento de 100 m2 custaria, mensalmente, R$ 7.000,00. Vale dispender R$ 1.300.000 para comprá-lo para habitá-lo durante 2,5 anos? O aluguel seria o equivalente a 0,54% desse valor. Se o potencial comprador consegue um rendimento em juros com esse valor acima desse percentual, para que imobilizá-lo? Para ganho de capital, se o preço médio do imóvel não mais cresce, significativamente, desde meados do ano de 2011?!

A perda da reposição inflacionária com a retirada mensal do rendimento financeiro seria o equivalente ao pagamento do aluguel. No final do período, o locatário estará com esse “dinheiro na mão”, apenas com perda real equivalente ao custo do usufruto do imóvel.

O custo de oportunidade entre mercado financeiro e mercado imobiliária estanca a alta dos preços de imóveis, além, é claro, a elasticidade da demanda ao aluguel pelo fato de apenas 0,7% das pessoas ocupadas ganharem acima de 20 salários mínimos (R$ 14.480) e terem condições de pagar tal aluguel. No Brasil, somente 8% das pessoas ocupadas recebem, mensalmente, mais do que R$ 3.620, sendo que 7,3% recebem mais do que cinco e menos do que vinte salários mínimos. A renda domiciliar, quando o casal trabalha, evidentemente, é maior.

Distribuição das Pessoas Ocupadas por faixas de SM

Chiara Quintão (Valor, 10/09/14) informa que o Zap Imóveis lançou uma ferramenta de busca de preços de todos os apartamentos já anunciados no portal imobiliário nos últimos 11 anos. Sobre os valores pelos quais os imóveis foram anunciados é aplicado o Índice FipeZap e um desconto de 6,5% (abatimento médio entre o preço anunciado e fechado). De acordo com o presidente do Zap, Eduardo Schaeffer, a intenção é que o mapa de preços seja uma referência para o valor dos imóveis anunciados no mercado, que contribua para as duas pontas – vendedora e compradora – na negociação de uma unidade. Continuar a ler

Fundo de Pensão Fechado X Aberto (PGBL ou VGBL)

PGBL x Outros Fundos

Sérgio Tauhata (Valor, 16/07/14) avalia que, pelo fato de partilharem a mesma natureza complementar em relação à Previdência oficial concedida pelo INSS, os sistemas fechado e aberto podem confundir os participantes. O primeiro engloba os chamados fundos de pensão. São planos criados por empresas e voltados exclusivamente aos funcionários. Em geral, o modelo engloba, além dos aportes dos contribuintes, uma contrapartida do empregador, que varia de 50% a até 150% de cada salário ao longo do período de investimento.

No caso do regime aberto, qualquer pessoa pode aderir a um dos planos, conhecidos como PGBLs e VGBLs, oferecidos por bancos e seguradoras – empresas também por recorrer ao produto para oferecer aos funcionários. Nesse sistema, na contratação por pessoa física, os recursos são aportados apenas pelos participantes. No fim da acumulação, a pessoa pode usar os valores poupados para:

  1. comprar uma renda,
  2. reinvestir em outros produtos ou
  3. simplesmente sacar o dinheiro.

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CORE e Integração das Clearings de O Mercado

Integração ds clearings

Cícero Augusto Vieira Neto é diretor executivo de operações, clearing e depositária da BM&FBovespa. Publicou artigo (Valor, 18/08/14) afirmando que “osmercados financeiro e de capitais do Brasil passam a contar hoje com uma infraestrutura sem paralelo no mundo em termos de sofisticação, benefícios e segurança. Entra em funcionamento a primeira fase do projeto de integração das clearings da BM&FBovespa e seu novo sistema de administração de risco.

Essa mudança só se compara à implantação do novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) em 2002, projeto conduzido pelo Banco Central do Brasil que modernizou e tornou mais segura a infraestrutura dos mercados nacionais. O novo sistema de cálculo de risco integrado, chamado de CORE – um dos mais modernos e seguros do mundo -, propiciará maior eficiência à alocação de capital pelos investidores, com benefício imediato da ordem de R$ 20 bilhões.

A unificação dos processos de liquidação das clearings gerará maior eficiência na gestão de caixa das instituições, com economia diária de cerca de R$ 500 milhões. A maior padronização e automatização de processos gerará redução de despesas recorrentes em todo o mercado. A nova infraestrutura de TI reduzirá riscos operacionais e estará preparada para suportar o crescimento de volumes pelos próximos 20 anos. Os mercados nacionais ganharão em termos de robustez e competitividade. Continuar a ler

Rebalanceamento

Financial-portfolio-rebalance-graph

Linda Stern (Reuters, apud Valor, 18/08/14) avalia que os investidores que acham que estariam melhores comprando na baixa e vendendo na alta possuem na verdade uma ferramenta que pode forçá-los a fazer justamente isso. Ela se chama “rebalanceamento” – a prática de realocar regulamente um portfólio para que suas aplicações permaneçam nas proporções originalmente pretendidas.

Uma carteira com 60% de exposição em ações e 40% em bônus ou títulos de renda fixa ficará defasada se você a largar por tempo suficiente. Para rebalanceá-la, você precisa reduzir a proporção que aumentou – geralmente as ações – e direcionar o dinheiro para o outro lado.

Um investidor que faz isso regulamente vai se proteger de assumir mais riscos que o desejado. Ele também com frequência vai consolidar os ganhos e comprar títulos a preços melhores que conseguiria de outra forma.

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Vieses Heurísticos

Finanças Comportamentais

Luciana Seabra (Valor, 14/08/14) publicou reportagem sobre Finanças Comportamentais.

“Eles são otimistas em excesso e, quando se enganam, adiam a realização do prejuízo para não assumir o erro. Parecem falhas de investidores comuns, mas elas fazem parte também do dia a dia dos profissionais. O otimismo e a aversão ao arrependimento são os principais vieses emocionais dos gestores de fundos brasileiros, presentes respectivamente em 78% e 76% deles, conforme um estudo do Núcleo de Finanças Comportamentais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A conclusão parte de questionários de 46 perguntas respondidos por 98 gestores.

Os vieses, diz a teoria, são erros sistemáticos de julgamento. Há os do tipo cognitivo, distorções inconscientes na percepção, e os emocionais, relacionados ao instinto e à intuição. Servem de referência ao estudo da FGV os teóricos das Finanças Comportamentais Michael Pompian e Daniel Kahneman, o último premiado com o Nobel de Economia em 2002. Continuar a ler