Curso Economia Monetária Através de Filmes

UnicampINSTITUTO DE ECONOMIA

Maiores Informações: Secretaria de Extensão  (das 09h00 às 21h00)

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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM  ECONOMIA FINANCEIRA (ECO-200)

ECO-201        ECONOMIA MONETÁRIA

EMENTA: Postulados da Teoria Quantitativa da moeda e da Teoria alternativa da moeda. Origem, formas de moeda e funções do dinheiro.  Formas de criação e de entrada da moeda na Economia. Demanda por moeda.  Preferência pela liquidez e taxa de juros. Exogeneidade ou endogeneidade da oferta de moeda. Mecanismos de transmissão monetários: efeitos sobre o produto, emprego e inflação. Teorias de inflação moderada, inercial, acelerada e hiperinflação.  Política de estabilização. Condução da política monetária pelo Banco Central.

PROFESSOR RESPONSÁVEL: Prof. Dr. Fernando Nogueira da Costa

MÉTODO DIDÁTICO: reunir teoria e debate com base em filmes. Em cada aula, serão apresentados fundamentos teóricos para a análise de alguma questão monetária visualizada através de filme.

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Crash

Aula 9 Crash 2008

UnicampResumo da Aula:

Segundo uma interpretação, a origem da crise financeira atual está no banco central norte-americano, o Federal Reserve. Enquanto ele se empenhava no controle da inflação de preços ao consumidor,  optava por ignorar os perigos da inflação de ativos financeiros, enganado pela tese da auto-regulação: “os mercados livres são capazes de se regular”.

Segundo outra interpretação, a origem da crise de crédito atual está nas mudanças institucionais ocorridas em instituições financeiras de Wall Street, depois de  1980, inclusive quando foi derrubado o Glass-Steagall Act, vigente desde 1933, em 1999, passou haver desintermediação bancária, e os planos de negócios passaram a comportar três componentes básicos:

  1. As empresas financeiras foram além do seu papel tradicional de consultoras e intermediárias para assumir papel de sócias em negócios especulativos.
  2. As remunerações dos executivos foram infladas por bônus anuais por desempenho, incentivando a tomada de risco em curto prazo.
  3. Os bancos de investimento passaram a depender em grande medida de dinheiro emprestado, para fazer “alavancagem financeira” com capital de terceiros.

 

 

Economia de Bolhas

Aula 8 Economia de Bolhas

UnicampResumo da Aula:

Bolhas” surgem quando os preços de mercado  dos ativos são inconsistentes com o que os fundamentos macroeconômicos justificariam. Economia de boom (com alto crescimento) gera bolha de ativos quando a escala de influxos nominais de riqueza à caça de oportunidades em ativos reais ultrapassa a capacidade de criação desses ativos de capital. As bolhas de ativos, seguidas por  os colapsos de ativos, são virtualmente onipresentes em economias (ou em mercados) com fronteiras delimitadas.

Inflação e Deflação de Ativos

Aula 7 Inflação e Deflação de Ativos

UnicampResumo da Aula:

Em economia aberta, o aumento do preço de demanda dos ativos de capital e a perspectiva de ganhos com a valorização dos ativos intensifica o ingresso de capitais estrangeiros. Mas esse influxo contribui para uma apreciação da moeda nacional, em regime de câmbio flexível, com impacto sobre o balanço comercial. A facilidade de importações a custo mais baixo amortece, temporariamente, as pressões inflacionárias em preços correntes, típicas dos estágios avançados dos ciclos expansivos. No entanto, com o agravamento do déficit no balanço de transações correntes, aumenta a possibilidade dos investidores internacionais se recusarem a continuar absorvendo ativos ou títulos de dívida denominados na moeda do país deficitário, mesmo sob o aval do Tesouro Nacional desse país. Uma alternativa para a autoridade monetária do país é compensar a queda do cupom cambial para os investidores estrangeiros – dado o aumento no risco de perda, pela depreciação da moeda nacional, no momento de retirada de capitais – com um aumento no diferencial entre juros domésticos e juros internacionais (i – i* = ê, isto é, taxa de depreciação esperada). Mas as autoridades monetárias, nestas circunstâncias, são colocadas diante de uma escolha difícil. O temor de uma aceleração da inflação e da saída de capitais recomendaria a subida dos juros de curto prazo. Esta medida poderia, no entanto, deflagrar um perigoso colapso na bolha formada pelo crescimento desmesurado dos preços dos ativos.

Mecanismo de Transmissão Monetário: Interação e Iteração

Aula 6 Mecanismo de Transmissão Interação e Iteração

UnicampResumo da Aula:

A Economia (e o filme O Dinheiro, dirigido por Robert Bresson) mostra que você não pode ficar rico por conta própria, isoladamente. O problema de interdependência estratégica entre as decisões dos agentes econômicos trata da interação, isto é, ação mútua entre os agentes, em combinação com a iteração, ou seja, o ato de iterar ou repetir seqüência de operações, em que o contexto de cada qual é o resultado das ações precedentes de todos os agentes. Mostra, através da análise de cada etapa do mecanismo de transmissão monetário, que determinado agente escolhe algum mecanismo de reação que lhe diz o que fazer em nova interação, em função do que ele e outros agentes econômicos fizeram em interações prévias. Ele pode iterar ou repetir seqüência de operações, dentro de determinada rotina, mas cada qual se dará em novo contexto resultante das interações precedentes. A condição monetária inicial não se repete e a trajetória dinâmica e caótica não pode ser predeterminada ou prevista por nenhum modelo.

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Fundamentos Teóricos: Teoria Alternativa da Moeda versus Teoria Quantitativa da Moeda

Aula 5 Fundamentos Teóricos TAM X TQM

UnicampResumo da Aula:

A Teoria Alternativa da Moeda é a outra face da (teoria da) moeda. Uma contra-Teoria Quantitativa da Moeda pode ser construída a partir da possível inversão lógica de seus postulados, sempre realizada pelos seus críticos, ao longo dos últimos 200 anos. Contra esta teoria monetária dos preços se ergue uma teoria da fixação dos preços. Esta explica o valor da moeda. Este não é explicado pela quantidade da própria moeda. O nível geral dos preços estabelece o poder de compra da moeda, independentemente de sua quantidade em circulação, que sanciona esse determinado nível. A quantidade de moeda em circulação é estabelecida endogenamente pelas forças do mercado, não sendo possível o total controle exógeno pela autoridade monetária. A moeda importa nas decisões de gastos, mas não é crucial nas decisões de fixação de preços.

Demanda por Moeda e Armadilha da Liquidez

Aula 4 Demanda por Moeda e Armadilha de Liquidez

UnicampResumo:

Armadilha de Liquidez é processo identificado por Keynes, em situação depressiva, na qual o aumento da oferta de moeda não tem por consequência a queda da taxa de juros de mercado, mas sim provoca incremento na retenção de saldos monetários ociosos e/ou reservas bancárias. Considera-se, então, uma situação excepcional de preferência pela liquidez absoluta. Em condições normais, aumento da oferta de moeda resulta em aumento dos preços dos títulos financeiros, na medida em que os agentes econômicos procuram adquirir ativos e não permanecer com moeda, dado o custo de oportunidade de moeda não receber juros. A elevação dos preços (valores de mercado) de títulos prefixados provoca tendência de queda na taxa de juros efetiva no mercado financeiro.

Fonte: Frank Capra (1932) – American Madness [Loucura Americana]

O Dinheiro Que Cura

“O DINHEIRO QUE CURA” – “THE MONEY FIX” (2011) LEGENDADO PT from themoneyfix on Vimeo.
(EUA, 2009, 79 min. – Direção: Alan Rosenblith) é um documentário que mostra de maneira didática de onde vem o dinheiro, sua emissão e o efeito multiplicador sobre reserva fracionária, ou seja, o modo usado há várias gerações pelos bancos para criá-lo a partir do crédito, via endividamento das sociedades. Depois, cria nelas o sentimento permanente de escassez, mostrando então a implicação disso na mente das pessoas sob uma ótica filosófica e humanista.

Propõe também soluções simples, que já vem sendo adotadas em comunidades, como a moeda local, como o sistema mútuo de troca de tempo e como o sistema de permutas, baseados na colaboração. São utilizadas em alguns locais do mundo para que comunidades locais e até mesmo grandes empresas possam viver com autossuficiência. Esse novo mundo é possível?

Fontehttp://docverdade.blogspot.com.br/2012/03/money-fix-o-conserto-do-dinheiro-2009.html

Meu ex-aluno, Matheus Marques, estudará a desintermediação bancária através do crowdfunding, que é um sistema de financiamento colaborativo. Ao seu ver pode servir como uma forma de desintermediação bancária e um veículo da promoção da democracia economica. A conferir em sua futura monografia de graduação…

Caso queira saber mais sobre o assunto, ele sugere alguns links:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Financiamento_coletivo
http://crowdfundingbr.com.br/
http://catarse.me/pt
http://www.economist.com/node/21556973

Acumulação de Capital-Dinheiro

Aula 3 Acumulação de Capital-Dinheiro

UnicampResumo:

O capital-dinheiro torna-se capital propriamente ditouma relação social de produção – só quando se confronta com o trabalhador livre, disponível para o contrato de assalariamento. Em última instância, a formação do capitalismo só ocorre depois:

  1. da destruição dos laços de vassalagem e
  2. da expropriação dos camponeses.

A importância do capítulo da acumulação primitiva é mostrar a contraposição do conceito de acumulação

  1. na sua gênese histórica e
  2. no capitalismo plenamente desenvolvido.

Na gênese históricaa coação é extra-econômica, através do poder do Estado.

No capitalismo plenamente desenvolvidoa coação econômica é “surda”, via “servidão voluntária”.

Conceito de Dinheiro e Origem de Leis sobre Usura

Aula 2 Conceito de Dinheiro

shylockFilme: O Mercador de Veneza (2004), de William Shakespeare – Sinopse: trata-se de uma das obras mais polêmicas do célebre dramaturgo inglês. Escrito no findar dos anos 1500, época em que os judeus estiveram ausentes da Inglaterra (foram expulsos em 1290, e só seriam novamente aceitos em 1655), capta as chocantes caricaturas feitas pelos ingleses. Em O Mercador de Veneza, o personagem que mais chama a atenção é o vilão, criado para dar tom cômico à peça. Trata-se do agiota e judeu, daí a polêmica, Shylock, retratado como indivíduo desprezível. A vítima, o cristão Antônio, cidadão bem sucedido de Veneza, faz contrato atípico com o agiota, penhorando 453 gramas de sua própria carne como colateral. O judeu faz questão de cumprir a garantia do sistema contratual necessário ao funcionamento regular da Economia Monetária, o que levaria o cristão à morte.

Assista OnLineO Mercador de Veneza

PostO Pesadelo Americano: O Sonho AcabouFinanças Islâmicas.

ArtigoUsing The Merchant of Venice in Teaching Monetary Economics

A Igreja Católica acreditava que o usurário que adquirisse lucro sem nenhum trabalho e até dormindo contrariava a Palavra de Deus, que diz no livro do Gênesis capítulo 3 versículo 19: “comerás teu pão com o suor do teu rosto“. Assim, o usurário não vende a seu devedor nada que lhe pertença, mas apenas o tempo, que pertence a Deus. Disso não deve tirar nenhum proveito. No Islã, o Sagrado Alcorão diz: “2:278 Ó crentes, temei a Allah e abandonai o que ainda vos resta da usura, se sois crentes.

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Economia Monetária de Produção X Economia de Robinson Crusoé

Aula 1 Economia Monetária de Produção X Economia de Robinson Crusoé

UnicampResumo da Aula:

A alegoria de Robinson Crusoé dá-nos uma história e uma teoria econômica melhores do que muitos dos contos apresentados pela Ciência Econômica moderna sobre a divisão nacional e internacional do trabalho, onde a moeda é apresentada como fosse uma mercadoria neutra que apenas facilita as trocas. A Ciência Econômica tende a permanecer na órbita do mercado e a se preocupar com preços. Tem mais a dizer sobre como o açúcar de Robinson se relaciona com suas roupas do que sobre como ele se relaciona com Sexta-feira. Para entendermos como o capital se produz e é produzido, a Economia Política vai além da aparentemente justa esfera do mercado, na qual tudo tem lugar na superfície da relação entre o homo economicus e as coisas, às quais ele atribui valor subjetivo, e ingressa no recesso oculto da fábrica e da corporação, onde usualmente “é proibida a entrada de pessoas estranhas ao serviço.

Robinson Crusoe e o Segredo da Acumulação Primitiva (segundo Stephen Hymer)

Tudo começou na ilha de Robinson
Em 1719, o escritor Daniel Defoe criou o personagem Robinson Crusoé, viajante, que naufraga em uma ilha na Venezuela. Para o economista Stephen Hymer, a vida que se compõe então – caça, agricultura e a submissão do nativo – constitui uma perfeita alegoria que funda o modo de produção capitalista: a acumulação primitiva.
por Stephen Hymer
O personagem solitário Robinson Crusoé, frequentemente, inspira os economistas por sua força, eficiência, inteligência e frugalidade; ele encarnaria a capacidade da espécie humana de dominar a natureza. A epopeia contada por Daniel Defoe é, no entanto, igualmente uma história de conquista, escravidão, exploração e assassinato. Em suma, da lei do mais forte. Que esse aspecto do romance seja geralmente ocultado não deveria nos surpreender, já que, como observava Karl Marx, “nos manuais sagrados da economia política, é o idílio [...] que sempre reinou”.1 Entre o Robinson Crusoé amado pelos economistas e o do livro há um abismo tão largo quanto entre a livre troca, embelezada pelos manuais de Economia, e sua realidade factual.A Teoria Liberal da Livre Troca repousa sobre o modelo do caçador e do pescador que trocam mutuamente os frutos de seu trabalho, numa ligação espontânea de igualdade, reciprocidade e liberdade. Mas o comércio internacional – ou inter-regional – acontece mais frequentemente numa relação de subordinação e sob condições que são tudo menos pacíficas; é o comércio entre a metrópole e o interior, o colonizador e o colonizado, o mestre e o empregado. Assim como o capital precisa do trabalho para prosperar, o comércio repousa sobre uma divisão bem-ordenada das funções: a uns, a concepção, o planejamento, a organização e o lucro; aos outros, o trabalho. É por ser intrinsecamente desigual em sua estrutura e na divisão de seus lucros que ele se instaura e se mantém pela violência, seja social (a pobreza), simbólica (a socialização obrigada) ou física (a guerra).  Continuar a ler