O Rio de Rapoport

Alexandre RapoportRapoport

A mostra reúne cerca de 40 obras inéditas de varias fases do artista carioca Alexandre Rapoport, com técnicas e formatos diversos. As obras selecionadas são uma pequena parte da vasta produção de Rapoport e destacam sua visão lúdica e bem humorada sobre aspectos presentes na cultura carioca, tais como carnaval, futebol, musica e circo, mantendo sempre o traço peculiar que caracteriza seu trabalho.

Pintor, arquiteto, gravador e desenhista, Alexandre Rapoport nasceu no Rio de Janeiro em 1929. Começou a pintar como autodidata mesmo antes de ingressar na faculdade nacional de arquitetura da Universidade do Brasil (atual FAU-UFRJ), em 1948. Fez desenho e gravura na escola nacional de belas artes, época em que já participava de diversas exposições coletivas com pinturas, desenhos e gravuras no Museu Nacional de Belas Artes e no Ministério de Educação e Cultura. Sua obra ganhou influências da arte de Portinari a partir de 1949.

Alexandre Rapoport dedicou-se também ao desenho industrial e tem uma carreira solidificada por importantes premiações por participações em exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Além do Brasil, seus trabalhos integram acervos de coleções particulares e instituições em Roma, Viena, Zurique, Nova York, Londres, Tókio, Paris, Buenos Aires, Antuérpia, Washington, Jerusalém e nas agências do banco do Brasil em Hamburgo, Londres, Paris, Roterdã, Lisboa, Viena, Costa do Marfim e Estocolmo.

SERVIÇO:
Exposição: “O Rio de Rapoport
Abertura: 13 de agosto, às 19h
Visitação: até 21 de setembro – terça-feira a domingo, das 12h às 19h – GRÁTIS/LIVRE
Local: Centro Cultural Correios – Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro – Rio de Janeiro – RJ
Telefone: (21)2253-1580

Veja maisAcervo de Alexandre Rapoport

J. Carlos em Revista

J Carlos - Calle Florida - Buenos Aires - 1930 02_jcarlos J Carlos - Pão-de-AçúcarJ Carlos - Pandeirista jcarlos24876 charge j carlos 02-jcarlos-paratodos-01

As revistas antigas são instrumentos preciosos para se conhecer o passado.  Talvez pelo fato de não terem sido pensadas (projetadas)  para durar tanto quanto os livros, elas trazem um retrato fresco e verdadeiro de uma época. Através de suas páginas é possível saber como as pessoas se vestiam, o que comiam, aonde iam, o que se lia ou se via em cinema, teatro e música, o que se consumia… enfim, um verdadeiro manancial de informações apresentadas de forma lúdica, envoltas em deliciosos desenhos, fotografias e letras.

Acontece que as revistas dos anos 1920 eram impressas em parte em papel jornal, um papel que envelhece mal, e cuja fibra com o tempo tende a trincar, rachando as páginas.

Graças ao patrocínio do  Programa Petrobras Cultural a equipe do site J. Carlos em Revista digitalizou em alta definição nove anos de duas das publicações mais importantes no cenário nacional da época – O Malho e a Para Todosentre 1922 e 1930, período no qual foram dirigidas pelo grande designer e caricaturista J. Carlos. Continuar a ler

Formação da Culinária Brasileira – Escritos sobre a Cozinha Inzoneira

Em “Formação da Culinária Brasileira – Escritos sobre a Cozinha Inzoneira“, lançado no dia 26/05/14 pela editora Três Estrelas, estão reunidos sete ensaios do sociólogo Carlos Alberto Dória que passeiam pela problematização da nossa gastronomia.

Dória avança em relação aos registros de Gilberto Freyre (1900-1987) e Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), os dois intelectuais que mais contribuíram para o entendimento da culinária nacional, e derruba mitos fincados no folclore alimentar.

Um deles é o da miscigenação culinária, que iguala as contribuições de índios, negros e brancos. Ora, em um regime escravocrata, diz ele, não há o elemento mais importante para a criação de uma culinária: a liberdade. Os negros não tinham autonomia nas senzalas e os povos indígenas foram dizimados durante a colonização.

Outro, que a feijoada brasileira é um prato nacional surgido nas senzalas. Dória recorre a registros históricos que dizem que o feijão-preto enriquecido com carnes surgiu no Rio, no final do século 19.

Mais: discute a noção de regionalismo. Critica a divisão sociopolítica da nossa culinária (Norte, Nordeste etc.), “que só serve à indústria do turismo”, para redesenhar o território brasileiro a partir de “manchas descontínuas” de ingredientes como os seguintes: Continuar a ler

Nuances (por Gregorio Duvivier)

Nuances

Assento: põe-se embaixo. Acento: põe-se em cima.

Barco: qualquer embarcação. Barca: embarcação lenta.

Ciúme: inveja de afeto. Inveja: ciúme de coisa.

Contagiante: alegria. Contagiosa: doença.

Corda: em qualquer lugar. Cabo: a corda, quando num barco.

Cumpridas: as leis não são. Compridas: as leis são.

Depressão: tristeza de rico. Desespero: tristeza de pobre.

Despensa: armário. Dispensa: o que você não guarda na despensa.

Discriminar: o que é feito com o usuário de drogas. Descriminar: o que deveria ser feito com ele.

Ecologia: proteger o verde. Economia: multiplicar o verde.

Em trânsito: em movimento. No trânsito: sem movimento.

Eu te amo: quando se ama. Eu também: quando não se quer cometer uma grosseria.

Euforia: alegria barulhenta. Felicidade: alegria silenciosa.

Excelência: perfeição. Vossa Excelência: crápula.

Fantasia: roupa no Carnaval. Figurino: na televisão. Caretice desnecessária: no teatro contemporâneo.

Golfinho: baleia extrovertida. Tubarão: golfinho sociopata.

Golpe: revolução pra quem sofreu. Revolução: golpe pra quem participou.

Gravar: quando o ator é de televisão. Filmar: quando ele quer deixar claro que não é de televisão.

Grávida: em qualquer ocasião. Gestante: em filas e assentos preferenciais.

Guardar: na gaveta. Salvar: no computador. Salvaguardar: no Exército.

Javali: porco de raiz. Porco: javali metrossexual.

Língua: dialeto de rico. Dialeto: língua de pobre.

Menta: no sorvete, na bala ou no xarope. Hortelã: na horta, no mojito ou no suco de abacaxi.

Mentira: na vida real. Inverdade: na política.

Mitologia: religião sem adeptos. Religião: mitologia com seguidores.

Peça: quando você vai assistir. Espetáculo: quando você está em cartaz com ele.

Policial: em qualquer ocasião. Tira: quando você está sendo dublado.

Recife: quando você não é de Recife. Ricife: quando você é de Recife. Récife: quando você não é de Recife e está imitando alguém de Recife.

Teatro: em São Paulo. Tchiatro: no Rio. Tiatro: em Ricife. Téatro: na Bahia.

Ukulele: cavaquinho hipster. Rabeca: violino bêbado.

Vocabulário: léxico de quem não tem muito léxico. Léxico: vocabulário de quem tem muito vocabulário.

 

Fonte: FSP, 24/04/14

Nuances naturais para harmonizar

Ser Escritor?! Ora, Conta Outro Conto!

Romance X Conto

Miguel Sanches Neto, doutor pela Unicamp, professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, é romancista, poeta, contista e ensaísta. Autor, entre outros, do romance “A Máquina de Madeira” (Companhia das Letras) e da coletânea de contos “Então Você Quer Ser Escritor?” (Record), escreveu artigo (Valor – Eu&Fim-de-Semana, 21/03/14) sobre este último título: nossa ambição de ser escritor, de início, de contos.

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