Histórias Reais (coletadas por David Byrne)

David Byrne (14 de maio de 1952, Dumbarton, Escócia, Reino Unido) é músico, compositor e produtor musical, tornou-se mais famoso por ter fundado a banda Talking Heads, em 1974, durante seu curso na “Rhode Island School of Design”. No início, o grupo eram apenas David Byrne (vocal, guitarra) e o colega Chris Frantz (bateria), que tocavam e compunham. Depois, a namorada de Chris, Tina Weymouth (baixo), juntou-se a eles, e então David mudou o nome da banda para Talking Heads. Lançou seu primeiro disco em 1977 e durou até 1991. Foi um dos grupos precursores do new wave e worldbeat. O Talking Heads fez a sua criação também com a mistura do minimalismo punk, rock, pop, funk, intelectualismo, e no final da carreira, com a world music.

David migrou para os EUA com seus pais quando tinha sete anos. Em 1986 na produção de seu filme “True Histories” conheceu a designer Adelle Lutz com quem se casou em julho 1987, tiveram uma única filha, e se divorciaram em 2004. Além de dirigir o filme True Stories, produziu diversos álbuns de música caribenha e brasileira (incluindo o trabalho com Tom Zé e Margareth Menezes), notadamente o álbum Rei Momo e um vídeo documentário sobre o candomblé chamado The House of Life. David Byrne também é fotógrafo e escritor, seu último livro publicado no Brasil é o “Diários de Bicicleta” (Bicycle Diaries), pelo Selo Amarilys da Editora Manole.

David Byrne, líder dos Talking Heads, estreou na direção nesse irônico musical sobre um homem que visita um vilarejo do Texas em plena comemoração dos 600 anos (sic) da cidade. Ali encontra diversos personagens com os quais, em breves sketchs, critica o consumismo, a publicidade, a religiosidade, a alienação, a breguice e a caipirice da classe média emergente. O roteiro deste filme cult foi escrito a partir de histórias reais coletadas de pequenas notícias de jornais locais. “True Stories“, trilha sonora desse filme teve como hits “Radiohead” (que inclusive deu nome ao grupo inglês liderado por Thom Yorke, o Radiohead) e a contagiante “Wild Wild Life“, mas todas as músicas, em diversos gêneros, são interessantes. É filme raro. Tenho apenas cópia em VHS. Quem souber onde posso achá-lo digitalizado, favor colocar em Comentários. Antecipo agradecimentos. Sou fã do Talking Heads.

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Um Bom Ano

Outro filme relacionado a vinho foi Um Bom Ano (A Good Year) em 2006. Max Skinner (Russell Crowe) é investidor inglês sem muitos escrúpulos que vive somente para demonstrar sua competência em ganhar cada vez mais dinheiro. Quando seu tio Henry (Albert Finney), seu parente mais próximo, morre, ele herda sua vinícola na França. Ao viajar ao local para ajustar detalhes a fim de vendê-lo, Max acaba esticando a temporada no local. Deixando-se envolver pelo inebriante clima de vinhedo francês, recupera sua memória de infância e outros valores.

 

 

SideWays: Guia para Vinho e Vida

O subtítulo em português, “Entre Umas e Outras“, com duplo sentido, espelha a cultura típica do “macho brasileiro issperrto“, ou melhor, reflete a visão tosca de qualquer machista no mundo, no caso, um dos personagens. Acho que o filme se retrata mais pelo subtítulo em inglês do qual fiz livre tradução acima. A estória é a seguinte: expert em vinhos dá de presente ao seu melhor amigo uma viagem pelas vinícolas da Califórnia durante a semana anterior ao casamento. Um dos amigos (cabeça intelectual, sensível, deprê) guia a viagem aos prazeres do vinho, outro (ator sem sucesso, metrosexual, cabeça fresca) a viagem interna do colega. É comédia romântica adulta. Tornou-se inesquecível pelo culto ao vinho Pinot Noir e pela crítica impiedosa ao Merlot. Derrubou a venda deste e elevou a daquele.

O filme foi vencedor do Oscar 2005 de Melhor Roteiro Adaptado, tendo sido indicado nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor ator coadjuvante (Thomas Haden Church) e melhor atriz coadjuvante (Virginia Madsen). Venceu o Globo de Ouro 2005 nas categorias de melhor filme – comédia / musical e melhor roteiro. Venceu o Bafta 2005 como melhor roteiro. No Independent Spirit Awards 2005 (EUA) venceu nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Paul Giamatti), melhor ator coadjuvante (Thomas Haden Church), melhor atriz coadjuvante (Virginia Madsen) e melhor roteiro.

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Cenas Musicais: Kansas City

A sinopse do filme de Robert Altman, realizado em 1996, como é comum em sinopses, não sugere sua originalidade: “Kansas City, 1934, véspera das eleições, na qual a enorme máquina eleitoral do Partido Democrata está em atividade. Paralelamente, homem branco, Johnny O’Hara, ladrão pé-de-chinelo, se disfarça de negro para cometer um roubo, mas logo é identificado e capturado pela quadrilha de Seldom Seen, chefão do crime. Temendo pela vida do marido, Blondie, a esposa de Johnny, arquiteta plano ousado”.

E daí? Nada. O roteiro é, à primeira vista, muito confuso, mas logo salta aos ouvidos que a importância do filme está na magnífica trilha sonora. A pretensão de Altman, no caso de Kansas City (1996),  era filmar como estivesse improvisando, similarmente ao Jazz de 1934.

Com sua iconoclastia, em seus filmes, Altman subvertia a tradição com postura revisionista, fazendo sátira e crítica de costumes sociais. Dividindo o cenário por grupos de pessoas, cada qual com determinada motivação, criava mosaico de personagens, músicas, som e imagem com enorme maestria. Seus filmes tem câmaras que se movem continuamente, cortes rítmicos e comentários em on e off. Revelam com ironia o preconceito racial, o egoísmo e a vulgaridade. Altman costumava usar os mesmos atores e os fazia improvisar.

Em “Kansas City”, ele selecionou os maiores músicos do Jazz da atualidade, caracterizou-os como músicos da época da “Cidade do Swing” e colocou-os interpretando os clássicos dos anos 30. Altman usa o amor e o conhecimento de Jazz do personagem principal como força dramática, como jamais o Jazz foi usado no cinema. O filme foi ambientado na denominada “Paris dos Pobres”, durante era esquizofrênica, no tempo e no lugar. O resto do país estava arrasado pela Grande Depressão, mas Kansas City era oásis de oportunidades para quem queria se arriscar. Jogar era ilegal, mas o jogo era fartamente praticado. A máquina política e o controle da Máfia asseguravam perverso tipo de prosperidade. Impregnando a cidade com sua energia própria estava o Jazz, que reverberava pelos guetos tanto como antídoto quanto como reflexão sobre o racismo inerente ao período.

Nas próprias palavras de Robert Altman está a melhor sinopse do filme. “Minha idéia para Kansas City era construir história melodramática e colocá-la junto com o Jazz de Kansas City de 1934. Em outras palavras, o drama da época com a música da época. A simplicidade do enredo dá aos atores liberdade para criar, para viajar nas suas idéias sobre seus personagens, improvisando em cima da história básica. Kansas City é um Filme Jazz”.

Ele continua. “Para recriar o som de Jazz de Kansas City e a atmosfera de um clube de Jazz de 1934, trouxemos os melhores músicos jovens que existem atualmente. Esses músicos, muitos dos quais de escolas diferentes, e que jamais, sob nenhuma circunstância, tocaram juntos (e talvez jamais toquem novamente), são todos leaders. Nós os colocamos juntos, e bastou pequeno período de adaptação para eles começarem a improvisar uns com os outros. Eu não acredito que alguma coisa parecida será vista ou ouvida novamente por um longo, longo tempo”.

Altman fez, então, o documentário denominado Jazz 34. Consegui gravá-lo em VHS, parcialmente, quando passou no GNT, há muito tempo. Tento encontrá-lo em DVD, mas jamais consegui. Tenho sim o CD (Kansas City Original Motion Picture Soundtrack lançado no Brasil pela PolyGram Records em 1996) com a extraordinária trilha sonora. Reuno abaixo as cenas e as faixas que consegui no YouTube. Quem puder dar dica de como conseguir o DVD, favor postar em Comentários.

Clip from Jazz 34

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