Investidores Qualificados, Superqualificados e Profissionais: Multimilionários

Faixa de Patrimônio Aplicado

Os leitores deste modesto blog são testemunhas de como tenho me esforçado para avaliar a concentração de riqueza no País, antes mesmo desta onda (positiva) despertada pelo livro de Thomas Piketty, O Capital do Século XXI. Reuno aqui todos os indícios que são publicados. Confira colocando em Pesquisa (canto superior direito) as palavras-chave “milionários”, “bilionários”, “fortuna”, “riqueza”, UHNWI, etc.

O problema é que os dados obtidos por estimativas, muito delas internacionais — segundo a Wealth Insight, foram 194,3 mil brasileiros milionários mapeados no final de 2013–, não batem bem com os indicadores derivados de observações diretas dos registros das instituições financeiras brasileiras. Estas, além de não excluírem a dupla contagem — um investidor com aplicações em diversos bancos –, não incluem o capital imobiliário, mesmo desconsiderando a residência principal na avaliação da fortuna disponível.

Luciana Seabra (Valor, 17/07/14) informa que apenas um total de 3.902 investidores brasileiros poderiam ser chamados de “profissionais” nos moldes da Instrução nº 539 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e, assim, ter acesso a aplicações financeiros mais sofisticados. É esse o número dos que têm pelo menos R$ 20 milhões em patrimônio financeiro. Eles correspondem a apenas 2,9% dos 131 mil investidores hoje chamados pelo mercado de “superqualificados“, que podem aplicar em produtos com tíquete mínimo de R$ 1 milhão. Continuar a ler

Pessoa Física: Investir em Ações?

Ações pagadoras de dividendosFundos de Ações que Pagam Dividenos

Vale a pena investir em ações de empresas brasileiras em curto prazo? Considerando que as participações dos investidores indicam, claramente, que a Bolsa de Valores está dominada por especuladores profissionais estrangeiros, amadores não devem se arriscar a sujeitarem a seus humores (pânico ou euforia) em curto prazo. Quem tiver menor aversão ao risco, vale comprar agora na baixa e colocar parte de seu portfólio, de acordo com o ciclo de vida profissional, p.ex., 25-35 anos: 45%; 35-45 anos: 30%; 45-60 anos: 15%. Deve comprar, de acordo com uma análise fundamentalista, e retendo em longo prazo até realizar um ganho de capital superior ao custo de oportunidade.

  1. investidores estrangeiros: 50,88%;
  2. investidores institucionais: 29,67%;
  3. pessoas físicas: 13,72%;
  4. instituições financeiras: 5,03%;
  5. empresas: 0,65%.

Número de contas de investidores pessoas físicas: 571.963. Este número está em tendência de queda.

A Bovespa movimentou, em abril de 2014, apenas R$ 150,11 bi. A média diária foi só de R$ 7,50 bilhões, com a média diária de quantidade de negócios de 986.211.

Como sempre, as ações que concentram 30% do mercado registraram o maior giro financeiro:

  1. PETROBRAS PN, com R$ 12,65 bilhões;
  2. VALE PNA, com R$ 9,05 bilhões;
  3. ITAUUNIBANCO PN, com R$ 8,16 bilhões;
  4. BRADESCO PN, com R$ 5,82 bilhões; e
  5. PETROBRAS ON, com R$ 4,07 bilhões.
  • Valor de mercado (capitalização bursátil):

– “pico” em 15/05/08: R$ 2.575,9 bi (US$ 1.551,7 bi), logo depois do anúncio do “grau de investimento”.

– “piso” em 31/12/08: R$ 1.375,3 bi (US$ 588,5 bi); após a explosão da crise mundial, as empresas com ações listadas na Bovespa perderam cerca de 2/3 do valor de mercado!

– houve um “semi-recuperação” cinco anos após, pois em 31/12/13 atingiram R$ 2.414,2 bi (US$ 1.030,6 bi).

– mas, neste ano, a Bolsa de Valores continua andando de lado” já que, em 30/04/14, caiu para R$ 2.368,9 bi (US$ 1.059,4 bi).

Entre as 370 empresas com ações negociadas na BM&FBOVESPA, as 187 empresas listadas nos Níveis Diferenciados de Governança Corporativa representavam 69,48% do valor de mercado, 76,85% do volume financeiro e 84,10% dos negócios realizados no mercado a vista. Só elas que importam… Continuar a ler

Finanças para Aposentadoria

Retrato do Futuro Atual

Sérgio Tauhata (Valor, 12/06/14) avalia que, na busca por entender o futuro, as pessoas costumam olhar para o passado. Entretanto, esse apoio na segurança das experiências já vividas ou testemunhadas pode gerar expectativas que, em grande parte das vezes, não se concretiza. O mesmo efeito ocorre quando se fala em aposentadoria. É o que mostra pesquisa feita pela consultoria Mercer com 1,5 mil aposentados que contribuíram com Planos de Previdência Complementar.

O estudo revela um quadro no qual, para a maioria, a vida ficou mais difícil após a saída do mercado de trabalho. Do total de entrevistados, 63% viram suas despesas permanecer iguais ou aumentar ao mesmo tempo que a renda diminuiu significativamente. Conforme o levantamento, 50% passaram a receber entre 40% e 80% do salário, mesmo se somado o benefício recebido pelo INSS, enquanto outros 40% tiveram uma redução dos recursos da ordem de 60% ou mais em relação à época ativa, também incluída a pensão oficial.

Os dados reforçam a percepção de que, em geral, as condições válidas para uma geração quase nunca vão funcionar para a próxima. O estudo revelou alguns dados e informações muito interessantes e contrárias ao que todo mundo achava. Continuar a ler

Fundos Hedge ou Multimercados: Risco do Market-Timing

Investidor em fuga

Luciana Seabra e Alessandra Bellotto (Valor, 26/06/14) avaliam que os fundos multimercados brasileiros ameaçaram sair do inferno astral em que entraram no pós-crise, devido à queda dos juros, mas, com o cenário de indefinições, dado o falso alarmismo sobre a economia brasileira, voltando a desafiar o gestor, ficou claro que a categoria ainda não caiu nas graças do investidor. Somente nos últimos 12 meses, os resgates superam as entradas em R$ 26 bilhões. Assim, mais do que anularam a captação líquida de R$ 20 bilhões dos 12 meses anteriores. Com R$ 490 bilhões, os multimercados respondem por 19,2% do patrimônio investido em fundos – no fim de 2004, representavam 28,5%.

Mesmo que o retorno recente não estimule, os alocadores de recursos apontam os multimercados como classe de ativos obrigatória no portfólio hoje, dado o mandato para operar em diversos mercados, mudar posições rapidamente, aproveitando movimentos de curto prazo, e a possibilidade de preservar capital em cenários de incertezas. Ou seja, o investidor parece estar no sentido errado. Será mesmo? A miopia (ver perto, mas não enxergar longe) maior encontra-se no mercado de ações… Continuar a ler

Administração de Pequenas Fortunas

desigualdades-sociais

Sérgio Tauhata (Valor, 24/06/14) informa que os dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) sobre a gestão de patrimônio relativos a 2013 fornecem indícios sobre o maior foco dos bancos nos correntistas que formam a base do private banking, a área de administração de fortunas. Segundo o levantamento da entidade, ao mesmo tempo em que houve um crescimento do número de clientes em relação a 2012, foi registrada uma diminuição do volume de recursos per capita.

Conforme as estatísticas, o segmento private como um todo registrou aumento de 11,3% no número de clientes no ano passado, para 54.314, enquanto o patrimônio médio por investidor diminuiu 1,8%, para R$ 10,6 milhões. Ou seja, houve maior entrada de correntistas com menor volume de recursos para os bancos.

público com recursos entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões representa hoje 47 mil indivíduos, ou seja, 87% dos clientes do private. Apesar da maioria numérica, essa base do private tem R$ 135 bilhões em recursos, cerca de um quarto do montante total do segmento, de R$ 591,4 bilhões, de acordo com dados da Anbima. Continuar a ler

Famílias Milionárias no Mundo

Patrimônio global 2013

Famílias milionárias no mundo 2013

Os ganhos no mercado financeiro, em especial na China, elevaram o patrimônio global das famílias em 14% no ano de 2013, para um volume recorde de US$ 152 trilhões – o equivalente a cerca de dez vezes o tamanho da economia americana, segundo um relatório da consultoria Boston Consulting Group.

No Brasil, onde o patrimônio das 70 mil famílias milionárias (sendo 227 famílias com patrimônio financeiro superior a US$ 100 milhões) havia crescido 14% em 2012, a alta em 2013 foi menor – 5,6% – por causa do ritmo mais fraco do mercado de ações e títulos no ano passado.

O patrimônio é calculado levando em conta a poupança, depósitos em dinheiro, ações e outros ativos. Imóveis, artigos de luxo e empresas não são contabilizados. Continuar a ler

Plano de Recuperação Judicial da OGX pelos Credores

Key Speakers At The Milken Institute Global Conference

Cláudia Schuffner e Rodrigo Polito (Valor, 04/06/14) informam que o empresário Eike Batista conseguiu uma vitória com a aprovação maciça do plano de recuperação judicial da OGX pelos credores. O plano foi aprovado por 82,59% dos credores que participaram da assembleia e detinham 90,42% da dívida.

A OGX entrou em recuperação judicial devendo cerca de R$ 12 bilhões e agora esses créditos serão convertidos em ações em uma assembleia de acionistas que deve acontecer em setembro ou outubro de 2014.

A aceitação pela maioria dos credores significa que o plano teria sido aprovado mesmo sem a participação dos bondholders a quem a empresa devia US$ 3,56 bilhões. Segundo o Valor apurou, o grupo dinamarquês Maersk e a BR Distribuidora votaram contra o plano. Continuar a ler

Dólar para Viagem

Dólar no Bolso

Eduardo Cucolo (FSP, 19/05/14) informa que o aumento do IOF derrubou em 67% a compra de moeda estrangeira por meio de cartões pré-pagos no primeiro trimestre de 2014.

Dados do Banco Central mostram que o turista brasileiro trocou esse meio de pagamento pelo dinheiro em espécie, cujas compras cresceram 25% nesse período em relação aos três primeiros meses do ano passado.

De acordo com empresas do setor, há hoje falta de moeda estrangeira em algumas cidades do país. E a previsão das corretoras é que o problema deva se agravar com a chegada das férias de julho. [FNC: E a chegada de cerca de 600.000 turistas para ver a Copa?]

A moeda física é a única forma de câmbio para turismo com imposto de 0,38%. No cartão de crédito, alíquota é de 6,38% desde 2011. No começo de 2014, o IOF no pré-pago em moeda estrangeira também foi a esse patamar. Continuar a ler

“Os negócios fraudulentos acontecem o tempo todo. O que acontece é que se eles perdem dinheiro, são demitidos sem barulho. Se eles ganham, ninguém liga.”

Kerviel Soc Gen's Former Trader Appeals

Michael Stithard (Financial Times apud Valor, 12/05/14)narra a história de Jérôme Kerviel, o operador que perdeu a maior quantidade de dinheiro no mundo.

“Em um caminho de terra ressecado pelo sol em um vinhedo no norte da Itália, ouve-se a sirene distante de um carro de polícia. Jérôme Kerviel para, levanta a cabeça e olha em volta. A sirene pode significar que finalmente, seis anos após ter executado negócios não autorizados avaliados em € 50 bilhões, o ex-funcionário do banco Société Générale (SocGen) irá para a prisão.

“Pode ser esta tarde, pode ser amanhã, na semana que vem ou mesmo quando eu cruzar a fronteira com a França”, diz o homem de 37 anos que no mês passado teve uma apelação final recusada pela mais alta corte criminal da França.

Como o operador desonesto chegou nessas colinas a apenas 100 quilômetros da fronteira francesa, onde nos encontramos, é uma longa história que ele se esforça para explicar. Em janeiro, ainda aguardando o resultado de uma prolongada sequência de julgamentos, apelações e sentenças, ele ficou tão “agoniado” que pensou em se suicidar. Então, com o apoio do monsenhor Jean-Michel di Falco Léandri, um ilustre bispo francês, ele conseguiu uma audiência com o Papa. “Foi incrível encontrar o Papa. Minha mente estava fechada e ele encontrou a chave para abri-la e deixar a luz entrar. É difícil descrever com palavras.” Continuar a ler

Saque de Depósitos de Poupança

Porquinho da Poupança

Eduardo Campos (Valor, 08/05/14) informa que, pela primeira vez em 25 meses, a caderneta de poupança teve mais saques do que depósitos. Em abril de 2014, de acordo com dados do Banco Central (BC), a captação líquida foi negativa em R$ 1,273 bilhão, a primeira saída desde fevereiro de 2012.

O resultado não chega a surpreender, já que os volumes captados em comparação a 2013 vinham recuando significativamente, sugerindo que a saída aconteceria em breve. Em março, o ingresso de R$ 1,789 bilhão foi 70% menor que o visto em igual período de 2013. Já no acumulado de 2014, a captação da poupança é positiva em R$ 4,12 bilhões, soma 69% menor que os R$ 13,2 bilhões vistos em igual período do ao passado.

A alta da Selic e a perspectiva de juro básico elevado por mais tempo, bem como a inflação alta estariam mudando não só a preferência como a capacidade de poupar das empresas e famílias. Continuar a ler

Volatilidade de Fundos de Inflação

Volatilidade dos Fundos de Inflação

Luciana Seabra (Valor, 24/04/14) informa que não se fazem mais fundos de inflação como antigamente. De três anos para cá essas carteiras assumiram um novo comportamento, com oscilações crescentes e picos cada vez maiores. Foi uma surpresa para o investidor que se sentiu atraído pelo apelo de um fundo classificado como renda fixa ou pela proteção contra a inflação. O humor oscilou com prejuízos como o de 2,46% em maio de 2013 e ganhos como o de 2,96% em fevereiro deste ano. Desde o início de 2013, os períodos de ganhos não ultrapassaram dois meses.

O investidor reagiu. O patrimônio líquido dos fundos de inflação, que alcançou R$ 143 bilhões em janeiro de 2013 depois de sete meses de ganhos, recuou para R$ 119 bilhões em fevereiro deste ano. Foram R$ 24 bilhões a menos em 12 meses consecutivos em que os resgates superaram a captação. Em março e abril esses fundos voltaram a captar, mas timidamente. Continuar a ler

Imposto de Renda

IRPF

Eduardo Belo (Valor, 26/03/14) avalia que, investimentos em tecnologia, sistemas inteligentes de cruzamento de dados, criação de mecanismos para aumentar o grau de formalização da economia e exigência de informações por parte das empresas, do sistema financeiro e até de serviços públicos são os ingredientes que fazem da Receita Federal brasileira um dos mais bem aparelhados órgãos fiscais de todo o mundo.

Cabe aos controles instituídos nos últimos dez anos pela Receita grande parte da responsabilidade pelo alcance, em 2013, de uma carga tributária de 36%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Só o Imposto de Renda (IR) alcançou a marca recorde de mais de 6% do PIB na arrecadação do ano passado. Para este ano, a participação do IR tende a subir, em decorrência dos controles cada vez mais eficazes e do aumento da base de contribuintes. Continuar a ler