Política de Tesouraria do BNDES (por Selmo Aronovich*)

Lucro anual do BNDESCarteira da Tesouraria X Ativo Total no BNDESTesourarias dos BancosPeso das Carteiras nas Receitas do BNDES

Finanças e análise de demonstrações financeiras são matérias razoavelmente complexas, o que requer do analista o cuidado de observar não apenas os quadros principais das demonstrações financeiras, assim como as notas explicativas, preferencialmente ao longo do tempo para que se observe as tendências e se chegue às conclusões corretas. As próprias informações financeiras não podem estar alijadas do contexto temporal e institucional, da evolução dos normativos bancários nacionais e internacionais, das mudanças contábeis (a adesão do Brasil aos princípios do IFRS), entre outros. A ausência de tais perspectivas pode gerar avaliações incorretas como as realizadas por Mansueto Almeida, assessor do Aécio. Para tanto, o BNDES disponibiliza em seu portal eletrônico a relação de suas demonstrações financeiras semestrais completas desde 2002, dentre diversas outras informações na seção Relação com Investidores.

A respeito do artigo publicado no Valor Econômico de 1 de outubro de 2014 de autoria do assessor de Aécio Never, o neoliberal Mansueto Almeida, que abordava supostas manobras para melhorar o superávit primário, existem algumas retificações necessárias aos pontos que mencionam o BNDES segundo Selmo Aronovich, superintendente da Área Financeira do BNDES

O artigo do técnico licenciado do IPEA sugere que o BNDES carrega uma carteira de títulos públicos federais de porte exagerado e que haveria geração extraordinária de resultados com o propósito de elevar artificialmente  a distribuição de dividendos ao acionista controlador do BNDES, a União. Tratam-se de suposições incorretas, que ignoram o papel e o funcionamento da gestão de liquidez de uma instituição financeira de grande porte, assim como a evolução institucional e da regulação bancária nacional e internacional. 

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Brasil: Fronteira de Expansão da Riqueza Mundial

Riqueza Brasileira

Luciana Seabra (Valor, 15/10/14) resenha o relatório colocado para download no post anterior. “Os ricos brasileiros têm US$ 3,2 trilhões, ou US$ 23,4 mil per capita, quando divididos pelo número de adultos residentes do país, segundo um relatório de riqueza global divulgado no dia 14/10/14 pelo Instituto de Pesquisa do Credit Suisse. Os integrantes do topo da pirâmide patrimonial brasileira avançaram em relação a 2000, quando a média era de US$ 7,9 mil. O ritmo, entretanto, caiu nos últimos anos. Em reais, o crescimento médio da riqueza por adulto foi de 1% entre 2011 e 2014. Em dólares, o valor encolheu 14% de 2011 para cá, levando o Credit Suisse a dar o título “Gigante adormecido” ao trecho destinado ao Brasil no relatório global.

Com riqueza por adulto na faixa entre US$ 5 mil e US$ 25 mil, o Brasil foi considerado no relatório – escrito pelos economistas Anthony Shorrocks, Jim Davies e Rodrigo Lluberas – um país da fronteira de riqueza. Estão no grupo alguns dos maiores países do mundo em população. Fazem companhia ao Brasil, por exemplo, China, Rússia, Egito, Indonésia, Filipinas e Turquia. A maior parte dos países da América Latina também integra o grupo, como Argentina, Peru e Venezuela.  Continuar a ler

Concentração da Riqueza Mundial

Riqueza brasileira

O 1% mais rico da população detém mais de 48% da riqueza mundial, que cresceu 8,3% de meados do ano passado a meados deste ano.

Uma pessoa com saldo financeiro de US$ 3.650 (R$ 8.720) estará na metade mais rica do mundo! Para ser membro dos 10% mais ricos são necessários US$ 77 mil. Já para fazer parte do 1% mais rico é preciso ter US$ 798 mil.

O mínimo de recursos para pertencer ao 1% mais rico cresceu desde a crise de 2008. Naquele ano, eram necessários US$ 635 mil, contra US$ 798 mil hoje.

De acordo com relatório do Credit Suisse sobre o assunto, em 2014 o total da riqueza no mundo bateu um novo recorde, alcançando US$ 263 trilhões. Continuar a ler

Variáveis-chave para Investimento Financeiro

China cuts US debt holdings

André Rocha, economista e advogado, é analista credenciado pela Apimec. Atua há mais de 15 anos na análise de ações. Escreveu post em seu blog http://www.estrategista.net/ importante para se compartilhar com todos os trabalhadores assalariados que necessitam se preocupar com sua Previdência Complementar. Reproduzo-o abaixo.

“Mudanças estruturais da economia brasileira nos últimos 20 anos levaram alguns brasileiros (ainda poucos é verdade) a se preocuparem com a criação de uma poupança ao longo da vida útil para suportar os gastos na aposentadoria. A estabilidade monetária permitiu que as pessoas passassem a programar seus orçamentos, tarefa impossível no período inflacionário. A redução de empregos em estatais ou antigas estatais com seus robustos fundos de pensão também contribuíram para o tema aposentadoria virar destaque. Mas o assunto ainda é um mistério para muitas pessoas.

A obtenção de uma renda futura para cobrir os gastos para quando ficarmos inativos depende apenas de quatro variáveis:

(i) a contribuição periódica,

(ii) o tempo de contribuição,

(iii) os juros reais e

(iv) o tempo de usufruto da poupança ou, sendo mais explícito, o período entre o início da aposentadoria e a morte. Continuar a ler

Viés de Desconto Hiperbólico: “Eu sou você amanhã!”

Aquiles Mosca é estrategista de investimentos pessoais e superintendente executivo comercial do Santander Asset Management. É autor dos livros “Investimento sob medida” e “Finanças Comportamentais“. Preside o Comitê de Educação de Investidores da Anbima. Publicou artigo (Valor, 01/10/14) sobre uma advertência importante em Finanças Comportamentais: a superestimativa do desejo, pulsão de conquista (e para isso exibicionismo sob forma de consumo de luxo) na fase de vida reprodutiva, face à subestimativa da razão, ou seja, postergação do autocontrole exigido para providenciar uma Previdência Complementar para a fase de vida inativa. Em outras palavras, você tem de trabalhar e investir em 35 anos para manter seu padrão de vida desejado durante mais 35 anos. Isto se você aposentar-se com 65 anos e viver até os 100 anos… Continuar a ler

Perfil dos Investidores com Base nas Finanças Comportamentais

Investidores

Luciana Seabra (Valor, 10/09/14) informa que ao criar, em novembro de 2013, uma plataforma de investimentos com base teórica nas Finanças Comportamentais, os sócios da Guide Investimentos não tinham como objetivo colaborar com a pesquisa acadêmica. Passado quase um ano, entretanto, os cerca de 5 mil clientes cadastrados – uma amostra de dar inveja a muitos cientistas – ajudam a desenhar um perfil do investidor brasileiro.

Ao se cadastrar na Guide, o cliente passa por um questionário bem diferente da tradicional análise de perfil do investidor, o “suitability“, exigido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Lá estão perguntas práticas, como sobre a preferência por uma viagem planejada ou improvisada ou a escolha de um encontro entre amigos em lugar movimentado ou calmo. Com base nos estudos do teórico de Finanças Comportamentais Michael Pompian, os clientes foram classificados segundo quatro perfis:

  1. independente,
  2. seguidor,
  3. preservador e
  4. acumulador.

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Finanças Comportamentais: Correlação Não É Causalidade Nem Aqui, Nem No Mundo

Vera Rita - Psicóloga Econômica

O nível de besteirol que se pode deduzir a partir de “exercícios econométricos” é impressionante! Pior, está condicionando o comportamento irracional da manada no mercado acionário, p.ex., deduzindo uma relação inversamente proporcional entre pesquisa eleitoral sobre a probabilidade de reeleição e oscilação da Bolsa de Valores. Como tem (curto) prazo de validade essa correlação, um investidor racional deveria segui-la? Sim, quando as ações de empresas com bons fundamentos em longo prazo caírem, compre-as e retenha-as em longo prazo

Luciana Seabra (Valor, 26/08/14) escreveu mais uma reportagem sobre Finanças Comportamentais. Informa sobre incríveis vieses heurísticos nacionais: econometristas confundem correlações com causalidades. Em um dia ensolarado, o Ibovespa tende a subir. Se o Brasil ganhou uma partida de futebol no dia anterior, esse é um reforço adicional para a alta. Parecem conclusões absurdas, mas é o que estudos de campo já apontaram em bolsas estrangeiras e que tem sido constatado por pesquisadores brasileiros para a bolsa local a partir de análises econométricas.

Como o investidor das finanças comportamentais tem racionalidade limitada e está sujeito a emoções, não são só os fundamentos que importam, dizem os pesquisadores que se reuniram na Fundação Getúlio Vargas (FGV) para o primeiro Encontro Brasileiro de Economia e Finanças Comportamentais. Se assim for, sentimentos como os causados pelo tempo chuvoso podem influenciar as decisões de compra ou venda de ações e, assim, o comportamento dos preços.

Os estudos dos pesquisadores brasileiros reforçam a Teoria da Perspectiva, criada por Daniel Kahneman e Amos Tversky em 1979, consagrada pelo prêmio Nobel de Economia em 2002. Ela aponta para um investidor que não toma decisões perfeitamente racionais, mas recorre a regras de bolso, que podem levar a erros sistemáticos. Continuar a ler